sexta-feira, 27 de julho de 2018

A LEI DO PLANTIO E DA COLHEITA - ENSAIO


DA SÉRIE: ENSAIOS QUE NOS LEVAM A PENSAR
Da subsérie: Os leigos penetrando nas ciências esotéricas

A LEI DO PLANTIO E DA COLHEITA



1* No ensaio anterior postado nos preciosos blogs da minha amada terra, de Vitória da Conquista. Os nomino de “preciosos”, pois, são minha única via de ligação com os meus amados leitores, estou me referindo ao ensaio: (JIDDU KRISHNAMURTI E O AUTOCONHECIMENTO), nele, prometi tratar e dar ênfase aos “pensares” de três singulares seres humanos que passaram por este planeta no século XIX, estes seres fundaram em 1875 a mais importante instituição para o desenvolvimento espiritual da atual sociedade humana! A Sociedade Teosófica.  Estes seres passaram por este mundo com os nomes de: Helena Petrovna Blavatsky, (1831-1891), Henry Steel Olcott, (1832-1907) e William Quan Judge, (1851-1896).

2* Nesta oportunidade faço referência somente a um pequeno texto compilado por William Quan Judge. Oportunamente farei referência a Madame H. P. Blavatsky e ao senhor H. Steel Olcott.
Na realidade este texto, como veremos, possui autores distintos e não nominados.  O assunto em pauta discorre sobre um tema complexo e de pouco entendimento pelo homem a que chamamos de: “comum dos mortais”. Aos iniciados em esoterismo é um tema, simples, comum, real, e cotidiano, pois, dele, todos nós temos nítida percepção no nosso viver cotidiano, talvez alguns não o percebam, mas inexoravelmente com ele convivem. Trata-se do que os Monges tibetanos de Lhassa chamam de lei do plantio e da colheita, aqui no mundo ocidental, a chamamos de a lei do “Carma”.

3* William Quan Judge compilou 31 textos, nós o nominamos de aforismos por, eles possuem em seu bojo verdades de beleza singular e incontestável. Motivo que me levou a postar este texto compilado pelo WQJ.
Vamos ao texto:

4* Como Funciona na Prática, a Lei do Plantio e da Colheita:
Nas primeiras linhas da Carta 88 de “Cartas dos Mahatmas”, um sábio dos Himalaias define a teosofia como o estudo das causas pelas suas conseqüências, e das conseqüências, pelas suas causas. Esta definição da teosofia como o estudo da lei do Carma torna inevitável, para a filosofia esotérica, a tarefa de conhecer o modo concreto através do qual as ações e os seus resultados interagem na prática, nas diferentes dimensões da vida. Este é, precisamente, o tema do conjunto de trinta e um aforismos reunidos por William Quan Judge. O texto a seguir tem clareza e simplicidade na forma externa, mas sua profundidade vai além da palavra escrita. Quando são examinados com a devida atenção, os aforismos falam num plano situado acima do plano verbal. 
[... - Assim como outros aforismos ainda não usados, os aforismos a seguir me foram dados por instrutores - entre eles H. P. Blavatsky. Alguns deles foram escritos, outros foram transmitidos de outras formas. Foi-me declarado que eles vêm de manuscritos atualmente inacessíveis ao público. Cada um deles foi submetido ao meu julgamento. Eles foram aprovados pela minha razão sem levar em conta qualquer autoridade e depois de uma séria avaliação. Espero que eles recebam do mesmo modo a aprovação dos companheiros de trabalho para quem os publico agora. - ...]

(William Quan Judge)  


             5*        AFORISMOS
(1)       Não há Carma a menos que haja um ser para criá-lo ou para sentir os seus efeitos.

(2)       O Carma é o ajustamento dos efeitos que fluem das causas, e, durante este ajustamento, o ser sobre o qual e através do qual ele ocorre experimenta dor, ou prazer.  

(3)       O Carma é uma tendência do “universo” no sentido de restaurar e (manter) o equilíbrio; e opera incessantemente, sem desvios e sem erros. 

(4)       A aparente interrupção na restauração do equilíbrio se deve ao ajustamento necessário da perturbação em algum outro ponto, lugar, ou foco, que é visível apenas ao Iogue, ao Sábio, ou ao perfeito Observador. Portanto, não há interrupção, mas apenas um ocultamento do campo de visão.  

(5)       O Carma opera em todas as coisas e seres, desde o menor átomo concebível até Brahma. [1] 

(6)       O Carma não está sujeito ao tempo, e portanto aquele que conhece a divisão última do tempo deste Universo conhece o Carma.

(7)       Para todos os outros homens, o Carma, em sua natureza essencial, é desconhecido e incognoscível.

(8)       Mas a sua ação pode ser conhecida pelo cálculo da relação entre causa e efeito. Este cálculo é possível porque o efeito está incluído na causa, e não é posterior a ela.  

(9)       O Carma desta Terra é a combinação dos atos e pensamentos de todos os seres de todos os graus que se envolveram no Manvântara [2] ou corrente evolucionária anterior, do qual procede o nosso Manvântara.  

(10)   Devido ao fato de que tais seres incluem Senhores de Poder e Homens Sagrados, assim como seres fracos e maldosos, o período da duração da Terra é maior que a duração de qualquer entidade ou raça que viva sobre ela.

(11)   O Carma desta Terra e das suas raças começou em um passado tão longínquo que as mentes humanas não podem alcançá-lo. Por isso é inútil investigar o seu início. 
  
(12)   Deve-se permitir que as causas cármicas já colocadas em movimento prossigam até esgotar-se, mas isso não autoriza ninguém a recusar ajuda a seu semelhante ou a qualquer ser sensível.  

(13)   Os efeitos podem ser compensados ou mitigados pelos pensamentos ou ações da própria pessoa ou de outrem. Os efeitos resultantes representam a combinação e interação de todo o conjunto de causas envolvidas na sua produção.  
(14)   Na vida dos mundos, das raças, das nações e dos indivíduos, o Carma não pode agir a menos que haja um instrumento adequado para a sua ação.
  
(15)   E enquanto o instrumento apropriado não for encontrado, o Carma que depende dele permanecerá não-manifestado.  
(16)   Enquanto um homem está vivendo o Carma no instrumento que lhe foi dado, o seu outro Carma, ainda não manifestado, não é esgotado por outros seres, nem por outros meios, mas permanece reservado para operar no futuro. Durante este lapso de tempo, não há deterioração na sua força nem mudança na sua natureza.

(17)   A adequação de um instrumento para a operação do Carma consiste na conexão e na relação exatas do Carma com o corpo, com a mente, com a natureza intelectual e psíquica adquirida pelo Eu Superior em qualquer encarnação.  

(18)   Todo instrumento usado por qualquer Eu Superior em qualquer vida é adequado para o Carma que opera através dele.

(19)   É possível acontecer mudanças no instrumento ao longo de uma vida, de modo a torná-lo adequado para um novo tipo de Carma, e isso pode ocorrer de duas maneiras: (a) através da intensidade do pensamento e do poder de um voto, ou (b) através de alterações naturais devido à completa exaustão de causas velhas. 

(20)   O corpo, a mente e a alma têm cada um a sua capacidade de ação independente. Qualquer um deles pode esgotar, independentemente dos outros, algumas causas cármicas mais remotas ou mais próximas do momento da sua produção do que as causas que operam através de outros canais.

(21)   O Carma é ao mesmo tempo piedoso e justo. A piedade e a justiça são apenas pólos opostos de um todo único; e a Piedade sem Justiça não é possível nas operações do Carma. Com freqüência aquilo que o homem chama de Piedade e Justiça é defeituoso, errôneo e impuro.  

(22)   Há três tipos de Carma: (a) O que opera nesta vida atual através dos instrumentos adequados; (b) Aquele que está sendo produzido ou acumulado, para ser esgotado no futuro; (c) O Carma guardado desde vidas anteriores e que ainda não está operando, porque permanece inibido pela inadequação do instrumento atualmente usado pelo Eu Superior, ou porque permanece inibido pela força do Carma atualmente em operação. 

(23)   Três campos de operação são usados em cada ser pelo Carma: (a) o corpo e as suas circunstâncias; (b) a mente e o intelecto; (c) os planos psíquico e astral.

(24)   O Carma acumulado e o Carma presente podem, cada um deles ou os dois ao mesmo tempo, operar em todos os três campos de operação cármica ao mesmo tempo; ou pode ser que um tipo diferente de Carma opere ao mesmo tempo em cada um dos três campos. 

(25) O nascimento em qualquer tipo de corpo, e a obtenção dos frutos de qualquer tipo de Carma, se devem à linha da tendência preponderante do Carma.
(26) A força da tendência cármica influencia a encarnação de um Eu Superior, e qualquer família de “Eus Superiores”, durante três vidas, pelo menos, quando não são adotadas medidas de repressão, eliminação ou compensação.  

 (27) As medidas tomadas por um Eu Superior no sentido de reprimir tendências, de eliminar defeitos e de compensá-los - colocando em ação causas diferentes - irão alterar o poder da tendência cármica e encurtar a sua influência segundo a força ou fraqueza dos esforços feitos na concretização das medidas adotadas.
  
 (28) Ninguém, exceto um sábio ou verdadeiro vidente, pode avaliar o Carma de outro ser humano. Portanto, ao mesmo tempo que cada um recebe o que merece, as aparências podem enganar. Nascer pobre ou enfrentar profundos sofrimentos pode não ser punição por mau Carma, porque há continuamente Eus Superiores encarnando em condições desfavoráveis, nas quais eles experimentam dificuldades e provações para fortalecer a disciplina do Eu Superior, e disso resultam força, resistência e simpatia.
  
 (29) As influências do carma de uma raça influenciam cada unidade da raça através da Lei da Distribuição. O Carma nacional opera nos membros da nação através da mesma lei, mais concentradamente. O Carma da família governa apenas em uma nação em que as famílias foram mantidas puras e nítidas; porque em uma nação em que há mistura das famílias - como ocorre nos períodos de Kali Yuga - o Carma da família é geralmente distribuído no âmbito nacional. Mas mesmo em tais períodos algumas famílias permanecem coerentes por longos períodos, e neste caso os membros sentem a força do Carma familiar.  O termo “família” pode incluir várias famílias menores.  
 (30) O Carma opera para produzir cataclismos na natureza por concatenação através dos planos mental e astral do ser. Um cataclismo pode ter uma causa física imediata tal como um fogo interno ou uma perturbação atmosférica, mas estes talvez tenham sido produzidos por uma perturbação criada pelo poder dinâmico do pensamento humano.
  
 (31) Os “Eus” Superiores que não têm qualquer ligação cármica com uma porção do globo onde um cataclismo irá ocorrer são mantidos à parte da operação do cataclismo de duas maneiras: (a) pela repulsão que age em sua própria natureza; (b) através de chamados e advertências que lhes são feitos por aqueles que vigiam o progresso do mundo.
  
6* Notas endereçadas aos não iniciados em teosofia: 
[1] Brahma -  O princípio supremo, neutro, impessoal e incognoscível do universo, de cuja essência tudo emana. No seu aspecto inferior, existe Brahmâ, o “criador” do universo. (“Theosophical Glossary”, H. P. Blavatsky, Theosophy Co., Los Angeles).  (N. do T.)  
 [2] Manvântara - Período de manifestação de um Universo.  (N. do T.)  
O texto acima foi traduzido de “Theosophical Articles”, William Q. Judge, Theosophy Company, 1980, Los Angeles, edição em dois volumes, ver volume I, pp. 120-124. Título original: “Aphorisms on Karma”.

       Aqui chagamos ao fim do texto do WQJ.
7* Sucintas observações moverianas:
Podemos observar que o termo Carma no mundo ocidental, só encontra guarida na linha de pensamento espiritualista, principalmente no espiritismo e crenças congêneres e etc.
A lógica da lei do carma transparece em toda sua totalidade nestes 31 aforismos. O universalismo do carma está implícito no aforismo nº 5 –
Aquele que consegue ler nas entrelinhas, crê e entende que nenhum ser senciente presenciará o fim físico da Terra em que moramos, veja o aforismo nº 9 –
O aforismo de nº 12 trata de um assunto delicado, ele nos autoriza a interferir na lei do plantio e da colheita (ação cármica), já em andamento, isto, nos casos da necessidade de prestar ajuda a um semelhante ou ser sensível, (senciente). Não, necessariamente humano.
No aforismo de número 20, neste texto, o Mahatma refere-se ao que denomino em meus ensaios de “trinitatis hominem”.
Tua resposta do “por quê?”, que homens tão maus nada sofrem e homens tão bons tanto sofrem! Está no aforismo nº 22 de fácil entendimento. Leve em conta porém! Que da lei do plantio e da colheita, ninguém escapa, pois estamos somente dentro de uma de nossas várias existências como seres materiais.
O entendimento destes textos é de uma facilidade elementar, mas, só podem ser entendidos com perfeição e profundidade, com os olhos da alma. Estes, os tendes dentro de ti.

8* Caiu-me nas mãos, no início da década de 1960, (quando já estava no DNER), as primeiras obras teosóficas: Isis Sem Véu e A Grande Síntese de HPB, isto portanto, quando ainda jovem. Nelas encontrei complexidades, pontos de vista e mesmo proposições filosóficas de difícil entendimento. Somente depois de adulto, já decorrido muito tempo tomei conhecimento da vasta obra do grande sábio indiano Jiddu Krishnamurti, e só então, voltei a buscar e consegui perceber a simplicidade e a verdade contida em todo pensamento das obras postas à nossa disposição pela Sociedade Teosofia, fundada em 1875 por Helena Petrovna Blavatsky, Henry Steel Olcott e William Quan Judge. Na realidade, tudo que a Sociedade Teosófica tornou público, é de uma simplicidade sem fim, e de fácil entendimento. Só o que não foi publicado é de difícil entendimento! Ora! Se complexidades não foram publicadas, justificativa há! Leiamos então, o que foi publicado.


Vitória da Conquista,
15/06/2014
Edimilson Santos Silva Movér
77-99197 9768





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