sábado, 28 de julho de 2018

FUNERAL DA ESPERANÇA - POESIA



FUNERAL DA ESPERANÇA                          

Ao matar a esperança mata-se todos os seres,
pois a esperança é a última a morrer.
(Popularesco)
Não matem a esperança dos seres pequeninos.


Covas rasas aos milhares vão cavando...
Para fazer os tristes e grandes funerais!
Miríades de caixões negros vão passando...
Obscura despedida das esperanças vesperais...

Anelos esquecidos, sonhos de criança,
No fundo das covas e leitos sepulcrais,
Onde se enterra sem dó, a doce esperança
Os sonhos desfeitos, anseios os mais banais.

Gritos de dor, coros de ais e de tristeza,
Tríade de sonhos, saudades e esperanças
Que nunca mais despertam! Já na certeza
De não mais as sentir em minhas lembranças.

Que desespero! Ouvir num clamor incerto
O rugir medonho do vozerio da morte
Rouco e hediondo no fundo do deserto.
Como um canto funéreo a clamar da sorte.

Como se fosse o último grito na lembrança
Enterraram a esperança, como vis chacais,
Segui o enterro sombrio da doce esperança
E vi na face da multidão as gotas lacrimais.

Enlutou-se o mundo numa tristeza infinita!...
Morreu a primeira razão dos seres risonhos,
Absorto e catatônico vi a vil fila maldita
Enterrando a esperança e matando meus sonhos!...



Edimilson Santos Silva Movér
30 de novembro de 2008

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