domingo, 29 de julho de 2018

CARTA A ELOMAR FIGUEIRA MELLO - CARTA





Vitória da Conquista. 27 de março de 2006

CARTA A ELOMAR FIGUEIRA MELLO

Singularíssimo filho de Bilú.
1* Eis minhas “coisas” já escritas, me dei ao luxo de te escrever quase sem te escrever.
Como tivestes o “insight” de que o sertão era tão rico de poesia e inspiração? Porque não saístes de Salvador direto para o Rio? Como todos o fazem? Somente porque você é constituído de outra fibra, da fibra sertânica, “quaquaraneto” de João Gonçalves da Costa, fundador da Imperial Vila da Vitória e desbravador do Sertão da Ressaca.

2* Nós nunca nos perguntamos! De que somos feitos? De que somos constituídos? De que é feita a cepa do “homo sapiens sapiens”? Descubras e, penetrarás no mais recôndito da alma do mundo! Somos constituídos de infinitas variáveis, e das mais diversas e insolúveis incógnitas. Somos ao mesmo tempo o tudo e o nada, somos a tese, a antítese e a síntese de tudo quanto existe no mundo, somos a percepção e a alienação, o Ser e o não Ser, somos a transliteração dos caracteres divinos impressos em nossa alma, que é constituída de vontades “n” elevadas ao infinito, no entanto somos somente uma partícula da centelha divina e nada mais! Somos o mais completo e complexo mistério do Cosmos, somos a natureza em toda sua potencialidade, tomando conhecimento de si própria. Caro Elomar de tia Eurides! Bordador das tramas sonoras do sertão. No fim do quarto insight eu digo que, não é tão difícil entender este fato simples e lógico! Não somos na essência, matéria, somos algo muito mais sutil, “algo” muito especial, digamos, especialíssimo, somos seres capazes de fazer uma análise transcendental do nosso próprio existir e do existir do Universo que nós habitamos e sobre tudo da existência de Deus, do Tao, do Brahmam absoluto e “Criador”. Somos Partículas da Consciência Cósmica, assim transcendemos ao próprio Universo. “Somos a natureza tomando conhecimento de si própria”. (aqui, esta natureza representando todos os Universos, tudo o que existe desde a eternidade). Na essência última do “Ser” somos a sublimação, a transubstanciação da “partícula divina” no “Ser” senciente racional e eterno. Assim volto a afirmar que transcendemos ao próprio Universo. Sendo isto, o ápice do ato primeiro e Criador. Certamente, depois que se toma conhecimento e consciência da “inconcebível” imensidão do Cosmos é um despautério julgar que na vastidão do Universo só exista este único planeta com condições de abrigar a vida inteligente, isto representa (a meu ver) o supremo “nonsense”.

3* Somos seres “memoriantes”. Toda nossa memória está contida em cada célula de nosso organismo. A clonagem comprova que todas as nossas células contêm uma cópia completa de nós mesmos, na helicóide do DNA, incluindo; embora pareça inacreditável toda nossa memória, ou simplesmente, nós mesmos. Não sei como a ciência da fisiologia humana na área da neurologia, já tão avançada! Não percebeu que todo nosso organismo é na realidade uma extensão do nosso cérebro, ou seja nós somos nossos cérebros É como se nossos membros fossem tão somente apêndices feitos exclusivamente para dar suporte ao nosso cérebro. Na essência nós somos a memória contida em nosso organismo e nada mais, ou seja nós somos nossa alma ou espírito. Nós nos denominamos de: eu, mente, entendimento, ser, espírito, ego, alma, e das duas denominações mais acertadas (Centelha Divina e Eterna e de Partícula da Consciência Cósmica). Enfim caríssimo produtor e condutor de árias sertânicas de valor inconcebível! Que até você mesmo desconhece!
Outra maneira de tentarmos saber o que somos é de estabelecermos racionalmente o que não somos! Eis como concebo o que não somos: Antes já o disse em outra oportunidade! Não somos a incerteza nem a certeza absoluta. Não somos o saber nem a estultice exacerbada. Não somos o todo existencial nem o niilismo filosófico. Não somos o verso nem o anverso do universo. Não somos o início nem o fim do existir no Cosmos. Não somos matéria nem a antimatéria por oposição. Não somos o conhecimento em sua forma mais profunda. Nem o desconhecimento em sua forma mais singela. Não somos máquinas brutas nem somente espíritos. Não somos tudo o que dizem que nós somos. Nem o que dizem que não somos. Não somos tudo que dizemos que nós somos. Nem tudo que dizemos que não somos. Não somos os únicos seres sencientes existentes. Não somos o passado, muito menos somos o futuro, somos somente o presente em sua forma mais sensível. 

4* Não somos o amor em sua forma mais sublime. Nem somos o ódio em sua forma mais insana. Não somos capazes de criar um átomo. Mas somos capazes de destruir o mundo em que vivemos. Tudo isso porque não somos a luz, representando o todo, nem o alfa nem o Omega representando o princípio e o fim. Tudo isso porque nós não somos trinos na acepção do termo. Tudo isso porque somos somente matéria e espírito. Só os extremos abarcam o todo. Por não sermos os extremos é que somos o meio. No existir humano fato mais simples e singular não há.
Quanto ao verbo; não consigo ver distinção nenhuma entre as inúmeras formas, entonações ou ortoépias das palavras utilizadas de forma rudimentar para comunicação entre todos os Seres existentes no planeta. Sua essência mais profunda, com certeza é o seu significado universal. Tomemos como exemplo a palavra AMOR, Em todas as línguas da Terra AMOR sempre será o antônimo de “ódio”.
Deus tem em sua essência mais sublime o princípio da VERDADE. Não consigo ver de forma axiomática e racional nenhuma “verdade” na lenda da torre de Babel. A razão me leva a crer no que nos diz a ciência da filologia! A diversidade das línguas dos povos foi fruto do isolamento destes mesmos povos. Não vejo, nem dou nenhum valor num sentimento gerador de ódio, como a xenofobia. Os princípios Védicos que você tanto defende e apregoa, nos dizem, mesmo nos Upanishads, que o sentimento mais sublime é a comiseração, por todos os seres, viventes e não viventes, é o que chamaram depois de iluminação BHUDÍCA. Foi o que Sidharta Ghautama teve sob a árvore! Para meu humilde e tacanho entendimento a paz só reinará entre os povos quando forem extintas todas as fronteiras, incluindo naturalmente as fronteiras das línguas, e isto não levará muito tempo para ocorrer. As novas tecnologias da comunicação e a intensificação da conseqüente globalização cuidarão inevitavelmente disto. Esta é a minha explicação e defesa do porque faço uso da palavra “INSIGHT” em minha desprezível obra de aprendiz de escritor!
Para mim todas as palavras, em todas as línguas são sagradas. Veja na Bíblia a conotação e o valor dado ao “VERBO”. O uso da palavra pelo Humano representa a divinização do Ser, representa o início da racionalidade do Homem, portanto a palavra em si é sagrada, isto em todas as línguas e dialetos.    

5* A minha pequenez infinita como Ser, não vê nenhuma razão para não ser humilde perante a grandiosidade infinita da DIVINDADE em VERBO.
Não consigo, não está dentro do meu Ser comungar com Baruch de Spinoza, quanto ao tema “humildade”. Distinta é a humildade perante os homens, porque todos os homens são iguais, a humildade perante os homens, não é mais humildade, simplesmente é subserviência. Pois nenhum homem é inferior ou superior frente a outro homem. Esta igualdade nos foi dada por DEUS, nos fazendo todos iguais.

Edimilson Santos Silva Movér

Vitória da Conquista. 27 de março de 2006

Atenciosamente, O aprendiz de aprendiz de aprendiz de rabiscador.


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