sábado, 28 de julho de 2018

A FORMAÇÃO DA PRIMEIRA FAMÍLIA - ENSAIO


DA SÉRIE: ENSAIOS QUE NOS LEVAM A PENSAR
Subsérie: Ficção sobre a formação da primeira família

Ainda na espécie “homo erectus”.
DA OBRA “O SER E O EXISTIR” - CAPÍTULO 24

A FORMAÇÃO DA PRIMEIRA FAMÍLIA
785 mil anos (aC.) Quênia – África

         A MARCAÇÃO DO TERRITÓRIO
1* Há 785 mil anos um humanóide corpulento sempre acordava mais cedo que os demais, iniciando sua ronda diária para cumprir uma tarefa instintiva, que era percorrer e marcar com urina toda a orla do território onde mantinha sua comunidade de 28 fêmeas adultas e 51 filhos de várias idades, entre machos e fêmeas. O bando estava mais numeroso do que nunca, Arrg (era este o seu nome), era o chefe de um bando de hominídeos por mais de 14 anos e estava em plena forma física, longe estava de algum competidor tentar disputar o seu posto. Arrg acordou no alvorecer do dia, cheirou uma fêmea que dormia próximo e passou ao largo, a fêmea não estava pronta para a cobertura, foi até a beira do riacho que descia da montanha mitigou a sede matinal, como para aumentar sua reserva de marcador de território e seguiu na jornada diária de marcar seu território. Ao longe avistou outro chefe de bando estava a mais de dois mil passos de distância, mas os olhos aguçados de Arrg o identificaram como um irmão seu de quem não devia temer, era mais novo que Arrg e, já tinha levado uns bons sopapos quando ainda era pequeno. Concluído o percurso em pouco tempo, Arrg retornava para o centro de seu território, este serviço era feito preferencialmente no frescor da manhã, o reservatório de urina de Arrg nesta hora estava sempre cheio, o que facilitava o serviço, e neste horário todos os que não eram chefes de bando ainda estavam dormindo, e os que eram também estavam marcando seus territórios. No entanto, Arrg tinha dois inimigos, era dois primos seus que Arrg expulsara do território, estavam ficando pesados e ousados já tendo roubado duas fêmeas de Arrg. Este era um problema que mais cedo ou mais tarde Arrg teria que resolver. De um inimigo anterior Arrg tinha decepado uma mão com uma mordida, o que servira de lição para seus primos recalcitrantes, isto, pelo menos por algum tempo.

              O INSTINTO DA PRESERVAÇÃO GENÉTICA DA ESPÉCIE    
              E O FIM DOS BANDOS DE ANTROPÓIDES.
2* O instinto da continuidade genética é inerente à espécie humana, Arrg sistematicamente cheirava suas fêmeas, não só para saber o estado de receptividade das mesmas, mas também para saber se algum intruso tinha penetrado em seu território, se por ventura isto ocorresse e uma fêmea tivesse sido coberta por outro macho, a fêmea era expulsa imediatamente do bando, foi o que ocorreu desta feita, Drugf foi apanhada em pecado, levou umas boas mordidas de Arrg e de outras fêmeas velhas, isto tudo sob o olhar de todo o bando, quando Arrg gritava que ia exemplar um no bando todos tinham que estarem presentes. Arrg não contava com uma coisa! Uma irmã mais nova de Drugf, de nome Neuf, o vinha observando à muito tempo! Parecia que os neurônios de Neuf não concordavam com as atitudes de Arrg, ela não tinha ainda alcançado a idade de ser coberta por Arrg, no entanto desde muito tempo vinha procurando entender por que Arrg procedia daquela maneira. Até que um dia a famosa luzinha piscou e acendeu de vez no cérebro de Neuf, e a luz veio forte. Neuf passou a ter perfeito entendimento do motivo daquela situação. Dentro de dois anos ou um pouco mais, Neuf estaria pronta para as estrepolias de Arrg, Neuf compreendeu que tudo era muito natural, quem não se submetesse às condições presentes em todos os bandos estava automaticamente condenado à morte. O comportamento imposto pelos chefes de bando oferecia a segurança não só das fêmeas, mas, também de seus filhos, enfim, de toda a espécie. Neuf percebeu então que o problema era maior do que ela tinha imaginado. Neuf quase desistiu, mas, a tendência do instinto na direção da evolução é autônomo e muito mais forte do que o instinto natural de autopreservação.

         A PERSEVERANÇA DE NEUF
3* E assim Neuf continuava a pensar numa solução! Nas noites de lua cheia Neuf, pensava e pensava, qual seria a solução? Numa noite quando todos dormiam a luz se acendeu no cérebro de Neuf, a luz foi uma simples pergunta que Neuf não tinha feito ainda a si mesma. Por quê? Todos agiam assim? Por que os machos de fora do bando cobriam as fêmeas e depois as abandonavam? Por que Arrg cobria suas fêmeas e não as abandonava? Por quê? Por quê? E por quê? Num segundo, o mundo se abriu para Neuf! Ela tinha captado a razão maior de todos os porquês, Neuf tinha ido fundo no âmago do problema, só não sabia como resolvê-lo. O mundo de Neuf transformou-se! Tinha que achar a solução para seu inenarrável e difícil problema. Neuf não conseguia um colóquio com arrazoados satisfatórios e lógicos, com suas colegas e primas, ou mesmo com sua mãe, a fala era o maior empecilho. Neuf estava sozinha. Eis o que Neuf em seu esforço infinito para raciocinar tinha descoberto que: Arrg não abandonava as suas fêmeas depois que elas engravidavam e o recusavam, era simplesmente por que ele tinha um grande número de fêmeas disponíveis, e sempre tinha uma que o aceitava como ele não trabalhava para manter o bando, e cada um no bando se virava como podia, a posição de Arrg era muitíssimo confortável. E os machos de fora do bando? Por que abandonavam as fêmeas que conseguiam engravidar? Foi na direção desta questão que a luz brilhou mais forte dentro da cabeça de Neuf! Neuf levou um bom tempo pensando, até que lhe veio a resposta, os machos de fora do bando abandonavam as fêmeas grávidas simplesmente por que elas não aceitavam mais os macho depois de engravidadas, simplesmente elas, (devido a sua fisiologia perdiam a libido), ou a vontade de fazer sexo com os machos que as engravidavam, quando os machos sentiam que eram recusados partiam em procura de outras fêmeas que os aceitassem, a consequência mínima era a fêmea grávida e abandonada ser vítima dos predadores. Neuf matara a charada de forma espetacular e completa, e o melhor! Encontrara a saída para resolver o problema. Foi um dos maiores e melhores raciocínios que um nosso antepassado já engendrou, isto há quase 800 mil anos (aC).

         UMA ATITUDE DE CORAGEM E INTELIGÊNCIA
         (BENDITAS FÊMEAS)
4* Neuf achara a solução, mas como transmiti-la às demais companheiras, Neuf criou foi outro grande problema para si mesma. Neuf quase enlouqueceu de tanto pensar, em noites de lua clara não dormia, Neuf não conseguia dormir por que faltava menos de um ano para Arrg possuir Neuf, toda vez que Arrg cheirava Neuf ela estremecia de medo, pois, isto não agradava a Neuf. Desde muito tempo que Neuf do alto das árvores estava de olho num macho seu parente expulso por Arrg do bando, era um belo macho, ainda novo, mas um belo exemplar da raça. Estes pensamentos davam força a Neuf para executar seu plano. Neuf não tinha como consultar sua mãe, o problema maior era a fala ainda muito rudimentar, com o tipo de linguagem utilizada era impossível manter um diálogo em que pudesse expor suas ponderações. Era o tudo ou o nada, assim, depois de pensar por mais algumas noites, sobretudo, por que a libido de Neuf despertou inesperadamente e o seu cheiro de fêmea pronta para a procriação seria sentido por todos, principalmente por Arrg. Na próxima noite Neuf reuniu toda a coragem do mundo e abandonou a segurança do bando, partindo em busca do macho de sua preferência, Neuf levava consigo o seu grande segredo descoberto em suas noites de vigília. Qual seria o grande segredo de Neuf? O grande segredo de Neuf tão bem guardado era o seguinte: Neuf em sua imaginação descobrira o maior segredo da perpetuação da espécie.

5* Neuf descobrira que os machos da sua espécie só tomariam conta das fêmeas grávidas e depois de seus filhos se elas estivessem dispostas a servirem como fêmeas a estes mesmos machos, à todo tempo e somente a eles. Neuf descobriu foi o que todo macho sabe de sobra, é que os mesmos não podem viver sem a presença constante das fêmeas. E que eles gostam mesmo é daquilo. É de fazer sexo! E nada mais. Foi o que a natureza criou como atrativo para garantir a continuidade das espécies! Suplanta de longe qualquer tipo de instinto.

               O RESULTADO QUE NEUF NÃO ESPERAVA
               (NOVAMENTE BENDITAS FÊMEAS)
6* Neuf sem querer descobrira como formar a primeira família da espécie. Como Neuf não conseguia transmitir este conhecimento através da fala, suas primas e colegas observando e seguindo o exemplo de Neuf abandonaram seu bando e formaram os primeiros grupos familiares do planeta. Bendita Neuf! Benditas mulheres! Quando Neuf estava grávida de seu terceiro filho com o mesmo macho que se chamava Truuuf que queria dizer “meu macho”. Nesta época a comida tinha ficado escassa em sua região, e tiveram que ir para mais longe, para espanto de Neuf seu gesto estava sendo imitado por um grande número de fêmeas, Neuf muito inteligente percebeu que tinha dado inicio realmente a um novo modo de viver para sua espécie. Tudo transcorria naturalmente, ninguém parecia ter conhecimento ou reconhecer que Neuf fora a iniciante do novo proceder das fêmeas de sua espécie. Com a constante presença de Truuuf dando-lhe proteção e aos seus dois filhos Neuf descia mais vezes das árvores para o chão e passou a ter acesso às frutas mais saborosas e mais nutritivas dos arbustos, assim seus filhos, por ora dois, cresciam mais fortes e mais sadios, Neuf tivera com certeza, não se pode negar, uma grande ideia! Benditas mulheres! Benditas “aquilo”. A ideia de Neuf provocou um grande salto evolutivo na espécie.
A evolução da fala dos humanos é um mistério insondável e insolúvel! Através de uma abordagem científica evolucionista, nunca saberemos como e quando se iniciou o desenvolvimento da fala do homem no planeta; bem pouco, a antropologia e a paleontologia podem nos esclarecer, o problema é que o aparelho fonador humano como de todos os outros animais, não se fossiliza, pois todos são feitos de cartilagens e músculos. A lógica nos diz: (sempre a lógica!), que a história da fala dos antepassados do homem se perde nas brumas do tempo, e de que a melhor medida para servir de parâmetro para se avaliar dentro do “tempo” o desenvolvimento da fala dos nossos antepassados, sem dúvida é a marca matriz do antepassado do Ser humano. Que é o desenvolvimento do volume da caixa craniana e o consequente aumento do encéfalo. Há 3,5 milhões de anos a espécie “Australopitecus Afarensis” (a medida foi tomada em “LUCY” provável nosso mais antigo ancestral) já possuía 400cm³ de caixa craniana. O “Homo Habilis” de 1,8 milhões de anos possuía 1.000 cm³. O “Homo Erectus” de 1,7 a 1 milhão de anos já era dotado de um depósito craniano de 900 cm³. O “Homo Erectus” de 500 mil anos já era possuidor de respeitável encéfalo de 1100 a 1200 cm³. O mais antigo fóssil de “Homo Sapiens” de 400 a 300 mil anos atrás, era possuidor de uma caixa craniana com 1200 cm³. O crânio do Neanderthal era de 1500 cm³. A média para o homem de Cro-Magnon e do homem moderno é de 1400 cm³. Será que o desaparecimento do neandertalense, tirou de cena um “Ser” mais capacitado cerebralmente que o “Homo Sapiens Sapiens”? De posse deste conhecimento podemos avaliar que o “Homo Erectus” de 500 mil anos atrás, também com (1200 cm³), já devia possuir um vocabulário com um suficiente número de palavras para levá-lo pelos caminhos da ampliação da inteligência! Pois, foi isto o que aconteceu... Mesmo Neuf vivendo a quase 800 mil anos já teria um vocabulário bem menos extenso, mas, no entanto, eficiente.
Aqui se encerra a história e a atividade de Neuf.

    UMA TRIBO DE HOMO SAPIENS NA ÁFRICA CENTRAL   
     HÁ 150 MIL ANOS, E A EVOLUÇÃO DA FALA,
7* Não sei quem teve essa ideia! A fala da espécie foi iniciada por todos presentes em seu início, isso é claro como o dia. Já a fala elaborada com conceitos abstratos, com nuances linguísticas, interjeições, exclamações, e outras sutilezas, com certeza foi inventada pelas mulheres! Imaginemos um grupo de humanos caçadores-coletores, há 150 mil anos na África central subsaariana, os caçadores, ou podemos chama-los guerreiros,  partem armados com o que possuem de armas no raiar do sol para coletar e caçar, e expulsar ou matar algum intruso, se por ventura encontra-lo. Segue o grupo 36 adultos, ficando no acampamento 42 mulheres adultas, 22 jovens de varias idades, e 18 rapazes com pouca idade para a caça, e os ancião da tribo em número de 6. O acampamento é casualmente visitado por animais passantes, Leões, Javalis, Hienas algum Elefante e um outro felino perigoso. As mulheres dentro do estacado, conversam aos gritos, isto para amedrontar algum animal mais afoito que se arriscar em busca de um menino mais gordinho e lento. Conversa das mulheres dura enquanto os guerreiros estiverem fora!  Enquanto isso, os caçadores em silêncio passam o dia em busca da arisca caça!  Enquanto isso as mulheres passaram o dia tagarelando, fuxicando e gritando para manter os filhos por perto, os animais o mais distante possível! Ai, eu vo-los pergunto quem inventou a fala elaborada com nuances e trejeitos, foram os homens caçando em silêncio ou as mulheres gritando e tagarelando entre elas durante o dia todo?
            AS DATAS:                                                                  
8* Naturalmente que as datas são uma tentativa de apor lógica na cronologia da narrativa! Assim como, é lógico, que a narrativa nada mais seja que uma ficção...
Este capítulo é uma singela tentativa de também apor ordem no passado do “Homo sapiens sapiens”. Desculpem a franqueza pelo uso do “palavrão”, mas, torna-se necessário que se diga a verdade com todas as letras, e com as letras mais em uso em cada língua. Não sei o nome daquilo no tempo de Neuf, mas, o nome daquilo hoje em dia, e em todas as línguas é o mais pronunciado no planeta, alguém tem alguma dúvida?
                A AMIGA FEMINISTA
9* Num tempo pretérito, uma minha amiga, muito culta e educada,  da subespécie “homo sapiens sapiens”, reclamou veementemente, não recordo se num e-mail, ou se num comentário num blog, creio que num e-mail, reclamou porque, segundo ela, eu estava tratando as mulheres como se  similares fossem, às máquinas reprodutivas das hominídeas da espécie “homo erectus”, como se as fémeas da ordem mammalia, espécie: homo sapiens, não fossem as matrizes naturais da espécie. Deve ter sido porque às vezes generalizando, chamei as suas avós da espécie “homo erectus” de “mulheres”, e não de hominídeas, devo ter cometido um  pecado semântico, ou no mínimo antropológico.

Vitória da Conquista, 02 de agosto de 2008
Edimilson Santos Silva Movér



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