terça-feira, 31 de julho de 2018

ALUCINAÇÕES - POESIA



              ALUCINAÇÕES 

                                     
Ao ouvirdes os lancinantes gritos das almas bestiais!
Voando sobre os penhascos abissais!
Tudo se finda ali, não retornarás jamais!
Chegando nas portas do maldito inferno de Dante!
Deixai “cá fora” toda a esperança, ó vós que entrais!


Campinas ao longe
Sinuosas e verdejantes!
Espíritos loucos como as Harpias de Dante
Perseguem-me sempre em vôos rasantes.
Para defender-me, faço um esforço imenso
Para voar acima dos altos muros das heras
A nos separar!
Multidões loucas a gritar quais feras!
Visões do inferno de Dante a me atormentar!
Sonhos infernais!
Lobos vorazes a uivar distante,
Harpias malditas a voar zunindo
De mim vos afastais!
Visões loucas de Zaratustra
Sempre sorrindo!
Não me atormentais...
Carregando um morto, para não o enterrar!
Dizia Nietzsche! Os poetas mentem em demasia!
Não! Só isso, Nietzsche, os poetas são sonhadores,
Loucos, e inconsequentes contumazes,
Pois vivem exclusivamente de amores!
Na minha louca visão, plena de fantasia,
Sempre perseguido por monstros vorazes,
Visões trementes no voar tronante pelos despenhadeiros,
Monstros que escancaram as bocas pra me estraçalhar!
Esforço imenso para subir aos cimos derradeiros,
Asas em fogo a me encurralar!
Passar entre muros apertados, asfixiantes,
Odores de pólvora, fogo, enxofre, fedor inaudito e imundo,
A me sufocar!
Tentem! Fugir do abismo!
Fujam deste inferno almas penadas, pois já não consigo escapar...
Rezai! O catecismo...
Não vejo mais as minhas campinas,
Campinas distantes, sinuosas e verdejantes!
Já não as alcanço mais...
Peço em prantos, loucas visões minhas, não perdurais...
Ora é uma campina plana, ora são fossas abissais!
Harpias malditas, não me esquartejais...
Loucos sonhos meus! 
Nestes espaços infernais!
O inferno de Dante é um festival
Se com o meu inferno, vós o comparais!


Loucas fantasias dos loucos sonhos meus!

Vitória da Conquista, Ba.  - 25 de fevereiro de 2007
Edimilson Santos Silva Movér

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