segunda-feira, 30 de julho de 2018

A TRANSDUÇAO DE FORÇAS NO (FIM/INÍCIO) - ENSAIO



DA SÉRIE: ENSAIOS QUE NOS LEVAM A PENSAR
Subsérie: Estudos cosmológicos heurísticos

Capítulo 01 da obra “O ser e o existir”

A TRANSDUÇAO DE FORÇAS NO (FIM/INÍCIO)

1* Tomo por princípio básico, o fato de que existe estreita relação (tudo/nada), ou transdução da multiplicidade para a unicidade e (fim/início), ou transdução da unicidade para a multiplicidade. Assim, houve dentro do mesmo tempo e do mesmo espaço, dois sentidos nas transformações compreendidas como convergências e divergências dinâmicas das energias na aproximação para o aniquilamento na singularidade e no retorno ao estado de formação do universo material, ou renormalização, ocorrida 380 mil anos após o Big-Bang. Esta verdade será analisada e pretensamente demonstrada de forma axiomática no decorrer desta apreciação sobre o início e o uno.
No princípio era o nada em sua acepção mais absoluta, onde o “tudo” estava confinado na singularidade do existir do Cosmos. Na expressão “o início e o uno” as transduções destas energias estão fundamentadas na expectativa da astrofísica e da cosmologia de que todo início pressupõe um estado “uno” e de que todo fim pressupõe o encontro final da soma do todo, portanto a transformação do “todo” em uma energia compacta contendo o todo da energia expandida (Cosmos), que tenderá no futuro (após a fase conhecida como singularidade), a se transformar parte em matéria, (por sinal muito pouco +/- 4%) Em oposição ou, em outras palavras, o início configura a transdução de toda energia do universo em estado negativo para uma nova energia com valência positiva. É de difícil entendimento o conceito de um universo em singularidade, a nulidade de toda energia constante no universo material contido num ponto infinitesimal, segundo a física; ponto este menor que o núcleo de um átomo, este conceito do nada absoluto dificilmente tem forma conceptual no nosso universo existencial, sobretudo tridimensional.

2* Isto é mais facilmente concebível como um conceito matemático, mesmo assim de dificílimo entendimento, o nada absoluto nos assombra e nos confunde, porque seria a negação do próprio conceito de ser e do princípio primeiro do próprio universo, que seria sua materialidade! Que por si mesmo requer um parâmetro material e existencial para se conceituar e expressar. Tanto é que: mesmo os físicos que conceberam a singularidade sempre tiveram dificuldade para demonstrá-la e sobre tudo crer de forma insofismável nesta abstração matemática, mesmo a filosofia sempre relutará em admitir este conceito sob pena de crer e pregar a negação de si própria, invalidando mais uma vez o “cogito ergo sun” de Descartes. Por quase três séculos prevaleceu o conceito mecanicista/determinístico de universo, este conceito de mundo chamado paradigma laplaciano, newtoniano, cartesiano vem sendo paulatinamente desmontado, isto desde Maxwell e Planck com a compreensão dos campos eletromagnéticos e dos pacotes de energia ou “quanta”. A física quântica muito tem contribuído nestes últimos cem anos para a formação de um conceito holístico do universo em que vivemos.
  
3* No entanto, a despeito do novo mundo quântico, os físicos teóricos e os matemáticos se valem dos conceitos criados por eles mesmos (como defesa de suas colocações) assumindo que a matéria tem valor positivo e a gravitação como tendo valor negativo; assim, toda a gravidade existente no universo é considerada como uma energia de valor negativo e como compensação, toda a matéria existente é considerada como energia de valor positivo, então estes valores se equivalem em sua soma algébrica em que eles se anulam permitindo matematicamente a existência de um estado de singularidade no fim/início do universo. A dificuldade para a mentalização desses conceito do "nada" existente na singularidade é provocado pelo conceito irreversível e tridimensional de nossa existência. Com estas conceituações matemáticas tidas como reais é possível visualizar um universo cíclico, singularizante e eterno, a teorização de tais, e de outros conceitos vem permitindo aos filósofos e aos físico-matemáticos criar modelos teóricos das mais disparatadas formas de universos conceituais; dos mais críveis aos mais incríveis. A única dúvida que encontrei nestes estudos é o postulado da incoerência do (Não tempo), resultante da ausência de “movimento” num estado de absoluta imaterialidade dentro de uma singularidade. Uma singularidade assume a inexistência de matéria, portanto sem “movimento”, o obviamente sem o ente “tempo”, que seria a medida dinâmica desse movimento inexistente! E como ficamos? 

Transcrevo adiante alguns conceitos físico-filosóficos do fim/início constantes na quarta visão descrita no (O Universo atemporal) da obra “Os três insights”.

             A ATEMPORALIDADE NO UNIVERSO
4* O Universo que nós habitamos tem a descrição do seu começo, meio e fim feita da forma mais simples possível, na realidade só a interpretação matemática cria a complexidade nos eventos que descrevem o iniciar do Universo, a sua existência e o seu final. Nossa matemática nunca conseguirá descrever ou interpretar com precisão e minúcia, nenhuma destas três fases. Principalmente o fim/início, pois estas são fases atípicas e atemporais. 

            O FIM/INÍCIO, SOB O ENFOQUE DA CIÊNCIA.
5* Quando citei a abordagem de Hawking “sobre a origem e destino do Universo”, me esqueci de chamar vossa atenção para o fato de que o livro de Hawking foi escrito em 1988. Nesta data a astrofísica ainda considerava a expansão do Universo como em fase de desaceleração, quando hoje no ano de 2003, admite-se este movimento como em fase de acentuada e progressiva aceleração, embora sem a poder explicar. Isto se dará quando a ciência compreender o que seja o duplo escuro, a “energia e a matéria escura”. Veja o capítulo (O ENÍGMA DA VELOCIDADE DAS GALÁXIAS, Universo Reverso pág. 11) No mais os parâmetros ainda são os mesmos, principalmente os valores da energia do Universo que continua sendo considerada igual a (zero), pois a física, como disse, admite a energia gravitacional como negativa, e a energia da matéria como positiva, motivo pelo qual a soma da energia total do Universo é igual a (zero). A única condição exigida para o confinamento de todo o Universo numa singularidade é: que a soma de toda a energia do Universo tenha valor nulo. Daí a validade do conceito de uma singularidade no Universo. É interessante observar que a ciência considera não existente, ou não analisável, qualquer evento anterior à singularidade. A metafísica não aceita, obviamente a validade desta postura, nem poderia...

             A  REINVERSÃO GRAVITACIONAL OU (BIG-BANG)?
6* Recordemos sequencialmente os fatos: a duração dos eventos na singularidade após o Big-Crunch foi de fração de bilionésimos de segundo, os mais importantes fenômenos ocorridos foram a inversão da seta gravitacional, e o conseqüente início da inflação instantânea, como uma grande explosão silenciosa, gerando uma infinidade de pequenas esferas em direção e no sentido radial, este movimento foi acompanhado do crescimento dessas esferas, que se transformariam em bilhões de outras pequenas esferas contidas nas esferas maiores, a que chamei de protogaláxias primitivas. Durante estes ultra-rápidos bilionésimos de segundo de duração, no estado “primordial” do Universo como uma (singularidade) ocorrem inúmeros e estranhos fenômenos. Destes fenômenos o mais importante é a “definição” e conseqüente separação da matéria que se forma em dois padrões e frações distintas, sendo uma pequeníssima fração em matéria aglutinada na parte mais externa do Universo inflacionário esférico que representa a matéria massiva, de que em última instância somos constituídos, nós, e o nosso Universo. Por ter sido formada em primeiro lugar a frente da expansão, tornou-se a parte massiva mais externa da esfera da inflação. A outra fração (quase cem por cento), como matéria não aglutinada (isto por condicionantes quânticas), transformou-se no que denominamos de matéria e energia escura. Após a segunda inversão ou o “Big-Bang” quando retorna a atração gravitacional foi que esta fração maior ficou definitivamente contida próximo ao centro da grande esfera, sendo que a fração menor continuou sua trajetória em forma de expansão radial para o espaço exterior, para num futuro distante ser frenada e recapturada pela atração gravitacional da grande massa de matéria escura contida na segunda esfera, próximo ao centro do Universo. Foi após o Big-Bang que decorreram os tão falados (trezentos mil anos), tempos da formação do universo material. Como os físicos não podem utilizar a matemática para analisar o Universo em seu estado anterior à singularidade, as abordagens metafísicas sempre prevalecerão, ( na realidade a ciência nem considera a cosmologia como uma ciência). Estas abordagens podem ser feitas indistintamente, por físicos teóricos ou por metafísicos, o importante é a teorização, não importa o grau de acerto, sempre será uma análise metafísica. O ser humano sempre teorizará! A busca nunca terminará!... Com a ajuda de “eus exteriores” ou não, uma teoria metafísica nunca poderá ser efetivamente comprovada.

              COMO INTERAGIMOS COMO PARTÍCULAS DO UNIVERSO,   
              (COSMOS), COM RELAÇÃO AO HOLISMO E A UNICIDADE  
              DO INCONSCIENTE COLETIVO DE JUNG
7* Nos abismos do inconsciente coletivo dos Seres sencientes existe uma infindável procissão de respostas numa marcha impressionante! Prontas para atenderem prontamente às nossas inquirições. A única dificuldade para obter-se as respostas corretas são justamente as fórmulas utilizadas na elaboração das perguntas (se consistentes ou não), isto, com as respostas conjuntamente elaboradas com as inquirições. No nosso universo que é um universo feito de dúvidas, todas as dúvidas serão elucidadas e compostas por perguntas e respostas elaboradas simultaneamente. Tudo no existir obedece ao princípio da não exclusão dos opostos, não se faz nenhuma pergunta sem que se elabore primeiramente sua resposta, da mesma forma é impossível pensar em uma resposta sem que tenha sido feita com antecedência uma pergunta. Isto quer dizer que as duas entidades são não excludentes, isto é, nenhuma das duas pode existir isoladamente. Ao pré-supormos um questionamento criamos automaticamente sua solução. A real dificuldade é encontrar o caminho para se chegar a esta solução, normalmente o inconsciente coletivo propaga as inquirições a múltiplos setores afetos a estas mesmas inquirições, que são setores afetos às atividades concernentes aos assuntos correlatos às perquirições! Daí, ser comum as descobertas de respostas simultâneas, dadas por mentes de “Seres” distintos e normalmente afastados entre si. Ora! Se as respostas já estão prontas, e se as mentes se interconectam! Mentes distintas podem chegar a resultados semelhantes em lugares e tempos distintos. Para perguntas consistentes, respostas consistentes. Para perguntas inconsistentes, resultados inconsistentes...

8* É por isto que se afirma! Cada questionamento trás em si a metade de sua solução. Mas, somente a metade! No desenvolvimento da humanidade, em especial na descoberta de fatos científicos, (de qualquer magnitude) é comum ocorrências de resultados e múltiplas coincidências simultâneas no tempo e no espaço, a que Carl Jung e Einstein conjuntamente estudaram e denominaram de “sincronicidade”. A ciência da lógica “por excelência” criada pelo filósofo e lógico norte-americano Charles Sanders Peirce denominada de “Semiótica”, a reconhece como a conectividade das mentes, que ao interagirem entre si unem os dois mundos (micro e macro). Fazendo com que as mentes interajam diretamente com a matéria, tendo sido exaustivamente comprovada a interferência da mente humana nos experimentos quânticos. Unindo de maneira inquestionável as mentes ao universo. É a prova e o reconhecimento definitivo da unicidade do Cosmos. É o reconhecimento da integração definitiva “holística” em toda sua amplitude ou potencialidade do “Ser” com o universo.

10* Nunca entendi, nem aceitei a idade do universo como sendo de 13,7 Ga. Recentemente alguns físicos da NASA recalculou-a para algo em torno de 176 Giga anos. Setembro de 2009.


Edimilson Santos Silva - Movér
Maio de 2006
Revisto em setembro de 2012

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