sábado, 28 de julho de 2018

FUNERAL DA ESPERANÇA - POESIA (51)



FUNERAL DA ESPERANÇA             

 

Covas rasas aos milhares vão cavando,

Enterrando a esperança e matando meus sonhos.

 

Covas rasas aos milhares vão cavando,

Para fazer os tristes e grandes funerais,

Miríades de caixões negros vão passando,

Obscura despedida das esperanças vesperais.

 

No fundo das covas e leitos sepulcrais,

Ali se enterra sem dó, a doce esperança,

Morrendo os sonhos, e os anseios banais,

Ferindo os corações com a flecha e a lança.

 

Gritos de dor, coros de ais e de tristeza,

Tríade de sonhos, saudades e esperanças,

Que nunca mais despertam! Já na certeza,

De não mais as sentir em minhas lembranças.

 

Que desespero! Ouvir num clamor incerto,

O rugir medonho do vozerio da morte,

Rouco e hediondo no fundo do deserto,

Como um canto funéreo a clamar da sorte.

 

Como se fosse o último grito na lembrança,

Enterraram a esperança, como vis chacais,

Vi o sombrio enterro da última esperança,

E vi na face da multidão as gotas lacrimais.

 

Enlutou-se o mundo numa tristeza infinita,

Morreu a primeira razão dos seres risonhos,

Absorto e catatônico vi a triste e vil fila maldita,

Enterrando a esperança e matando meus sonhos. 

 

Ao matar a esperança mata-se todos os seres,

pois a esperança é a última a morrer.

(Popularesco).

 

Edimilson Santos Silva Movér

30 de novembro de 2008


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