segunda-feira, 30 de julho de 2018

CARTA A UM AMIGO, FILÓLOGO E FILÓSOFO - CARTA



CARTA A UM AMIGO, FILÓLOGO  E FILÓSOFO   

Caro Amigo:

Somos, com certeza, cada um de “per se”, um Universo à parte; se assim não o fosse, seríamos como nossos irmãos irracionais, “individualizados”, mas com procedimentos típicos de manada, com ações e atitudes grupais etc., em que, num milhão de indivíduos, ninguém se destaca, salvo nos comportamentos instintivos, da reprodução e da sobrevivência. A igualdade mais marcante dos seres humanos é exatamente a diferença inerente a cada um. Quando encontrar muitos indivíduos iguais, defendendo os mesmos princípios ou crenças, desconfie deles! Principalmente dos não questionadores, pertencentes à grupos com as mesmas crenças religiosas, científicas, filosóficas ou políticas. Via de regra, são fanáticos, com visão distorcida da realidade, mais parecendo habitantes da caverna de Platão. A única esperança de cura para um fanático é rezar pela próxima encarnação; com sorte, ele talvez escape deste pesadelo. Perdoe ter que ser mordaz, mas nesses casos torna-se necessário ser duro. Impossível enfrentar um exército de fanáticos com flores! Desconfio das multidões unânimes, pois, nelas vejo algo que me cheira a “algo de podre no Reino da Dinamarca”. A única “qualidade” da multidão é ser burra. Não creio que paire sobre a multidão o “Master Mind”. Também não acredito na máxima de que toda a unanimidade seja burra; os julgamentos unânimes nem sempre são burros; o caminho não é este. O que leva os homens ao erro sempre são outros homens; desconheço o caso em que, ”intencionalmente”, o cachorro levou o dono ao crime! Sei, e sei bem, que a união faz a força e que o que nos fez progredir como espécie em evolução foi o instinto gregário. No entanto, na minha individualidade, sou de comportamento arredio; isto vem da minha natureza, do meu instinto, está no meu cérebro límbico; está no meu lado zôo, e todos o temos. Não chego a ser tímido, mas não me sinto bem nas aglomerações, principalmente nas reuniões sociais! Desconfio dos homens de gravata! Se possível, leve um papo com um homem “desconhecido” e de short, na praia, e, depois, com o mesmo homem no trabalho, já de paletó e gravata; analise se por ventura são as mesmas pessoas! Acredito que deduzirá que não! É muito comum a pessoa mudar em função do traje e do ambiente. Nada tenho contra o paletó e a gravata, pois são somente dois pedaços de pano. No entanto abomino o uso do “smoking” e da gravata (são mutiladores da personalidade). Claro que estou tratando do homem comum, como a mim. Usei gravata uma única vez na vida; mas tive quatro fortíssimas razões ou desculpas: era inexperiente, era jovem, ia me casar e estava apaixonado. Neste caso, o instinto prevalece e tudo é válido. Confesso-lhe! Nunca fui ao casamento de um filho, nem a uma de suas formaturas; de vez em quando, um aniversário me pega de surpresa: somente de surpresa. Também tenho outros defeitos ou qualidades; mais defeitos que qualidades. Por exemplo: quando começo a escrever, me apiedo dos filólogos, principalmente dos puristas. Por vários dias, fico imaginando! Camões (é o primeiro que me vem à mente), não sei por que, mas só o vejo com os dois olhos abertos, bem abertos; interessante, nunca o vejo manaio; Eça de Queiroz, Antenor Nascentes, Rui Barbosa, de fraque, Humberto de Campos, um Antero do Quental, sisudo, todos indiferentes à minha piedade; vejo-os sempre saindo dos túmulos, em fila, andando em minha direção, de penas em punho, para me corrigir ou me admoestar; são os meus fantasmas! Acho que vou tomar capricho e aprender, pelo menos, os rudimentos mais elementares da “Fina flor do Láscio”. Assim tomarei menos o seu precioso tempo.  Espero um dia ter a honra e o prazer de conhecê-lo e, assim, poder usufruir de um (mesmo curto) bate-papo.
P.S.
Quanto ao seu não julgamento, não se preocupe; a intenção de quem teve os “insights” é esta mesma, (não ver os “insights” sob julgamento). Por ter origem exotérica, é dirigido ao homem comum e, por ter natureza metafísica, dispensa julgamentos de caráter científico-filosófico; a obra é tão-somente a descrição dos “insights”, não tendo, assim, cunho contestatório de nenhuma área do conhecimento humano. A diversidade dos temas abordados pode ter me levado a algum erro conceitual; foi minha intenção levar aos leigos, pelo menos de forma geral, pequena parte dos conhecimentos já acumulados pelo homem. Espero não ter emitido conceitos incompatíveis com os postulados da ciência oficial. As contestações da ciência moderna, atualmente, são feitas na área da Relatividade Geral e da Física Quântica, isto pelos próprios Físicos Teóricos. Quanto ao Professor de Física, estou enviando um exemplar, para que você o encaminhe ao mesmo; ficarei agradecido se ele puder fazer uma crítica e uma correção nos conceitos científicos emitidos no ensaio; só queria que ele deixasse os conceitos cosmogônicos, contidos em toda a obra, no que tange aos “insights”, intactos, como estão, pois errados ou não, são frutos dos próprios “insights”. Mesmo porque; o “mistério maior” está em qualquer ponto; e não num ponto específico do riacho da montanha.           
Veja bem!
O ponto de vista enunciado nas palavras dirigidas aos meus familiares é abrangente e tem aplicação a todo o relacionamento humano. 

Edimilson Santos Silva Movér 
 Camaçari - Vila de Abrantes, 18 de agosto de 2003

Com toda  a admiração e o respeito,
do aprendiz de aprendiz de rabiscador,


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