segunda-feira, 30 de julho de 2018

ANTELÓQUIO AOS TRÊS INSIGHTS - PROSA



DA SÉRIE: ENSAIOS QUE NOS LEVAM A PENSAR
Subsérie: Prefácio ao "Os Três Insights" 

O que foi; isso é o que há de ser;

e o que se fez, isso se fará; de modo que
nada há de novo debaixo do Sol. Ecles. 1,9


ANTELÓQUIO AOS TRÊS INSIGHTS

1* Estas palavras iniciais são, talvez, desnecessárias, tentando explicar o inexplicável, ou justificar o injustificável. Alguns fatos adiante relatados foram revelados contra a minha vontade. (É tudo o que posso dizer).

            OS MISTÉRIOS DO RIACHO DA MONTANHA
2* As experiências que doravante vos serão relatadas são como as águas do riacho da montanha, por vezes serenas, límpidas, tépidas e, sobretudo, cristalinas. Tua visão irá, com facilidade, ao fundo do seu leito e verás todos os seus mistérios; aí, então, perceberás e entenderás tudo. Lembra-te: quanto mais te aproximardes da nascente, mais límpidas serão as águas do riacho da montanha. No momento que notardes que as águas se tornaram turvas e turbulentas é que o tempo e o ímpeto das  águas das monções chegaram! Aí, teu entendimento falhará e dirás: não vejo mais o fundo do meu riacho cristalino. Não desanimes! As monções não são eternas; adiante encontrarás as mesmas águas de antanho. São as águas das monções que tornam os riachos da montanha perenes, eternos e, assim, por vezes cristalinos. Só conhecerá e entenderá todos os mistérios do riacho da montanha aquele que seguir todo o seu curso. Ao seguir o curso do riacho da montanha, perscrute os pequenos afluentes que nascem de dentro de ti, bem no recôndito de tua alma, então chegarás às portas de entrada do Pottala. Aí então é só entrar e ser capaz de querer e  dizer: agora tenho uma  visão cósmica do Universo em que vivo. Ou voltar, e seguir o curso de outro riacho da montanha. Há muitos riachos da montanha, com a mesma quantidade de mistérios. Ou podes, quem sabe, passar ao largo; tudo na vida depende única e exclusivamente do ato de querer. Toda potencialidade do “Existir” reside no “quaerere”.

             O FATOR CRONOLÓGICO
3* Dar forma ordenada e cronológica aos fatos descritos nos três “insights” e ao relatado a seguir, tiraria a naturalidade da narrativa. Assim não pude e não quis ordenar os fatos, que seguem como foram rememorados. Este tipo de procedimento traz em si, naturalmente, alguma, ou mesmo muita redundância, o que é notado, sobremodo, no relato dos três “insights”, em que não foi abordado nem um por cento dos fatos registrados em minha “memória”. Supondo que assim fique muito mais precisa a descrição de uma visão ou ocorrência como esta, extremamente complexa, assim optei por não dar uma seqüência encadeada para a narrativa, deixando-a correr solta, conforme rememorava os fatos. Com certeza, é muito mais gostoso de ler, pois a cada novo tópico, uma nova surpresa. Concatenar os relatos e criar uma ordem dedutiva lógica para o conjunto é um exercício para a mente racional de cada um. Em função do que, só perceberá e entenderá tudo quem seguir todo o curso do riacho da montanha, da foz até a nascente. Repito; se necessário refaça o percurso, até que descubra e entenda todos os mistérios do riacho da montanha. Aquele que chegar à nascente desvendará o maior dos mistérios do riacho da montanha, no entanto só irá entender este mistério aquele que lavar os olhos com as águas de todas as curvas do riacho da montanha. Nada é fácil na vida; assim, você deverá seguir o riacho e subir a montanha. Impossível descer, mesmo um pequeno monte, sem antes ter que o subir.

(TRÊS MADRUGADAS REVELADORAS)
4* A totalidade dos conceitos e das idéias no que concerne à forma e ao dinamismo do Universo e que são abordados neste singelo relato me vieram à mente em três ocasiões distintas e da maneira a mais inusitada possível. Não posso precisar se foram intuições, visões, revelações ou se mesmo alucinações. Mas em nenhuma das três vezes em que vi estas imagens ou tive estas visões do Cosmos pude, pela manhã, saber se estava acordado ou adormecido. As idéias que me foram transmitidas eram complexas e difíceis de serem entendidas ou “mentalizadas”, no entanto até hoje tenho completa e precisa memória de tudo que vi. Sonhos é que não foram! O que mais me intrigava era o estado em que eu ficava durante alguns dias após os “insights”; em relação à minha percepção sensorial, eu ficava parecendo um “ET”. Tenho sessenta anos, uso óculos com grau 2,75 e tenho problemas com a audição, mas nestes dias os meus sentidos funcionavam a 200%. Aos poucos, esta hiper-sensibilidade sensorial desaparecia completamente, este fato nunca pude explicar a mim mesmo! Estou convencido de que nunca o conseguirei. A maior parte dos “insights” eram somente visões, com uma clareza e uma grandiosidade sem par. Algumas destas visões deslumbrantes eram acompanhadas de diálogos; adiante tentarei explicar estes diálogos, que eram como se fossem monólogos. Como estas visões tinham relação com a ciência do Cosmos, eu as denominei de ”insights”, pois só mesmo um "insight" conseguiria revelar algum segredo maior do Universo.

A NOVA VISÃO
5* As ilações que tirardes desses conceitos e dessas idéias serão somadas com o entendimento que tendes do teu mundo ou universo pessoal, e resultarão na tua nova visão cósmica do Universo. Se necessário, perscruta o fundo do riacho da montanha, da foz à nascente, quantas vezes for conveniente ou necessário, e então, entenderás a lógica do princípio antrópico, quando então compreenderás a verdade e a simplicidade do “porque” de serdes a entidade principal de teu Universo cósmico (e pessoal). Em outras palavras, o Universo que te cerca é moldado por, (e é fruto de), teu entendimento. Simplificando mais ainda, o teu Universo é tu mesmo. Ou de forma mais abrangente, o Universo (assim como tu o percebes) só existe porque estás presente. Ou conforme Spinoza (Proposição XIII, Parte II) (O objeto da ideia constitutiva da alma humana é o corpo, isto é, certo modo da extensão existente em ato e nada mais). (Corolário da Proposição XIII, Parte II) (Segue-se daí que o homem consiste em alma e corpo e que o corpo humano existe conforme o sentimento que temos dele.). O mesmo se aplica ao teu Universo, e, por conseqüência, ao Universo de todos nós.

(A NORA TEMEROSA)
6* Não sei por que fui o escolhido! Com parcos conhecimentos na área de Cosmologia, no entanto não completamente destituído destes conhecimentos, talvez um PhD na área distorcesse a essência das revelações e um néscio não conseguisse transpor para o papel tais revelações ou ensinamentos! Estes meus poucos saberes me foram de grande utilidade no entendimento destas revelações. E, sobretudo, estes mesmos saberes, de há muito, aguçou e aumentou os meus anseios na busca da "verdade-suprema", sempre em procura da razão, origem e destino do "Ser" e do "Existir". Este meu pendor para conhecer a mim mesmo ao próximo e ao Universo, talvez tenha me levado a ter estes “insights”, visões ou revelações, ou seja, lá o que tenha sido, o que sei é que até hoje não consigo classificar o ocorrido. Na madrugada de 20/08/99, após uma série de visões, sendo uma a revelação da forma do nosso Universo, depois de ter recebido e transposto para o papel as idéias gerais do que chamei de “Teoria da Grande Bolha", adentrei o quarto do meu filho primogênito. Após acordá-lo, pedi para que escutasse o que tinha escrito; depois de lido o curto texto, ele me incentivou a continuar a descrição mais detalhadamente. Ao encontrá-lo mais tarde no escritório ouvi dele o seguinte comentário: - Meu pai, sua nora ficou muito preocupada com você e me perguntou para qual sanatório ou psiquiatra eu o levaria! - (isto em tom de gozação). Aí, dei-me conta de que as idéias contidas na minha visão realmente eram bastante estranhas e inusitadas. Mas, como toda idéia nova, esta também será de difícil aceitação e assimilação.

Primeiro capítulo de “OS TRÊS INSIGHTS”

Edimilson Santos Silva
Itacaré, Bahia, junho de 2002
moversol@yahoo.com.br


Em 2003, já em Vitória da Conquista, às vezes, ainda me recordava de fatos ainda não descritos, que ocorreram nos insights. Desisti, era muita coisa na forma de lembranças.



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