sábado, 28 de julho de 2018

A CARTA DO POETA GERALDO XAVIER, AO ANFRÍSIO - ENSAIO


DA SÉRIE: ENSAIOS QUE NOS LEVAM A PENSAR
Subsérie: Despedidas

A CARTA DO POETA GERALDO XAVIER, AO ANFRÍSIO

A propósito de um PREFÁCIO morto da “Crônica de uma cidade morta”, magistralmente recusado pelo poeta Geraldo Xavier

Prezado Geraldo, este teu curto texto é a tua cara…

Dizem que somos o que pensamos que somos, mas, tem horas em que penso que somos mais o que escrevemos do que o que pensamos, embora de vez em quando também pensemos no que escrevemos! Porque, no geral escrevemos automaticamente e sem pensar, se todos pensassem no que iam escrever, o mundo não estaria tão cheio de baboseiras. Um filósofo de plantão e crítico tenaz dos escritores desprevenidos quis argumentar com veemência, (comigo), que meus raciocínios nesta área estavam fora do contexto, aí, me vi obrigado a apresentá-lo às 38 maneiras de vencer uma argumentação “com ou sem ter razão”, do mestre Arthur Schopenhauer. Só assim me vi livre por uns tempos do tal pensador de “botequim”. Julgo que ele já conhecia as argumentações erísticas do filósofo alemão. Na realidade este meu amigo é professor de filosofia de uma faculdade daqui de Salvador, sendo muito inteligente. Mas, nem por isso sou obrigado a concordar com ele. Nenhum argumento por mais razão que tenha, pode nos tirar o direito de acharmos o que bem entendermos sobre o nosso “Ser”. Se a filosofia em toda sua história tivesse chegado a um consenso sobre o que somos como seres, ainda assim, não concordaria com meu amigo “filósofo”. Portanto, afirmo que somos mais o que escrevemos que o que pensamos que somos. Nada retrata mais a alma que alguns de nossos escritos. Aqui não fica implícito nem mesmo de forma subliminar que as pessoas que nada escrevem sejam ninguém. Salvo aquelas pessoas que não escrevem, por pensar que agindo assim, tornam-se anônimas e desconhecidas, pois, estas são ninguém mesmo. Mesmo assim, julgo ser um direito natural do homem escolher entre “ser um ilustre desconhecido ou uma pessoa notória e pública”.
Sempre que nosso amado e eternamente lembrado Geraldo Xavier aparecia no beco, eu não o deixava sair sem antes me contar as últimas travessuras do “Robite”, que não pode conter as lágrimas que não possuía, de tantas saudades do Geraldo, nem pobre de mim, que não soube como contê-las, mesmo não as possuindo mais… GX estas tuas bem alinhavadas linhas escritas em um xis de um janeiro qualquer. Com certeza é o retrato do teu espírito brincalhão, dotado de extrema perspicácia e sabedoria no trato com as coisas do existir. Terminas a tua desaforada negativa de escrever o prefácio dizendo: – e à sua irmã caçula, aquela gostosa. O que me faz lembrar o epitáfio aposto no jazigo de um poeta de uma cidadezinha do interior, escancaradamente brincalhão, que dizia assim: Tá rindo de que! Estou te esperando aqui…
Fostes para o segundo andar na minha ausência, quem te autorizou? Pois, quando o poeta e amigo Ricardo De Benedictis me avisou que tinhas pegado o elevador, eu me encontrava em Salvador cuidando da saúde. Tu já fostes tarde!, Ou quem sabe, muito cedo… nunca saberemos… Quem foi que te autorizou partir tão de repente! Não fique triste, não demoro muito por aqui, em breve estaremos juntos articulando umas traquinagens por ai!!!… Se puderes me avise se aí tem um beco como o nosso para batermos uns papos…
O Geraldo nem deu trela pro tal prefácio, ele tinha e tem razão de ter ficado tão indignado. Uma cidade morta!!!… Ora veja! Só queria saber, (para dar umas porradas), quem é este escritor de meia tigela, que queria impor ao criador de Robite a feitura do tal prefácio da crônica de uma cidade morta, portanto, cheia de mortos, ou no mínimo, vazia de vivos.
Tenha certeza, para mim foi uma grande honra te conhecer, parece que é minha sina conhecer pessoas maravilhosas por pouco tempo.
Meu saudoso amigo Geraldo; não sei se o Anfrísio é tua criação, ou se é feito de cabelo, pele, carne, osso, tutano e tudo mais, juro de pés separados que não sei! Pois, as juras de pés juntos são feitas dentro dos envelopes de madeira. T’escunjuro! Arma panteriosa…
Do mais humilde e sincero dos teus amigos dos teus últimos dias.
 A minha opinião é de que este teu breve texto seria um excelente Prefácio para o livro “CRÔNICA DE UMA CIDADE MORTA” e como seria!
Salvador, 10 de janeiro de 2013
Edimilson Santos Silva Movér
1 resposta para “SOBRE A “CARTA AO ANFRÍSIO” DO POETA GERALDO XAVIER”
Prezado Amigo Edmilson Santos Silva Movér
Saudamos com efusiva alegria seu retorno ao Blog Paulo Nunes.
Seu retorno é garantia de que por muito tempo teremos suas ideias e seus escritos esclarecedores colocados à disposição da Sociedade.
Cordiais saudações do Amigo e bom retorno.
Paulo Pires

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