segunda-feira, 30 de julho de 2018

FAZ DE CONTA - PROSA POÉTICA



FAZ DE CONTA 

                                     
Fazemos de conta que nunca teremos que prestar conta...
E assim vivemos sempre fazendo de conta...
Que não iremos prestar conta...
E no entanto, no devido tempo a conta...
Deus pedirá, do nosso tempo, estrita conta...


Faz de conta de que nada ocorre em nossa volta,
Que não somos responsáveis por nada que acontece por aí
Pois se o fôssemos a carga seria insuportável!
Não teríamos mesmo que agüentar algo que não nos diz respeito.

Faz de conta que somos cegos surdos e mudos!
Assim, não vendo não entenderemos,
Se não ouvirmos, não compreenderemos,
E se não falarmos, ninguém nos ouvirá e nada nos cobrará!
Então, nenhuma culpa teremos.

Faz de conta que a vida é feita unicamente de sorrisos, festas, Fartura, doces, mel, orgias e bacanais,
E de que todos os pobres dormem agasalhados e nutridos,
Assim todos acordarão em macios colchões e felpudos cobertores!
E na noite que passou, não ouve nem um choro, e nem um gemido de uma criança faminta. Faz de conta...

Faz de conta de que somos todos inocentes...
De que nada, “nadica de nada” nos diz respeito.
De que pagamos todos os impostos,
De que não compramos nada pirateado.
E que nenhum conhecido, amigo ou parente nosso, usa ou comercia com drogas...

Faz de conta de que não existe pobreza à nossa volta...
De que não ajudando aos necessitados
Encheremos as suas barrigas,
De que não dando uns trocados nos semáforos
Todos os pedintes alcançarão a prosperidade...

Faz de conta de que só os filhos e os netos dos outros
É que estão sujeitos aos vícios e as drogas, ou senão faz de conta de que não deixaremos descendentes no planeta.
Assim! O planeta que se dane!

Faz de conta de que salvando a fauna e a flora
Salvaremos o planeta da destruidora pressão demográfica,
Faz de conta que ao invés de 6,5 bilhões de seres,
Somos somente 6,5 milhões.
Faz de conta que a queima dos combustíveis fósseis, não emite nem um grama de CO2 para a atmosfera,
Faz de conta que o gás dos nossos refrigerantes não é o CO2,
Faz de conta que os ambientalistas são ambientalistas com visão global do problema que nos destruirá...
Faz de conta de que os ambientalistas um dia vão acordar, e perceber o imenso erro em que incorreram!
Defendendo somente a flora e a fauna e não dando a mínima para a explosão demográfica...
Faz de conta de que protegendo e pensando unicamente na flora e na fauna,
Os ditos seres “humanos” um dia, num futuro muito próximo deixarão de fazer sexo, por ser ruim fazer sexo, e assim não se multiplicarão como ratos.
Faz de conta que espontaneamente controlar-se-á como num passe de mágica a explosão demográfica que destrói o planeta.
Faz de conta de que o efeito estufa é uma piada...
Faz de conta de que quando acabarmos com este “planetinha mixuruca e miserável” que segundo a maioria não vale nada...
É só pegarmos o primeiro ônibus e nos mudarmos para o planeta mais próximo!

Faz de conta que:
Somos a pureza personificada,
Não somos perdulários de energia,
Não somos gananciosos,
Não somos usurários,
Ajudamos ao próximo,
Andamos na retidão,
Não somos lascivos,
Não pecamos,
Merecemos ir para o céu,
De tanto fazer de conta...
Iremos direto para as profundezas do inferno!
Em vida...

Assim estamos fazendo de conta que não somos “humanos”,
Mas simplesmente feras ilógicas e irracionais...
Respeitado, naturalmente o direito das feras de serem feras...


Vitória da Conquista, Ba. – 04 de fevereiro de 2007
Edimilson Santos Silva Movér 

O Frei António das Chagas, poeta Alentejano com grande sabedoria previa a estultice do homem ao não acordar para fazer as coisas que têm que serem feitas “EM SEU DEVIDO TEMPO”... Eis o que nos diz o Frei António:



O TEMPO

"Deus pede estrita conta do meu tempo
 e eu vou do meu tempo dar-lhe conta,
 mas como dar, sem tempo, tanta conta,
 eu que gastei, sem conta, tanto tempo?
 Para ter minha conta feita a tempo,
 o tempo me foi dado e não fiz conta
 não quis, sobrando tempo, fazer conta,
 hoje quero acertar conta e não há tempo.
 Ó vós que tendes tempo sem ter conta,
 não gasteis vosso tempo em passa-tempo.
 Cuidai, enquanto é tempo, de vossa conta,
 pois aqueles que sem conta gastam o tempo,
 quando o tempo chegar de prestar contas,
 chorarão, como eu, o não ter tempo.

Poema de Frei António das Chagas (1831-1882):


Rogo humildemente,
Ao Senhor do Tempo.  A quem chamo de: Mente Cósmica, que não me deixe cansar de relembrar, e não cansar de levar esta obra prima do Frei António das Chagas, ao conhecimento dos estultos homens...
Que gastam o tempo como se seus proprietários o fossem!
Quando na realidade, em nossas vidas, o que fazemos é dar uma sutil, rápida e efêmera olhadela num segundo do tempo da magnificência da eternidade, no que erroneamente chamamos de vida...
Porque na realidade a vida é do outro lado da vida.
04/02/2007 Movér...




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