quarta-feira, 25 de julho de 2018

A COISA - ENSAIO (30)


DA SÉRIE: ENSAIOS QUE NOS LEVAM A PENSAR

Subsérie: Estudos filológicos do verbete ou multientidade que é nominada de “Coisa”.  

                                                     A COISA 

 1)AC). Este ensaio é dedicado ao amigo e ilustre professor da UESB Paulo Pires, de raciocínios precisos e iluminados, a quem alguma “coisa” andou incomodando. E ao que parece, ao ilustre e inteligente professor, de nada se lhes valeu, ou não quis usar a navalha de Occam na “coisa”. 

Edimilson Santos Silva 

Um estudo sobre o que nominamos de “coisa”. Existem muitas “coisas”! O que seria uma “coisa”? 

2)AC). A “coisa” é a “coisa” mais abundante no universo, pois, todas as entidades existentes no universo podem ser nominadas de “coisas”, até a burrice das “coisas” que não entendem das “coisas”. O primeiro problema é que cada “coisa” tem seu próprio universo, e o universo de cada “coisa” varia de zero ao infinito. Primeiro axioma: (Uma “coisa” será para sempre essa mesma “coisa”), por mais que mudemos o nome de uma “coisa” ela será para sempre a mesma “coisa”, (salvo, se mudarmos uma sua dimensão ou uma sua qualidade física). Obviamente se a “coisa” for física! 

         A MINHA IDA AO DICIONÁRIO EM BUSCA DA “COISA”

3)AC). Uma simples consulta a um bom dicionário nos elucidará este “não enigma”, de uma “coisa” ser uma mesma “coisa”. É bom lembrar que um dicionário também é uma “coisa”, e por isso pode variar muito, e muito! Esta consulta nos mostrará que: embora a “coisa” seja sempre uma “coisa”, ela, (a consulta), também nos mostrará que uma “coisa” possui muitas facetas, e que cada faceta pode ser vista, aparentemente, como outra “coisa”, no entanto, todo o conjunto de facetas será somente aparência, veremos que cada faceta será uma faceta da mesma “coisa” sem nenhuma inferência com uma faceta de outra “coisa”. Disto, faz-se a dedução lógica de que uma “coisa” é uma “coisa” imutável. Prevalecendo então, o que o primeiro axioma diz: (Uma “coisa” será para sempre essa mesma “coisa”). Vá se acostumando a ler a palavra “coisa”, pois, nesse ensaio ela será extremamente numerosa. 

           O ENTENDIMENTO KANTIANO DE UMA “COISA”     

           CHAMADA DE “COISA”

4)AC). Immanuel Kant julgou o entendimento de uma “coisa” como um entendimento a “priori” e necessário. Ora! Esta afirmativa está nos dizendo que o entendimento que se faz de uma “coisa, possui precedência, e necessariamente está se referindo a uma única coisa. Agora infiro outro raciocínio a esta condicionante kantiana! Uma “coisa” só será essa “coisa”, até o momento em que venha a sofrer uma mudança ou alteração. Vou trocar em miúdos; pois, a burrice campeia solta e desembestada pelos rincões da nossa rica e pobre pátria. (Uma explicaçãozinha, do porquê, dessa riqueza e dessa pobreza! Ela é rica porque tem tudo para ser rica, mas, é pobre porque os políticos ladrões e mafiosos, da esquerda e da direita, roubam-na tanto que ela e seu povo não sai dessa eterna pobreza!). Voltemos à “coisa”, vou dar um exemplo sucinto de quando uma “coisa deixa de ser uma “coisa”: 1º) ao se alterar uma sua dimensão, 2º) ao se alterar uma sua qualidade, não importando quantas dimensões ou qualidades essa “coisa” possua, esta “coisa” deixa de ser aquela “coisa” e passa a ser outra “coisa”. Devido a tal da burrice, aqui vão dois exemplos: 1) uma “coisa” de um metro de altura perde por um motivo qualquer, dez centímetros desta altura, então, e tão somente então, passa imediatamente a ser uma nova “coisa” com noventa centímetros de altura. 2) uma “coisa”, composta de duas ligas metálicas, (não importando sua massa ou sua densidade), ao ter incorporada à sua massa um grama um miligrama de uma terceira liga metálica, passa imediatamente a ser uma nova “coisa” com esse acréscimo de uma terceira liga metálica. 

5)AC). Embora, por comodidade estas duas novas “coisas” possam ser nominadas com seus antigos nomes! Elas, numa realidade a priori e necessária, (como dizia Kant), são duas novas “coisas”. Deu pra entender o babado? O segundo problema é que nem todas as “coisas” possuem a capacidade de perceber as sutilezas das proposições filosóficas. 

         HEIDEGGER E SUA “COISA”

6)AC). A “coisa” pode argumentar! Kant está defasado! - É antigo… é do sXVIII - Então vejamos o que nos diz a respeito das “coisas”, O filósofo moderno, Heidegger que viveu no sXX, embora o próprio Heidegger se reporte a Kant! Eis o que nos diz o filósofo Heidegger a respeito do “on” ou “coisa”: – “Que é uma coisa?” esta seria a mesma questão “Que é o homem?”. Isto não significa que as coisas se reduzam a um resultado da atividade humana, mas, pelo contrário, quer dizer que o homem deve conceber-se como aquele que, desde sempre, ultrapassa as coisas, mas de tal modo que este ultrapassar somente é possível na medida em que nos remeta para aquém de nós mesmos e da nossa superfície. Na questão kantiana acerca da coisa, abre-se uma dimensão que se encontra entre a coisa e o homem, e cujo domínio se estende para além das coisas e aquém do homem. Martin Heidegger. 

7)AC). Chega de filosofia, vamos a “coisa”, isto é, ao dicionário, para ajudar a digerir a “coisa” com mais facilidade: Sempre recorro ao Houaiss eletrônico, por, no momento, ser o mais completo e oferecer mais facilidades para seu manuseio. 

         ACEPÇÕES.

8)AC). O verbete COISA recebe o seguinte tratamento no Houaiss. Coisa: – Substantivo feminino: 1) tudo quanto existe ou possa existir, de natureza corpórea ou incorpórea. Ex.: as coisas do mundo. 2) qualquer ser animado. Ex.: os viventes e suas coisas. 3) realidade, fato concreto, em relação ao que é abstrato ou assim considerado. Ex.: importam mais as coisas que as palavras. 4) algo que não se quer ou não se pode nomear. Ex.: uma porção de coisas. 5) aquilo de que se está tratando ou falando. Ex.: aqui ninguém fala noutra coisa. 6) aquilo que se pensa; pensamento, ideia. Ex.: passavam-lhe pela mente coisas disparatadas. 7) relação, ligação, vínculo. Ex.: não temos coisa alguma com eles. 8) interesse próprio, negócio, ocupação. Ex.: cada qual trata de suas coisas. 9) ato, empreendimento, empresa. Ex.: coisa espetacular foi a chegada do homem à Lua. 10) o que acontece; ocorrência, evento, caso. Ex.: a coisa se deu enquanto ele dormia. 11) assunto, tema, matéria. Ex.: a reunião era para tratar de coisas importantes. 12) negócio, transação. Ex.: declarou que a coisa não estava correndo bem. 13) algo, compensação. Ex.: disse que não faria isso por coisa nenhuma. 14) o que não se sabe; mistério, enigma. Ex.: era preciso investigar, pois ali havia coisa. 15) mal-estar ou indisposição súbita; ataque, perda dos sentidos. Ex.: estava bem, mas aí teve uma coisa e desmaiou. 16) Regionalismo: Paraíba. Uso: informal. cigarro de maconha; baseado 17) Uso: informal. órgão genital do homem ou da mulher. 18) Uso: informal. algo imprestável, velho ou maltratado; traste, troço, bagulho. Ex.: que horror, o carro que ele comprou é uma coisa. Pode ser também um substantivo masculino. 19) o diabo, e também um substantivo feminino plural (coisas). 20 bens, propriedades, valores, e finalmente, o 21) negócios, interesses, ocupações.

 

         LOCUÇÕES:

9)AC). Algumas coisas que definem as coisas:

 (Coisa alguma), nada, coisa nenhuma.

(Coisa comercial), Rubrica: termo jurídico.

(Coisa que é suscetível de apropriação e pode ser alienada.

(Coisa de, cerca de, mais ou menos tempo). Ex.: daqui até lá é coisa de meia hora.

(Coisa de mato), regionalismo: São Tomé e Príncipe.

feitiço, feitiçaria, bruxedo.

(Coisa fungível), Rubrica: termo jurídico, aquela que pode ser

substituída por outras da mesma espécie, qualidade e

quantidade [As que não admitem essa substituição são

infungíveis].

(Coisa julgada), rubrica: termo jurídico. sentença transitada

em julgado, irrecorrível, que ocorre quando foram esgotados

todos os recursos contra ela, não havendo outros mais em lei;

(Caso julgado, caso hábil, rubrica: termo jurídico, coisa

suscetível de apropriação ou alienação.

(Coisa litigiosa), rubrica: termo jurídico, aquela que é objeto

de demanda; coisa sobre a qual se disputa em juízo.

(Coisa nenhuma), nada, coisa alguma.

(Coisas pretas), encrenca, dificuldade, barulho.

(Coisa pública), os negócios, os interesses do Estado ou da

Coletividade.

(Aí é que a coisa fia fino), o mesmo que: agora é que são elas

(Alguma coisa), um pouco, um tanto, algo.

(Cheio de coisa), Uso: informal, cheio de melindres, de

escrúpulos, suscetível, melindroso.

(Coisas do arco-da-velha), uso: informal, 1 fatos incríveis,

acontecimentos prodigiosos, incomuns, 2 monstruosidades.

(coisas e loisas), uso: informal, 1 muitas e diversas coisas,

assuntos vários; cousas e lousas, 2 coisas indeterminadas ou

que não se quer ou não se podem precisar; cousas e lousas

não dizer coisa com coisa, não dizer coisa alguma com acerto;

falar de maneira incoerente, não fazer coisa com coisa, agir

de modo disparatado, sem ordem, organização ou coerência

não ser lá grande coisa, não ter muito ou nenhum mérito;

não ter grande importância.

(Uma coisa), 1) algo de belo, forte, magnífico, espetacular etc.

Ex.: aquela mulher era uma coisa, 2) algo de má qualidade, ruim, feio, pavoroso etc. Ex.: aquele filme foi uma coisa.

Fim da parte dicionarial… Chega de lenga lenga. Também com tanta “coisa”, não há coração que resista! E a outra “coisa” pode até ter um infarto do “miocoisa”,

10)AC). Este artigo foi motivado por uma “carona”, que eu trouxe de Jandaíra, para a Fundipesca em Itapoã, e que uma pessoa, que nesta data não posso declinar o nome, chamou de “COISA”, motivo de muita troça entre meus colegas na Fundipesca, este ensaio foi revisado em junho de 2010.

 

Edimilson Santos Silva Movér

Fazenda Experimental da Fundipesca,

Camaçari-Bahia, 15 de agosto de 2004

moversol@yahoo.com.br  


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