segunda-feira, 30 de julho de 2018

DESESPERO - POESIA



DESESPERO                                                              

Ao meu amigo e louco predileto,

Vavá.

 Quantos dão bom dia ao mendigo? 

Lancinante sentimento de abandono,
Caos no entendimento do existir,
Falência de si mesmo
Ao tentar ter um nadinha! E não ter nada,
Só ver em torno de si a escuridão.
Sentir dentro de si
A morte da última esperança,
Sem entender o que se passa,
Não reconhecer um rosto amigo
Ver em sua volta só estranhos!
Todos com cara de inimigos,
Todos fogem do passeio por onde pisas,
Viraste um leproso?
Crêem que estás condenado à morte!
Ou te consideram um canceroso!
Maldita vida incongruente
Feita de desamor e vã maldade
Dos humanos e a sua visão inconseqüente.
O pior mesmo, é não encontrar um semelhante
Em que possa se apoiar.
Desespero de ser gente
Viver na multidão e se achar só!
Absurdo de só ver o vazio!
Não recebendo a simples esmola de um olhar!
Ninguém se aproxima, todos se afastam,
Desespero e incapacidade total do Ser
Não ter com quem se socorrer!
Há muito tempo sem ouvir um bom dia, boa tarde
E agora uma boa noite!
Tristeza infinita... Ao notar o seu desmoronar!
Sentiu!
A fome a corroer-lhe as vísceras,
Viu!
Aproximar-se afinal, a última visão do mundo,
Deu!
O último suspiro como mendigo imundo... E adormeceu,
Com seu único bem...
Que era o odor fétido da pobreza a lhe acompanhar!



Vitória da Conquista, Ba. - 21 de janeiro de 2007
Edimilson Santos Silva Movér

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