sábado, 28 de julho de 2018

A PRIMEIRA E ÚLTIMA LIBERDADE - ENSAIO


DA SÉRIE: ENSAIOS QUE NOS LEVAM A PENSAR
Subsérie: Ocidentais leigos aprendendo as ciências     
                 Esotéricas.

A PRIMEIRA E ÚLTIMA LIBERDADE

Por: Jiddu Krishnamurti
Prefácio: Aldous Huxley

           Eis Krishnamurti em sua essência...
[... - Estou apenas a ser como um espelho da vossa vida, no qual podeis ver-vos como sois. Depois, podeis deitar fora o espelho; o espelho não é importante. - ...] Krishnamurti

Uma síntese de posturas filosóficas, contidas em propostas krishnamurtianas que alterarão inevitavelmente, o atual paradigma humano.

Análise da obra por: Edimilson Santos Silva Movér

     Preâmbulo:
1* Normalmente, costumo dedicar meus insossos ensaios a um amigo presente ou a uma pessoa que já se foi, desta, para o nada incognoscível e vazio, que os néscios dizem que sabem o que é, e onde está! Estas apreciações ou estudos, sobre o pensamento de Krishnamurti, possuem num momento enfoque mecanicista, e noutro, um enfoque espiritualista. O estudo que pretendo desenvolver neste ensaio será fruto de leituras anteriores, e não somente desta obra, mas sobretudo, da essência do pensamento de Jiddu Krishnamurti, e do prefaciador da obra, o Aldous Huxley e, como isto será feito por minha mente, questionadora! Daí, advirá a ambiguidade dos enfoques! O estudo será dirigido principalmente, ao pensamento de Jiddu Krishnamurti, sobre o contido nesta obra, e noutros textos de sua lavra, portanto, são estudos, (como disse), não somente resultantes da leitura deste livro. Estas ilações protofilosóficas d’agora, eu as dedico ao meu irmão maçom, Dr. Francisco Françu Gomes Assemany, (pessoa culta e mestre no uso do raciocínio), médico residente nessa cidade de Camaçari, onde se dedica com amor a sua profissão e aos seus clientes, ele é um cidadão de ilibada transcendência moral, possui uma mente brilhante, muito inteligente! Em qualquer tema que ele aborde! Lá estará presente a lógica, a seriedade e a razão. Sempre que tenho oportunidade de escutá-lo, proferindo uma, ou várias de suas palestras, ali encontro, e estão, os raciocínios mais elaborados, as filigranas do pensar escorreito, pensar este, (tão recomendado por Krishnamurti), que são entrelaces de raciocínios que ele tece com maestria. Talvez, nem o perceba, constrói com naturalidade e até despercebidamente, a tese, a antítese, sempre coroando seu discurso com uma síntese aprimorada, isto, em cada tema abordado.  No ambiente em que escuto suas palestras, o tempo é muito restrito, mesmo assim, nunca o vi deixar um assunto sem o devido tratamento e conclusão. À meu irmão Françu, com profundo respeito, principalmente, à sua visão “da vida” em geral, especialmente e essencialmente à sua visão voltada à existência humana! Dedico, como disse! Este singelo arrazoado a que chamo de preâmbulo, ou mesmo, de prolegômenos, que teço sobre este estudo de uma obra do maior pensador que passou por este planeta no século XX, século em que eu e o Françu nascemos e vivemos por longos anos, somente eu, passei 60 anos no século passado, hoje, Já vencendo a segunda década do século XXI, então, é que caio na dura realidade! E descubro assustado que: Era feliz, mesmo com tantos percalços, e não sabia! O que vem pela frente é assustador! Ora! Se todos reclamam, dizendo que os tempos passados eram melhores, deduz-se fatalmente, que a sociedade dos “sapiens” como um todo, esteja regredindo, e, que somente pequeno porcentual desse “todo” esteja avançando espiritualmente. Daí, termos que nos lembrar que: O avanço tecnológico, nunca poderá ser tomado como parâmetro ou medida para se ler o grau do desenvolvimento espiritual destes mesmos “sapiens”. A preocupação de Jiddu Krishnamurti com a “crise”, está exposta no capítulo 1. – com o título: (Sobre a crise atual). Temos que entender este “atual”, como antes de 1986), isto, em referência à página 127 na segunda parte desta sua obra! Este atentar para a crise! Tem toda razão de ser, pois, o mundo está em crise permanente há tempos. (Coisa de dez mil anos), quando Então, a crise não é nova, foi criada a moderna sociedade sedentarista. Temos que considerar que esta inquietação com a crise, já grassava na época em que foi externada por Krishnamurti, isto portanto, muito antes de 1986, ano da sua morte.

2* Hoje, ano de 2018, passados 34 anos da sua morte, “os homens voltados para as essências das coisas”, veem que a descoberta que o teosofista Charles W. Leadbeater (1847-1934), fez em 1909, foi de enorme importância para o desenvolvimento do entendimento da existência humana! Que no futuro nos seria apresentado pelo pensador: Jiddu Krishnamurti.
3* Vamos assim, fazer uma curta análise sobre esta crise em referência, já no 1º capítulo do livro em apreço. (Não se pode negar que esta crise vem se desenvolvendo desde o princípio da sociedade humana). Recentemente, desde todo o transcorrer do século XX, ainda permanecendo crescente nessas duas primeiras décadas do século XXI, e cremos (eu e as pessoas com mentes que consigam ler nas entrelinhas dos acontecimentos que ora ocorrem no planeta, que seu ato final se dará de forma dantesca através de uma catástrofe pavorosa, pois esta esperada crise causará a derrocada global da economia planetária, portanto, a derrocada de todas as nações! E esta catástrofe advirá sob e égide destes 4 quatro fatores! Dois excessos e duas Faltas:
1)  Excesso de população.
2)  Excesso de crescimento da economia.
3)  Falta de energia.
4)  Falta de matéria prima.
E quem seriam os responsáveis por este desastre? Ora! A ganância e a burrice dos homens, e nada mais.

4* Uma mente, mesmo de um homem comum, não necessita nem ser tão perspicaz, para perceber que o século XX foi na realidade um século que transcorreu todo em crise, conforme podemos relembrar! Nele ocorreram três grandes guerras! A primeira grande guerra; de 1914-1918, a segunda grande guerra; de 1939-1945, e a terceira e maior das guerras; de 1949-1989, que foi a “guerra fria”, embora, chamada de guerra fria! Ela foi quente o suficiente, para criar condições que levasse ao desaparecimento da humanidade, como veremos adiante! A guerra fria teve o seu fim marcado pela queda do muro da vergonha em 1989, na realidade, só terminou definitivamente em 26 de dezembro de 1991, pós a assinatura da declaração nº 142-Н do Soviete Supremo da URSS. Provocando a dissolução da União Russa Socialista Soviética.

5* Infelizmente, esta guerra não foi tão fria assim, pois, durou um tempo mais que suficiente para esquentar! Pois, por 40 anos, as nações tiveram tempo para se armar para a destruição total do planeta. Isto, com um formidável aparato bélico de 17000 (dezessete mil), ogivas nucleares. Cientistas ligados à Agência Internacional de Energia Atómica, IAEA, (na sigla em inglês), declararam e proclamaram em diversas oportunidades, que é necessário somente o uso de 425 (quatrocentos e vinte e cinco) ogivas nucleares para destruir toda a vida existente no planeta, ora! (17000/425)=40 portanto, o “sapiens”, mesmo amalucado e idiota como ele é, possui uma capacidade atual para destruir a vida em 40 (quarenta) planetas como a Terra!  Refiro-me à vida, nos ares, na superfície e nas profundezas dos mares, e obviamente, sobre e sob todos os continentes. Pois, as chuvas precipitarão a radioatividade no solo, que inevitavelmente dentro de poucos anos percolará e alcançará os lencóis d’água subterrâneos e, adeus vida sob o solo, portanto “bunkers” ou cavernas não servirão de proteção à vida. A “media” nos informa que americanos ricos estão construindo verdadeiros “bunkers” subterrâneos, pura perda de tempo, com o passar dos tempos a água, já completamente contaminada os matarão. Deduz-se assim! Que não sobrará um só sapiens registrador de eventos.

6* Um estudo realizado pela British-American Security Information Council com a pesquisa "Beyond the United Kingdom: Trends in Other Nuclear States", estima que desde 1945 foram construídas mais de 128 mil bombas nucleares. Sendo grande parte desarmadas ou utilizadas em testes. Desse total, 95% foram produzidas pelos EUA e União Soviética (atual Rússia). Outro levantamento, realizado no final de 2010, indicou que ainda existem 22.400 bombas, distribuídas entre os nove países com armas nucleares. Novamente, a grande maioria (95%) dessas ogivas estão sob domínio dos Estados Unidos e Rússia. Estados que possuem o poder de levar o mundo ao “grand finale”. (128 mil artefatos atômicos está meio exagerado). Movér

7* Esta foi uma grande e silenciosa guerra de 42 anos, chamada de fria, mas, que foi bastante quente em disputas, principalmente de corridas armamentistas e de ameaças beligerantes, esta guerra transcorrida por baixo dos panos, entre 1949 a 1991. Bem que podemos chamá-la de “terceira grande guerra”, tendo ocorrida do meio para o fim do século XX, no entanto, sabemos que nesta, não se detonou nenhuma ogiva nuclear como um ato de guerra, salvo, as utilizadas em testes, nos ares, no solo profundo e na profundeza mares.

8* Fundamentado no que me diz a IAEA, posso afirmar com a mais absoluta “certeza”, que não haverá uma terceira guerra global nuclear que venha a fazer parte do registro histórico do planeta. Pois, mesmo que este evento venha a ocorrer! Como não sobreviverá nenhum ser vivo pensante para testemunhar tal evento. Teremos que admitir, que ficará sem registro ou testemunho... assim, nunca haverá como provar que tal fato tenha ocorrido. A vida primitiva surgiu no planeta há 3 bilhões e 400 milhões de anos com os estromatólitos, e só agora surgiu o “Ser” pensante descendente do “homo erectus”, como um exímio registrador de eventos, isto, enquanto vivo e existente.

9* Da mesma forma, se destruirmos a vida atual no planeta! A vida complexa e pensante só retornará depois de decorrido igual período de tempo de 3 bilhões e 400 milhões de anos. Talvez. Um pouco menos! Como os vestigios radioativos de uma guerra global desaparecem com no mínimo 1000 (mil) anos, quando novos seres pensantes e registradores aqui retornarem, os vestígios radioativos já desapareceram completamente, portanto, não terão como deduzir que tal catástrofe ocorreu! Salvo se a raça que surgir for uma raça bastante inteligente para perceber a grande exploração nos depósitos de alguns minérios radioaivos, como: urânio, polônio, rádio, césio e tório. Sendo hoje, muito difícil, ou mesmo impossível deduzir que uma mina de urânio com um potencial de 200 toneladas de reserva atuais, ja teve num (passado de 500 milhões de anos), uma reserva de 400 toneladas. O homem, seus vestígios e sua história, tendem a desaparecer completamente do terceiro planeta.

10* Só tomarão conhecimento da catástrofe (isto, por pouco tempo), os seres envolvidos e existentes na época, que a presenciarão!  Conforme o previsto pela ciência, não ficarão como testemunhas, nem mesmo o registro físico das obras dos pensantes, não durarão para sempre, segundo o “History Channel”. Todos, absolutamente todos,  os vestigios deixados pelos pensantes no planeta desaparecerão dentro de, digamos, 100 milhões de anos.

11* Assim! Por toda a eternidade, esta catástrofe nunca terá ocorrido. E, como disse acima! Posso afirmar com a mais absoluta “certeza”, que não haverá uma terceira guerra global nuclear que venha a fazer parte do (registro histórico do planeta).

12* Não há lógica na afirmação, de que uma espécie que se autodestruiu: Alcançou uma notável evolução espiritual. Ora! Podem argumentar: Foi uma minoria sem nenhuma evolução espiritual que provocou tal catástrofe! Ao que, se pode contra nrgumentar: Foi a inépcia de uma maioria que se dizia com toda evolução espiritual, que mesmo assim, não conseguiu evitá-la. Então! Que evolução espiritual seria esta? Um caso único, onde uma ínfima minoria sem evolução espiritual sobrepujou uma ampla maioria com evolução espiritual? Compare o número dos cientistas envolvidos com a energia atômica com o número dos religiosos e dos filósofos existentes na época!   Seria  a evolução espiritual inútil? Ou será que  a evolução espiritual torna os seres, em fracos, covardes,  ineptos e inaptos à defesa da própria existência da espécie? Que espécie de evolução seria esta? Seria isto evolução? Sendo por isso que afirmo sempre, que o mundo sem dúvidas, é feito de dúvidas.

13* Ficando, desta maneira e no momento, a seguinte pergunta sem resposta! Espiritualmente! O “sapiens” evoluiu ou regrediu? Segundo o Stevem Pinker nós evoluimos. Não sei! Não duvido, mas, confesso que não sei!

14*  Será que existe hoje! Um, somente um, “homo sapiens sapiens”, suficientemente evoluído e bastante inteligente, para resolver uma questão de tal magnitude? “Antes da catástrofe ocorrer”.

15* Me prendo ao fato de que pensamos que tudo, ou quase tudo  que ocorreu no planeta Terra até hoje, por mais sutil que tenha sido este “ocorrer”, possui seu devido registro escrito! Ou um registro fóssil, ou um registro geológico. Não seria isto um bruto engano, nosso e de nossa ciencia! É bom atentar para o fato de que este registro só acontecerá,  se houver um “sapiens” vivo e, que possua “conhecimentos específicos” para fazê-lo. Será! Que num passado remoto outra humanidade se destruiu?

16* No entanto, mesmo considerando a proposição acima! Algo diferente pode ocorrer no existir dos pensantes; pois, “aquilo” que  não podemos perceber com nossos sentidos, podemos até dizer que não exista no presente, e até mesmo questionar sua existência no passado! Mas, nunca teremos a plena e absoluta certeza de que “aquilo” não exista atualmente, ou que “aquilo” nunca existiu no passado! A realidade, é que sem o autoconhecimento, nunca teremos um conhecimento absoluto do universo. Como somos parte deste universo, isto nos põe diante de um ciclo que se repete eternamente. O que nos leva ao principal paradoxo do pensante: (O “Ser” pensante nunca terá absoluto conhecimento de si próprio, nem do universo de que ele faz parte e é oriundo). A realidade a que não queremos chegar e admitir, é de que, ambas as origens (do universo e do homem), se perderam no abismo da noite do tempo.

17* Somos obrigados a admitir que só temos como lidar com um passado remoto do universo, através na análise do espectro luminoso. Essencialmente lidando com a função do espectro da luz, a que os astrofísicos e cosmologistas chamam de redshift, ou alteração do espectro para o vermelho. Para calcular o passado do planeta, somente medindo decaimento radioativo natural existente somente em alguns poucos e determinados elementos químicos. O carbono-14 é o mais conhecido, com meia vida de 5730 anos, perdendo precisão na datação a partir do 70 mil anos. Existindo outros elementos químicos para datações mais longas.

Introdução:
18* Na madrugada de 04/12/2017 a doutora insônia, (como costumo chamá-la), levou-me a continuar a releitura de um livro que eu tinha iniciado dias antes, “A PRIMEIRA E ÚLTIMA LIBERDADE” de Jiddu Krishnamurti, que viveu entre 1895 e 1986. Na realidade, eu li a obra em questão, pela primeira vez em 2001, ela foi prefaciada por Aldous Huxley, prefácio este, que analisaremos primeiro, para assim, podermos aquilatar a interpretação que fez sobre esta obra o famoso escritor e filósofo inglês, que viveu entre 1897 e 1963.

19* Agora sim, dou-me, ou melhor! Damo-nos conta de que, (observem que, nalguns momentos, sigo o estilo de linguagem de Krishnamurti, muitas vezes na segunda pessoa, por sinal, muito elegante), o “Sapiens”; se apega ao tempo obstinadamente, como se este, fosse uma entidade concreta e palpável, ora! a única interação ou ação a que o tempo está sujeito, por parte do “sapiens”, é a mensuração, e de forma imprecisa, isto, quando feita por nossos sentidos. A ciência tem que utilizar recursos tecnológicos avançados para consegui-lo com uma precisão mais acurada.

20* Meu distinto amigo Françu! Considerando que as complexidades serão sempre inerentes às abstrações, e de que, as simplicidades serão sempre inerentes às concretudes! Isto posto! O problema maior da leitura e da interpretação de textos escritos por pensadores que penetram fundo na essência das “coisas” do nosso existir como pensantes! Essências estas, nominadas por Platão e Kant de “noumena”, e que seriam portanto, referentes às abstrações, concernentes assim, às ideias, aos raciocínios abstratos, se abstratos, eles trazem em si, suas inerentes complexidades, visto que as unicidades simplistas estarão sempre ausentes nas abstrações, então, deduz-se de forma unívoca que o fator ubiquista próprio das complexidades estará sempre presentes em todas as abstrações. Estes raciocínios nos levam às duas realidades kantianas que nos dizem: Assuntos “fenomênicos” referentes às coisas concretas, e que são percebidas pelos sentidos, tendem para a simplicidade, e que os assuntos “noumênicos” que são coisas das ideias, das abstrações da mente cognitiva, conforme os dois pensadores, “grego e alemão”; sendo assim, coisas abstratas por si mesmas, elas, tendem para a ubiquidade, portanto, que é inerente às complexidades. Encontrei casualmente um exemplo sofisticado em que me supri de dados num estudo sobre economia encetados pela “Kennedy School of Harvard”, creio, iniciei estes estudos antes de 2009, foi num estudo em que se utilizou para comparação, o reflexo da ubiquidade na complexidade da economia de nações emergentes. E agora a “Kennedy School of Harvard” se envereda pelo mesmo caminho. Foi quando estava escrevendo o ANTITRATADO DE ECONOMIA, num enfoque planetário, postado no Blog agentediz.com.br – o postei em 10 de março de 2013. Podem visita-lo à vontade.

21* Creio eu, filologicamente falando, e não sei se acertadamente! Que os sentidos dos conceitos expressos por palavras e frases destes, ou mesmo de quaisquer pensadores, se alterem dentro das eras, e isto não ocorre somente pela força do diacronismo semântico, que naturalmente molda as línguas dentro de longos ou curtos períodos de tempo. Razão porquê, costumo em todos meus escritos, “informar”, sua passagem pelo planeta, com o sentido de “definir” cronologicamente cada pensador dentro de seu tempo. Temos que nos ater à verdade de que: Os conceitos e sentidos contidos em palavras e frases se alteram sempre! E isto se dá em função da constante mudança do paradigma humano, pois, à medida que o conhecimento da humanidade, se desenvolve e avança, alterando e aumentando, sua visão de mundo, natural que o seu paradigma também se altere com o decorrer do tempo. Óbvio! que o sentido das suas “palavras e frases” se modifiquem também, independendo do natural diacronismo semântico.  Esta é a minha visão sobre o assunto.  

22* Após a “leitura” da essência do que diz Aldous Huxley no seu prefácio, observarás que aqui não analisamos o que diz o pensador inglês sobre a obra em si, pois o que foi dito, é o que se espera de um exórdio, por isso é que me referirei, mais sobre o que ele diz sobre o pensador hindu, e não sobre o que diz sobre a obra, o que seria uma repetição inútil. Após o que, analisaremos alguns tópicos do livro de Jiddu Krishnamurti, diferenciado e maior pensador que viveu no século XX. Neste ensaio, não me proponho a analisar e comentar toda esta obra, pois equivaleria a escrever outro livro, no mínimo, com o mesmo número de páginas! E isto foge da minha alçada, vontade e capacidade, assim, os comentários contidos neste texto, não passarão de singelas tentativas de compreender a essência da obra como um todo! Tentarei estar atento à todas as subjetividades próprias das mentes de um Huxley e de um Krishnamurti, como aqui me aterei somente sobre alguns tópicos, digo, (capítulos), do livro. Embora analise e me refira somente a estes capítulos, independentemente disso! Concentrar-me-ei na essência do pensar krishnamurtiano. Coisa, extremamente fácil de se fazer. Porquanto, atentem para isto! Toda e qualquer dificuldade advinda, será enfrentada por uma mente sutil, e poderá ser vencida se se estiver atento ao que disse Krishnamurti: [... - Estou apenas a ser como um espelho da vossa vida, no qual podeis ver-vos como sois. Depois, podeis deitar fora o espelho; o espelho não é importante -...]. Depois de tudo entendido, e jogado fora o espelho. Tudo! Tudo mesmo! Tornar-se-á claro como o dia mais soalheiro do nosso existir.

23* Meu irmão Françu, aqui trataremos, mas, sem prendermo-nos a quem foi Krishnamurti ou Huxley, essencialmente cuidaremos das essências dos seus falares e pensares. Mesmo porque, suas biografias são facilmente encontráveis na Web, na Wikipédia e noutros “sítios”. (Como sempre, sempre que uso o plural das palavras e das frases, estou me referindo a mim e aos meus diletos e inteligentes leitores, onde você está incluso). Não está em mim, nem é do meu feitio, nem é próprio de mim admitir que: Um “Ser” como “eu”, que alcançou o píncaro da burrice! Possa possuir sequer, um leitor burro, ou um escritor burro como concorrente! Ninguém há de tomar meu espaço! Espaço este, conquistado com extremada burrice, aos trancos e barrancos...

 

24* Não somente nesta obra, mas, podemos dizer! Sem medo de errar que: Toda a vasta obra de Krishnamurti nos leva a questionar nossa visão de mundo. Principalmente e essencialmente a maneira como a humanidade utiliza os símbolos, únicas ferramentas que propicia, permite e leva-a a sua invulgar maneira de como (ela a humanidade), interage com, e interpreta o mundo. Somos a única espécie no planeta que desenvolveu o raciocínio lógico, o pensar! Mas, como podemos ver, em toda a obra de Krishnamurti fica evidenciada a questão maior da humanidade, e do pensamento deste invejável humano! Que logicamente trata do conceito de “o que é o universo” e, de “quem somos nós dentro deste universo”, principalmente, de como interpretamos o mundo. Não gosto de certezas! Pois o mundo é feito de dúvidas! Inda mais depois de Heisenberg! Mas, tenho “certeza” que o paradigma de Krishnamurti a este respeito, difere sem sombra de dúvida do paradigma da maioria das pessoas. (Aqui estou incluindo pessoas de todos os níveis intelectuais). E então, nem somente em função disso, porque também sou obrigado a levar em conta o fato de que, nem todos os prováveis leitores dessas minhas lagartixas, conheçam ou já ouviram falar de sua obra, nem de quem foi Krishnamurti. Veremos que, ao tomarmos conhecimento de quem foi este senhor, embora, o que importa, não seja ele, o (pensador), em si, “conforme pregava ele”, importa somente a sua maneira de interpretar o mundo! E que segundo ele, é impossível ensinar ao homem fazê-lo. Pois, nossa visão de mundo é própria de cada um, estando profundamente enraizada dentro de nós. Isto nos diz que não podemos ensinar ninguém a “ser”, cada um, é. Podemos até transmitir conhecimentos a um “ser”. Mas, cada um é um “ser” de “per se”. Portanto, imutável. Um usual exemplo: Se levarmos um filho de um tribal recém-nascido num ambiente erroneamente chamado de selvagem, e instruí-lo, num ambiente erroneamente chamado de civilizado, aos trinta anos, ele será um doutor, um PhD, um MSc, ou mesmo um Prêmio Nobel. Ao mesmo tempo, se levarmos um filho de um sapiens recém-nascido num ambiente erroneamente chamado de civilizado, para um ambiente erroneamente chamado de selvagem, lá na mãe África, aos trinta anos, ele será um exímio batedor de tambores, não sabendo ler nem escrever, devido à ausência de escrita na língua da tribo. Isto é consequência de um simples fato! Ambos são feitos da mesma cepa! Embora, seres exatamente iguais, mas, possuem “visão ou entendimento do universo de que fazem parte, completamente díspares, inteiramente diversa e unilateral, sendo estritamente pessoal, é cada visão de mundo. Daí, Krishnamurti nos dizer que: - a essência do que nos leva ao “percebimento” está dentro de cada um de nós!  Conhecimento adquirido em escolas e universidades, nada tem a ver com percebimento ou autoconhecimento. Por exemplo: uma pessoa pode ser culta numa área onde poucos o são! E saber que a “enfezação” do planeta demonstrada nos terremotos e nas erupções vulcânicas, são o resultado do movimento das placas tectônicas e das pressões provocada pelo movimento do magma no interior do planeta! Mas, não tem a menor ideia do porquê! Dele, no trânsito, saltar do carro com ganas de matar o motorista que bateu no fundo do seu carro novinho e zero km. E não raramente muitos o fazem, quando se encontram armados convenientemente. Ele por não ter autoconhecimento, não dará aula de geologia por um bom tempo. E seu desafeto que tinha autoconhecimento, mas era “barbeiro”, foi visitar São Pedro antes do tempo. O que chamamos de autoconhecimento, não nos leva a conhecer somente a nós! Mas, conhecer profundamente tudo que nos cerca, toda matéria que nos envolve, e principalmente conhecer nossos semelhantes, pensantes ou não! O que nos faz relacionar melhor com tudo que faz parte de nossa vida, principalmente conosco mesmo e com o universo que nos cerca.

 

 

       Voltemos a Krishnamurti:
25* Um fato a ser considerado, é que este pensador, foi realmente, desde o seu nascimento, uma pessoa invulgar, uma pessoa diferenciada dos padrões comuns dos seres pensantes. E isto torna-se patente e evidenciado, ao tomarmos conhecimento de quais eram os seres que foram seus mais assíduos ouvintes e naturalmente seus leitores! Todo o pensamento de Krishnamurti nos foi transmitido em linguagem simples e de forma mais simples ainda, compreensível, assimilável, e em linguagem, podemos dizer, coloquial e comum, em todas as suas inúmeras conferências proferidas por toda sua vida, nas mais importantes salas de conferências do planeta. Sobretudo, em todos seus livros, que alcança as 58 (cinquenta e oito) obras. A única coisa que posso fazer aqui é dar aspecto pontual às diversas proposições deste, primeiro, único e insubstituível pensador, primeiro e único a propor estas verdades. Verdades estas, que ele dizia não poder transmiti-las aos ouvintes, pelo simples motivo de que elas residiam no interior de cada ouvinte. O problema é que Krishnamurti falava e escrevia sempre para uma plateia de sábios, tais quais: Filósofos, catedráticos das melhores e maiores universidades do mundo, escritores de renome, pensadores, matemáticos, físicos em busca da essência das coisas, a maioria Doutores, com (PhD), (MSc), Prêmio Nobel, etc. Ou seja, a elite pensante do planeta, na época.

26* E eu, coitado de mim, escrevo para meus humildes leitores, embora estes estejam num nível intelectual, muito superior ao meu! Estando no entanto, um pouquinho abaixo do nível dos ouvintes das conferências do pensador hindu. Só não posso avaliar o nível intelectual de seus leitores, pois até o “Equus africanus asinus” consome papel escrito. Sendo óbvio que os seus leitores, (de Krishnamurti), abranjam todas as faixas de conhecimento da humanidade, estando entre estes! Aqueles que leem soletrando como eu! E aqueles que escolhem as melhores edições em qualquer língua em que foi publicada cada obra, ou na edição original, que ainda não sofreu as naturais distorções conceituais próprias das traduções.




Bom! Vamos lá! Isto é, vamos aos comentários...

27* Quem primeiro lê uma obra, naturalmente é quem a escreve, e em segundo lugar, quem a prefacia.

28* Então, vejamos a visão que o renomado e inteligente pensador inglês deixou registrada neste prefácio. O que mais admiro nos filósofos é a lucidez, entendam que esta lucidez de que tanto falo, nada mais seria que a clareza de seus raciocínios, esta, é aqui adotada por Huxley na elaboração dos seus raciocínios! No prefácio, isto salta aos olhos! Logo no início de sua arenga “prefaciatória”, ele vai ao fundo da questão do que seja o homem! Ao nos dizer que o homem é um animal anfíbio, e portanto, ambíguo, que vive simultaneamente em dois mundos. “Primeiro”, o mundo da realidade; da matéria, da vida e da consciência. Em “Segundo”, o mundo dos símbolos, tão maravilhosamente dissecado pelo pai da semiótica, Charles Sanders Peirce, que viveu entre (1839-1914). De forma geral o homem utiliza os símbolos numa miríade de formas, como na linguística, na matemática, na arte pictórica, na música, nas artes em geral e nos rituais etc., sem a invenção dos símbolos, tornar-se-ia muito difícil ou mesmo, impossível desenvolver uma sociedade de pensantes, até mesmo, desenvolver o pensar! Fato que ocorreu de forma continuada desde os primórdios, quando há mais ou menos 300 mil anos o “homo erectus”, sei lá por quais razões! Iniciou a pensar, e ao mesmo tempo a abandonar paulatinamente o instinto, instinto este, principal arma de sua sobrevivência. Ali, ele transformou-se no “homo sapiens”. Naturalmente que só se tornou pensante porque inventou os símbolos para poder se comunicar com seus semelhantes, e não semelhantes! No início, simples símbolos gestuais e tentativas de uma fala, mesmo que rudimentar. Depois é que surgiu a fala elaborada atual! Podemos prever que num futuro não muito distante, a comunicação dos “sapiens” será feita por telepatia, sendo o que nos promete a mecatrônica e a biônica, no futuro, associadas à IA e à genética, principalmente ao fato que o homem é telepata inato. Quem nos alerta e nos oferece esta janela e esperança, é a ressonância mórfica de Rupert Sheldrake. Quando Jiddu se foi ela ainda estava engatinhando. Voltando ao “anfíbio” de Huxley! Embora não sejamos taxonomicamente, classificados como anfíbios! Mas, nós passamos nove meses de nossa curta existência dentro d’água, dentro do líquido amniótico. A lucidez e a sutileza de Huxley transparece de forma clara, ao dizer que somos anfíbios!

29* Aldous Huxley analisa o efeito do uso dos símbolos, e pontua os efeitos positivos e negativos que estes tiveram sobre esta nascente sociedade de animais falantes. Aquele que pensa ou preceitua que o homem atual está atingindo ou atingiu um alto grau de desenvolvimento, está mais próximo do “homo erectus” que do “homo sapiens sapiens”. Huxley nos lembra que os símbolos foram utilizados pelos homens, muito tempo depois, forçosamente e logicamente para moldar o seu sistema político e o seu sistema religioso. Portanto, já depois da escrita! Causas dos percalços por que passou, e que tem passado a raça humana. Ele nos lembra ainda que na linguística, no contexto de política e religião, - “as palavras não são tratadas como representações, mais ou menos inadequadas, de coisas e fatos; ao contrário, coisas e fatos são considerados ilustrações específicas de palavras. A inadequação da escolha dos símbolos, nas mais diversas formas, permanece até hoje, provocando os descalabros na existência da espécie. Aí, eu me pergunto! Que fez a filosofia ao longo dos séculos para corrigir ou mesmo minorar esta escolha? Sendo esta atividade humana, talvez, a única a perceber estas idiossincrasias! E estas, são encontradas à miúde na comunicação entre os “sapiens”. Será! Que somente uma catástrofe que faça desaparecer quase 100% dos falantes seria capaz de equilibrar tal escolha ou adequação errônea de símbolos? Adiante o pensador inglês nos diz textualmente, [... - Nos últimos anos, lógicos e semânticos procederam a uma análise muito meticulosa dos símbolos em função dos quais os homens desenvolvem o pensamento. A linguística tornou-se uma ciência e hoje se pode até estudar a matéria a que o falecido Benjamim Whorf deu o nome de metalinguística. Tudo isso constitui notável contribuição, mas não basta. A lógica, a semântica, a linguística e a meta linguística são puras disciplinas intelectuais.  Analisam as várias maneiras, corretas e incorretas, significativas e não significativas, em que as palavras podem ser relacionadas com coisas, processos e fatos. Mas nenhuma orientação oferecem em referência ao problema fundamental das relações do homem na totalidade psicofísica, de um lado, e com os seus dois mundos, o dos fatos e os dos símbolos, de outro lado...]

30* - Os raciocínios, aqui expostos e analisados por Huxley referem-se simplesmente à mais profunda e notável intelecção de Krishnamurti. Onde nos diz: - A clareza é essencial nos nossos raciocínios! A clareza não resulta da asserção verbal do pensador, ela é oriunda do autopercebimento e do correto pensar, um pensamento correto nunca será fruto do cultivo do intelecto, nem segue ou é resultado de padrão algum! - Ele acrescenta! - Por mais digno e nobre que este seja. Todo pensar correto só poderá advir do autoconhecimento, - o inglês parafraseando o hindu, nos propõe ainda: - “Se não vos compreenderdes, não tereis base para pensar, sem autoconhecimento o que pensais não é o verdadeiro”. – Sendo esta assertiva a pedra angular do pensamento de Krishnamurti.

31* Vamos agora às proposições do hindu de Madanapalle, naturalmente, que não farei uma retrospectiva ou uma análise profunda de todos os 59 capítulos desta sua obra, a eles, “os capítulos”, prefiro chamá-los de “lições. Lições estas, contidas na obra A PRIMEIRA E ÚLTIMA LIBERDADE, sendo a 1ª parte ordenada por números romanos, de I a XXI e, a segunda parte ordenada em arábicos de 1 a 38, perfazendo 59 capítulos. Ao tomarmos conhecimento do que é proposto em toda sua vasta obra! Aqui refiro-me aos 58 livros ou obras. Veremos que este “Ser” de espírito iluminado, e que recebeu aqui na terra, nesta sua encarnação, o nome de: Jiddu Krishnamurti, realmente foi um humano, no mínimo, diferenciado.

32* A 2ª edição da obra aqui em referência, é a da Editora
Cultrix, traduzida por Hugo Veloso.

Aqui dou início aos prolegômenos capitulares:

I - Introdução; página 19
33* Aqui tentarei fazer uma síntese de cada assunto abordado em alguns capítulos da obra em apreço, e nada mais. Naturalmente que seria somente uma síntese do pensamento de Krishnamurti a respeito do tema ali abordado, pensamento este, exposto em cada capítulo.

34*Logo no início da introdução o “hindu por excelência”, nos faz ver que: Mesmo entre pessoas íntimas, é extremamente difícil um perfeito intercâmbio de pensamentos. Palavras ou frases ditas por um interlocutor, podem ter significação diferente para o outro interlocutor, mesmo sendo os dois, nascidos e criados no mesmo país, falando a língua de nascimento e perfeitamente dominada por ambos. Sendo que, só haverá real entendimento entre dois seres, se estes possuírem uma real afeição entre si, como há entre marido e mulher, pais e filhos, algumas vezes entre irmãos e entre amigos íntimos. Aí sim, haverá comunhão de pensamentos, e a compreensão será completa e instantânea, mas assim mesmo, sob a condição de que os interlocutores vivam no mesmo tempo e, possuam o mesmo nível intelectual. Esta verdade é facilmente verificável no entendimento, mesmo coloquial, entre familiares, com idades, graus de cultura, e crenças diferentes.

II – O que estamos buscando?; página 26

35* A respeito do que o homem está buscando, Krishnamurti nos lembra destas questões fundamentais do anseio humano. Os pensamentos e proposições de Krishnamurti nessa área, são coincidentes com os anseios da maioria de nós! Desde quando não sejamos extremados usuários de crenças que cheguem a distorcer nossa razão, ou mesmo, o nosso mais elementar entendimento de nossos anseios. É fácil verificar que, se não todos, pelo menos a maioria de nós, busca a “felicidade” permanente, ou talvez busquemos também a satisfação permanente! E isto nos leva por caminhos ínvios, pois, buscamos coisas que desconhecemos, com certeza não podeis dizer que as conheçais, ninguém pode dizer que conhece Deus, ou a Verdade, ou o que queirais chamar, a razão nos diz, e Krishnamurti também, que não podemos encontrar algo, se não conhecermos ou não soubermos o que é que buscamos.


IV – Autoconhecimento; página 38
36* O procurado “autoconhecimento” é abordado nesta obra em sua mais dura realidade! Como tudo que o hindu faz. Chega a ser desanimador, o hindu nos diz que qualquer um pode criar um sistema para produzir o autoconhecimento, mas, ele observa que deste sistema só sairá um resultado obtido por este sistema. Se seguimos um determinado método de conhecer a nós mesmo, só obteremos um resultado que este método necessariamente produz! Onde o resultado evidentemente não será a compreensão de nós mesmos, o método gerará uma padronização de resultados, porquanto todos nós sabemos, mesmo intuitivamente, que somos seres sem padronização.

VI – A crença; página 50

37* Neste capítulo o hindu, não ataca as crenças, ele as analisa friamente, como tudo que ele faz, ele o faz friamente, não pode haver paixão na análise de um fenômeno montado pela própria existência do “sapiens”. A análise que ele faz da vida, ele o faz sem nenhuma paixão! Segundo o hindu, existe uma simbiose entre crença, conhecimento e desejo.  E onde há um processo de desejo ali está a crença que cremos. E isto, o “sapiens” criou e o faz para alcançar segurança econômica, espiritual e paz interior. Este tema da crença é abordado com extrema propriedade e profundidade por Krishnamurti.

IX – O que é o “Eu”?; página 66
38* Uma abordagem do que seja o “eu”, obviamente sempre será uma digressão polêmica. O “eu” é por si só, abstrato, incognoscível, e talvez, nem todos percebam, ele no fundo, é impessoal, sua personalidade é que é pessoal, embora seja somente a essência de uma pessoa, montada na sua relação com o mundo! Possuindo esta personalidade uma miríade de facetas, ela muda de comportamento a todo instante, salvo por conveniência. Sendo que, o “eu” é tema de difícil análise! O hindu, sobre este complexo tema discorre de maneira sutil, mas completa.

XII O Desejo; página 89
39* Uma das muitas coisas que nos acompanham do princípio ao fim de nossa existência é o desejo. Nunca paramos de desejar. Quando alcançamos o objeto de um desejo, mudamos o foco do desejo para outro objeto, não importa se este objeto seja concreto ou abstrato, “phenomena ou noumena”. Importa que o desejo seja satisfeito. Nos diz o hindu que: [... - Se observo em mim mesmo o processo do desejo, percebo que há sempre um objeto para o qual a mente se dirige, em busca de novas sensações, e que este processo subentende resistência, tentação e disciplina. – ...] No final deste capítulo este pensador nos faz ver que: Quando conseguimos perceber este processo do desejo, ao tornarmo-nos cônscios dele, sem oposição, tentação, resistência, justificativa ou julgamento, iremos descobrir que a mente é capaz de receber o novo, e que o novo nunca é sensação, e então, não pode ser reconhecido, nem reexperimentado. Nos diz o hindu: - Ele é um “estado de ser” no qual a criação se manifesta, sem chamado, sem interferência da memória. Isto é a realidade.

Capítulo XV – O Pensador e o Pensamento; página 92
40* Claro, o segundo é produto do primeiro, não existindo um sem o outro. São como “coisas” dissociadas, mas, não excludentes. Não há separação entre pensador e pensamento, a dissociação é irreal, sendo observados em separado somente pela mente de um segundo pensador. A abordagem que Krishnamurti faz sobre o tema é de uma beleza e profundidade insuspeitada, minha pobre mente crê, (eu não gosto de crenças), assim, eu “afirmo” que o capítulo “O pensador e o Pensamento, seja o preâmbulo, o introito, para o capítulo XVI logo a seguir!

XVI - Pode o Pensamento Resolver os Nossos Problemas?; 
página 94
41* Tenho ao longo do tempo defendido a proposição de que nossos pensamentos não pode, e nunca resolverão os problemas da humanidade, se os pudesse! A Grécia não seria o que é hoje! Nenhuma sociedade no planeta, aqui incluo todo o oriente, pensou mais que o povo grego. Se pensar resolvesse os problemas da humanidade, todo o planeta falaria grego, e na terra só existiria uma nação, a Grécia! Vocês já notaram que eventualmente nomino Jiddu Krishnamurti de o “hindu”, isto decorre do grande respeito que tenho pelo antigo e atual povo da Índia. Essencialmente pelos Mahatmas. Entendam porém! Que Krishnamurti por toda sua vida rejeitou títulos e honrarias, principalmente, a de ser o presidente da Sociedade Teosófica de Adyar na Índia.

42*Tenho como certo que: Qualquer esforço de qualquer amplitude e de qualquer povo no planeta dentro das eras! Para alcançar a absoluta compreensão do que seja o universo, nunca passou de um esforço!!!...

43* Françu! Vamos aos pensares do hindu! A respeito do tema desse capítulo: Farei melhor! Transcrevo “ipsis verbis” um pequeno trecho do capítulo, creio que será o suficiente.
[.. – O pensar não resolveu nossos problemas. Os homens talentosos, os filósofos, os líderes políticos, não resolveram de fato nenhum dos problemas humanos – que são as relações entre vós e outra pessoa, entre vós e mim. Temos, até agora, feito uso da mente, do intelecto, como meio de investigar o problema, esperando, por essa maneira, encontrar uma solução. Pode o pensamento dissolver nossos problemas? O pensamento, salvo quando entregue a pesquisas científicas ou atividades técnicas, não está sempre interessado na auto proteção, na autoperpetuação, sempre condicionado? Sua atividade não é egocêntrica? E pode esse pensamento resolver em algum tempo qualquer dos problemas que o próprio pensamento criou? Pode a mente, que criou os problemas, resolver as coisas que ela mesma produziu? ...] – Jiddu.

XVIII – A Ilusão; página 102
44* Aqui me aterei somente a tripla inquirição:
 O que é a ilusão?
 Em que ela se fundamenta?
 E qual a origem da ilusão?

45* Quantos de nós tem consciência de que estão enganando a si próprios? Antes de alcançarmos a compreensão do que seja e como se origina a ilusão?  Teremos que estarmos cônscios de que estamos enganando a nós mesmos? Sabemos que estamos nos enganando? O hindu ainda nos inquire! – [...Que queremos com estas ilusões? ...] – e segue, nos inquirindo, para nos situar de frente com a ilusão aqui abordada, que nada mais é que a nossa relação com o mundo espiritual e vivencial, sendo o tema extremamente complexo para as mentes habituadas a visão e ao paradigma ocidental científico/mecanicista. A coisa é complexa mesmo, embora sendo da mesma natureza a ilusão em pauta aqui nessa obra, não é a mesma ilusão ou “Maya” do hinduísmo, sempre vista com certas limitações pelos ocidentais, por mais cultos que sejam, (como disse), eles foram criados e educados dentro do paradigma concreto ocidental. Somente para facilitar a separação! Cito: A palavra sânscrita Maya significa nos textos indianos mais antigos, “sabedoria, poder extraordinário, arte, poder sobrenatural etc. Em textos mais recentes a palavra Maya adquiriu outros significados como os de; “ilusão, engano, imagem irreal e também imagem ilusória. Dentro do sistema Sakhya é ligada a natureza Prakti ou como dizem os hindus “Pradhana”, nesse sistema e no Vedanta é considerada como a fonte da maneira como vemos o nosso universo circundante. Portanto, a ilusão aqui abordada por Jiddu difere de “Maya” hinduista, mas, continua sendo uma ilusão, só que nos moldes ocidentais! No hinduísmo ela, “Maya”, é identificada com a deusa “Durga”.

46* Uma verdade daqui, dali, d’agora e d’antanho, sempre será uma verdade, a encontraremos onde formos, ela não muda, nem no espaço, nem no tempo, observe, que aqui só percebemos, observamos e vimos a mudança do paradigma do povo hindu e o efeito do diacronismo semântico nas línguas, (tema tratado anteriormente). Os filósofos gregos, desde os primórdios, perceberam que a verdade seria uma entidade atemporal, universal e eterna.     

XX – Tempo e Transformação, página 111
47* O tempo é matriz de todas as transformações, podendo ser visto sob muitos ângulos e pontos de vista! No entanto, a dicotomia tempo/transformação é indissociável. Somente o tempo pode existir fora dessa dicotomia. Pois, a transformação só se processa dentro do tempo! Assim! O tempo é a própria matriz, e não um elemento ou um efeito como a transformação o é!

48*Todos os seres, que tomarem conhecimento do arrazoado acima, se, seres lógicos, concordarão plenamente com ele, no entanto, nas transformações dos próprios seres, Krishnamurti nos mostra outro caminho, onde a transformação do “Ser” independe do tempo. Ides ler esta beleza de proposição na obra, se a lerdes!

49* AGORA DAMOS INÍCIO A ANÁLISE DA SEGUNDA PARTE DA OBRA...

50* Nesta segunda parte, as abordagens sobre o tema deste livro, que tem o título de: A Primeira e a Última Liberdade, o pensador Krishnamurti numa espécie de “protoautodiálogo”, onde põe em nossa boca uma pergunta! E então, ele mesmo elabora e nos fornece a resposta...

51* Interessante; o título desta obra “A Primeira e a Última Liberdade”, também, poder-se-ia ler assim:  A mais importante ação, e os resultados ou consequências das ações inteligentes dos “Sapiens” sobre seu existir.

52* Jiddu, seus apologistas, e mesmo seus críticos estarão, (espero), completamente concordes com esta minha leitura do título do livro.

Capítulo 1 – Sobre a crise atual; página 125
53* Pergunta: Dizeis que a crise atual é sem precedentes. Em que sentido ela é excepcional?

54* Não é possível situar cronologicamente este capítulo da crise atual, a editora CULTRIX não sei porque, não data a edição do livro! Por esquecimento, ou por outro motivo qualquer! Talvez! Para a edição não perder o poder de venda com o passar do tempo. Bom! Jiddu se foi em 1986, portanto o capítulo sobre a crise atual é anterior a esta data. Muito anterior, ainda temos que levar em conta que Huxley se foi em 1963.  Assim, qualquer assertiva contida nesta obra tem no mínimo 54 anos. Se Jiddu estivesse vivo hoje, em 2017 ele ficaria estarrecido com a explosão e o crescimento exponencial da crise, no entanto, a abordagem que ele faria, hoje só diferiria quanto a maior dimensão da crise atual! Crescimento este, provocado por, entre outras mazelas, o terrorismo e inúmeras outras burrices do homem, o medo das nações do CAOS que célere se aproxima. À medida que o número de enchedores de latrinas aumenta! Parece que o homem instintivamente percebe a proximidade do CAOS, o desespero recrudesce, e a aproximação do mal se faz sentir, pois, a proximidade do fim faz rescender no ar o cheiro da morte! Fazendo a crise se alastrar por todos os países. Nunca o medo esteve tão difundido entre os povos da Terra! O planeta exsuda e rescende de maneira angustiante o cheiro do medo!

55* Nos dias atuais as previsões dos videntes perderam todo o valor!  Todos os homens! Sábios ou tolos, presentem a instabilidade do futuro da sociedade humana, e isto, todos o fazem instintivamente.

56* Neste capítulo, num texto curto, o hindu nos dá mais uma lição de sabedoria, razão e lógica, como nunca se viu numa obra de um pensador nos últimos 28 séculos. A crise que assola o mundo inteiro hoje, é várias vezes maior que a crise vista e que aqui é tratada por Krishnamurti há mais de cinquenta anos. No último parágrafo deste excepcional capítulo sobre a crise, Krishnamurti nos faz ver o seguinte:

57* [... - O ponto a considerar é que, tratando-se de uma crise excepcional, faz-se necessária, para enfrentá-la, uma revolução no pensar; e esta revolução não pode realizar-se por meio de outra pessoa, de um livro, de uma organização. Ela tem que vir através de nós, cada um de nós. Só então poderemos criar uma nova sociedade, uma nova estrutura, longe de todo este horror, longe destas forças extraordinariamente destrutivas, que estão se acumulando, empilhando. E essa transformação se realizará quando vós, como indivíduo, começardes a conhecer-vos em cada pensamento, cada ação, cada sentimento...] -.

Capítulo 2 - Sobre o Nacionalismo; página 127
58* Pergunta: Que virá, quando desaparecer o nacionalismo?

59* Neste capítulo, Krishnamurti aborda com seriedade e sem rebuços o tema “nacionalismo”! Um dos grandes males da sociedade humana, e isto em todos os tempos da sua história escrita, e que tem levado milhões de humanos, à morte, durante milênios! Eu, particularmente, creio que o assunto é claro, mas, que seria melhor compreendido, da maneira como foi abordado pelo Krishnamurti, e sob sua perspectiva, infensa aos dogmatismos e crenças sociais dos povos! Aqui, só farei uma pequena transcrição do texto final, [... – O nacionalismo, com seu veneno, suas misérias e a luta que provoca no mundo, só desaparecerá quando houver inteligência, que não nasce do simples fato de passarmos em exames e estudarmos livros. A inteligência nasce quando compreendemos os problemas, à medida que surgem.  Quando há compreensão do problema, nos seus diferentes níveis, não só no aspecto exterior, mas também nos aspectos interiores, psicológicos, então, nesse processo, surge a inteligência. Assim quando houver inteligência, não haverá mais substituições; e quando houver inteligência desaparecerá o nacionalismo, o patriotismo, que é uma forma de estultícia...] – A maioria dos humanos, (a manada), não tiveram sua personalidade moldada para compreender o tema por este ângulo.

Capítulo 4 – Sobre o Conhecimento; página 132
60* A pergunta: Do que dizeis, concluo claramente que a cultura e o saber são empecilhos. Empecilhos a quê?

61* Será necessário somente umas poucas palavras do pensador para nos inteirarmos de suas razões! No início do texto ele nos diz: [... – Para a maioria de nós o saber e a cultura se tornaram uma paixão, e pensamos que o saber nos fará criadores. A mente que está abarrotada de fatos, de conhecimentos, será capaz de receber qualquer coisa nova, inesperada, espontânea? Se a vossa mente está repleta do conhecido, haverá espaço para receber alguma coisa procedente do desconhecido? Não há dúvida que o saber se refere sempre ao conhecido e com o conhecido tentamos compreender o desconhecido, essa coisa que ultrapassa todas as medidas - ...].

Capítulo 13 – O ódio; página 161
62* A pergunta: Para ser perfeitamente sincero, devo admitir que sinto ressentimento e, às vezes, ódio, contra quase todo o mundo. Isto me torna a vida muito infeliz e dolorosa. Compreendo intelectualmente que sou o ressentimento, o ódio; mas sou incapaz de reagir contra ele. Podeis indicar-me uma forma de proceder?

63* As análises dos sentimentos humanos, óbvio, serão sempre feitas por humanos! Aqui, como em todos os capítulos desta segunda parte do livro, teremos que levar em conta, claro, que as perguntas de cada capítulo nos foi proposta pelo hindu, como se fossem elaborados por nós os leitores, portanto, não podemos entender estas perguntas como se fossem feitas pelo pensador, mas sim! Que ele as elaborou como tivessem sido feitas por cada um dos leitores, para dar sentido ao que ele tinha escrito, ou ia escrever, sobre o tema de cada capítulo.  Assim, não as podemos tomar como se fossem, confissões, dúvidas, posturas, perspectivas ou mesmo um paradigmas do hindu! Ainda que algumas perguntas nos pareçam feitas pelo hindu, não as podemos tomar como tal. E não tomem estas explanações como uma defesa que faço do hindu! Impossível acusar o não acusável... Seria a mesma coisa que tentar salvar do perecer o imperecível.

64* O hindu nos faz ver com grande acerto e lógica, que o ódio é gerado nos humanos por um algo, por uma alguma coisa, esta coisa é identificada pelo pensador como sendo um sentimento que nos causa (perturbação), este sentimento nominado por ele de ressentimento, pode ser percebido e identificado por qualquer um “sapiens” de forma muito fácil. Observe o que sentis quando um pedinte vos aborda diretamente, ou somente vos estende a mão a pedir uns níqueis! O que sentis imediatamente? Comiseração, dó, pena, angústia pela situação do pedinte! Não! O que sentis é ressentimento! Isto, e somente isto, sejamos sinceros, e por que sentimos este ressentimentos? Ora! Meus irmãos de jornada nesta curta existência, o pedinte sem querer, diante de todos os presentes e ausentes, e de nós mesmos, um pedinte a nos pedir, desnuda nossa mesquinhez como pessoas, (mesquinhas que somos), não há desculpas, mesmo as pessoas que despendem grandes somas ajudando entidades filantrópicas e aos amigos, nestes momentos são mesquinhas, qualquer coisa que faça cair nossa máscara! Nos perturba. Não somente neste caso, o desnudar da máscara gera o sentimento nominado de perturbação, que gera o ressentimento, este gera um sentimento danoso, em seus vários graus! O ódio, a raiva, e em seu grau mais elevado, a cólera, a ordem é essa! Perturbação, ressentimento, ódio, raiva, e cólera.

Capítulo 17 – A memória; página 175
65* A pergunta: A memória, dizeis, é experiência incompleta. Tenho lembranças e impressões muito vívidas de vossas palestras anteriores. Em que sentido isto é experiência incompleta? Tende a bondade de explicar esta ideia minuciosamente.

66* As memórias que Krishnamurti inteligentemente “separa” e denomina de memória de fatos, e portanto fenomênica, e de memória psicológica como sendo noumênica. A moderna “neuropsicologia” as denominam de, memória explícita, a de fatos, e de memória implícita a psicológica. Devido à complexidade do tema “memória”, julgo necessário somente recomendar aos leitores, atenção redobrada a este capítulo. O tema é muito interessante. Desde quando o “sapiens” não existiria sem sua memória! Isto é o bastante para tornar este capítulo extremamente interessante, dispensando outros comentários.  
  
Capítulo 21 – O sexo; página 187
67* A pergunta: Conhecemos o sexo como uma inelutável necessidade física e psicológica. E ele me parece ser a causa fundamental do caos, na vida privada da presente geração. Como podemos lidar com este problema?

68* A vasta complexidade/simplicidade de tudo que nos rodeia e que faz parte de nossas vidas, e que pudemos de forma muito imprecisa, até hoje, compreender e conhecer, não nos explica o porquê de que tudo que tocamos se torna um problema, a abordagem do hindu sobre isso, o problema e o sexo, é extremamente complexa, a questão central dos problemas da existência, inclusive os do sexo, tem origem em como tratamos nossas mentes, e a maioria não vai entender o ponto de vista do hindu. Segundo ele: [... – O sexo se torna um problema sobremodo difícil e complexo porque não compreendeis a mente que pensa a respeito do problema -...]. Adiante ele completa nos dizendo: [... – Logo, o problema do sexo, que tortura tanta gente, no mundo inteiro, não será resolvido enquanto a mente não for compreendida - ...]. Daí! Adviria a dificuldade para, e de compreendermos os problemas do sexo, todos eles advindos da “não compreensão” da nossa mente, ele completa a pergunta com esta inquirição: Como podemos lidar com este problema? Ao que ele num momento nos diz: [... – O ato em si nunca pode ser um problema, mas o pensamento referente ao ato cria o problema. O ato, vós o salvaguardais; viveis licenciosamente, ou soltais as rédeas aos vossos apetites no matrimônio, fazendo de vossa esposa uma prostituta, o que é tudo aparentemente muito respeitável e ficais satisfeitos em deixar as coisas como estão. O problema naturalmente só poderá ser resolvido quando compreenderdes todo o processo e toda a estrutura do “eu” e do “meu”: minha esposa, meu filho, minha propriedade, meu carro, meu preenchimento, meu êxito. Enquanto não compreenderdes e dissolverdes tudo isso, o sexo permanecerá um problema ... ] – O tema por si mesmo é extremamente complexo, e mesmo lendo todo o capítulo 21 não solucionaremos o problema do sexo, como nos diz Krishnamurti:  [ ... -  se não compreenderdes vossa mente - ...].

69* Encerraremos estes falares, prolegômenos ou lagartixas, com algumas palavras sobre o capítulo 36º

70* Num mundo, que considero feito de dúvidas! Nada mais natural e corriqueiro para se encontrar seria um número muito grande de perguntas sem respostas, no entanto neste 36º capítulo, ele nos dá a sua resposta de forma belíssima para qual seja o sentido da vida...

71*O hindu de nascimento, mas, sendo cidadão do mundo por sua própria formação espiritual, a maneira como ele enfoca o seríssimo problema do nacionalismo, nos diz isto, Krishnamurti, nasceu, viveu e morreu como cidadão planetário. Ele nos transmitiu a sublime verdade de que o nacionalismo seria um dos maiores problemas da humanidade. O nacionalismo gera o ódio, o desamor e o desentendimento entre os povos, consequentemente, afasta do homem o verdadeiro sentido da vida.

72* Assim, eis a resposta de Krishnamurti à inquirição do capítulo 36 sobre qual seria o significado da vida, eis aqui “ipsis litteris” a sua transcrição:

Capítulo 36 – O significado da vida; página 230
73* A pergunta: vivemos, mas não sabemos por quê. Para muitos de nós, a vida parece não ter significação. Podeis dizer-nos qual é a significação da vida?

Krishnamurti:
74* [... - Por que fazeis esta pergunta? Por que me pedis que vos diga qual é o significado da vida, a finalidade da vida? O que entendemos por vida? A vida tem significado, finalidade? Viver não é em si, a própria finalidade? Por que desejamos mais? Sentimo-nos tão insatisfeitos com a vida, nossa vida é tão vazia e insípida, é tão monótono fazer a mesma coisa sempre e sempre, que desejamos mais, desejamos algo que esteja acima das coisas que fazemos. Sendo nossa vida diária tão vazia, tão monótona, tão insignificante, tão enfadonha tão intoleravelmente estúpida, dizemos que a vida deve ter uma significação mais rica. Aí está por que fazeis esta pergunta. Por certo, o homem que vive em plenitude, o homem que vê as coisas como são e se contenta com o que tem, não é confuso, é esclarecido e, por conseguinte, não pergunta qual é a finalidade da vida. Para ele, o próprio viver é o começo e o fim. Nossa dificuldade resulta de que, ao percebermos quanto é vazia nossa vida, queremos dar-lhe uma finalidade e por ela lutar. Tal finalidade para a vida só pode ser um mero produto intelectual, sem realidade alguma. Quando a finalidade da vida é procurada pela mente estúpida, pela mente embotada, por um coração vazio, essa finalidade há de ser, também, vazia. Nosso objetivo, portanto, é de tornar a vida rica, não de dinheiro, etc., mas interiormente rica, o que em si nada tem de misterioso. Se dizeis que a finalidade da vida é ser feliz, que a finalidade da vida é achar a Deus, não há dúvida de que esse desejo de achar a Deus é uma fuga da vida, e vosso Deus apenas uma coisa conhecida. Só podemos encaminhar-nos para um objetivo que conhecemos; se construís uma escadaria para a coisa a que chamais Deus, essa coisa por certo não é Deus. A realidade só pode ser compreendida quando se vive, não quando se foge. Buscando uma finalidade para a vida, estais realmente fugindo e não sabeis o que é a vida. A vida é relações, a vida é ação, nas relações. Se não compreendo as relações, ou se vejo confusas as relações, procuro um significado mais rico. Por que são tão vazias nossas vidas? Por que estamos tão sós, tão frustrados? Porque nunca nos examinamos interiormente, para nos compreendermos. Nunca admitimos para nós mesmos que, só existe esta vida que conhecemos e que, por conseguinte. Ela precisa ser compreendida, plena e completamente. Preferimos fugir de nós mesmos e por isso buscamos a finalidade da vida, separadamente das relações. Se começarmos por compreender a ação, que são nossas relações com as pessoas, com a propriedade, com as crenças e as ideias, veremos que as relações trazem sua recompensa própria. Pode-se achar o amor, procurando-o? O amor não é cultivável. Só encontrareis o amor nas relações, e não fora das relações. Porque não temos amor, desejamos uma finalidade para a vida. Quando há amor, que é sua própria eternidade, não há mais a busca de Deus, porque o amor é Deus.  

75* Porque as nossas mentes estão cheias de conhecimento técnico e de murmúrios supersticiosos, achamos vazias nossas vidas e buscamos uma finalidade fora de nós mesmos. Para encontrar a finalidade da vida, temos de transpor a porta de nós mesmos; consciente ou inconscientemente, evitamos enfrentar as coisas como são em si mesmas, e por isso queremos que Deus nos abra uma porta, que está além. A pergunta sobre qual é a finalidade da vida só pode ser feito pelos que não amam. O amor só pode ser encontrado na ação, que são as relações. - ...]

76* Com a transcrição, deste curto texto, pleno de verdades irretorquíveis e incontestáveis! Pasmo, quedo e mudo, me questiono e pergunto ao mundo!


77* De onde veio! E de que tamanho é a burrice que sapateia, domina, controla, acicata, subjuga, escraviza e comanda soberanamente esta humanidade doentia! Que se comporta como uma imensa manada?



Charles W. Leadbeater (1847-1934) o descobridor de Jiddu Krishnamurti,
 em 1909.

O jovem Jiddu Krishnamurti (1895-1986).
Adotado e preparado pela Sociedade
Teosófica para ser o instrutor do Mundo.















Imagem de Jiddu Krishnamurti, já em idade avançada
e, sua frase famosa.



Humilde e amorosamente,

Mas, é bom se lembrar que estes ensaios são meus, e eu utilizo-os como melhor me aprouver.

Edimilson Santos Silva Movér
Camaçari-Bahia
30 de dezembro de 2017
77-99197 9768

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