sábado, 28 de julho de 2018

NOSSOS RACIOCÍNIOS - ENSAIO


DA SÉRIE: ENSAIOS QUE NOS LEVAM A PENSAR
Subsérie: Analisando nossa enteléquia, mente, consciência ou espírito.

NOSSOS RACIOCÍNIOS

Sobre o enfoque dos temas filosóficos:
(Nooúmena/phaenomena)
(abstratos/concretos)

1* Nossos raciocínios possuem seguramente quatro premissas, premissas estas, representadas por cada uma destas quatro "protodicotomias":

A (abstratos/simples);
B (abstratos/complexos);
C (concretos/simples);
D (concretos/complexos).

É bom observar logo no princípio deste arrazoado, que aqui não faço um estudo da essência do que seja um raciocínio, ou do que seja nossa consciência. No momento, disto cuida a moderna neurociência, nas grandes universidades do planeta. No fim deste ensaio farei breve abordagem da visão que esta neurologia tem sobre o tema. Aqui é feita uma singela análise dos nossos raciocínios, e nada mais!
Antes de tudo, vejamos a acepção que aqui é dada aos quatro termos ou verbetes que tomo como base das premissas de um raciocínio qualquer: concreto, abstrato, complexo e simples:

“Abstrato”: que não é concreto; que resulta da abstração, que opera unicamente com idéias, com associações de idéias, não diretamente com a realidade sensível. Não material, não físico.

“Concreto”: ligado à realidade, ao que é palpável, que é físico; ao que pode ser captado pelos sentidos, podendo muitas vezes não representar uma “coisa” ou função material.

“Complexo”: de apreensão muitas vezes difícil pelo intelecto e que geralmente apresenta multiplicidade de aspectos.

“Simples”: que não apresenta qualquer embaraço para sua compreensão, que é elementar.

Estas são as acepções lexicográficas atuais que melhor definem os sentidos aqui aplicados a estes verbetes, dentre as muitas existentes em nossa língua.

2* Conceituar o que são nossos raciocínios, concretos e abstratos, ou o que sejam tais raciocínios; “complexos ou elaborados”, e separá-lo dos raciocínios não elaborados, “simples ou comuns”! Normalmente nos parece à primeira vista algo extremamente difícil! O que na realidade não representa uma verdade axiomática. Pois, é justamente ao produzi-los que os tornamos diferenciados, e devido a isso nos tornamos aptos para diferençá-los. Vamos simplificar exemplificando; quando dizemos que o céu é azul; conceituamos um raciocínio concreto/simples ou comum, mas, quando dizemos que o azul do céu é conseqüência da refração da luz solar nas moléculas de que é composta a atmosfera terrestre, elaboramos um raciocínio abstrato/complexo e bem diferente do exemplo do raciocínio simples, entretanto, podemos tornar mais elaborado ainda a última proposição complementando-a assim: o azul do céu é conseqüência da refração da luz solar nas moléculas de que é composta a atmosfera terrestre, pois, a luz na faixa visível possui a propriedade de se decompor num leque de cores, indo do infravermelho ao ultravioleta, sendo a cor branca a presença de todas as cores do espectro e a cor negra a ausência completa das mesmas. Como bem o demonstrou Newton como o seu disco no sXVII, mesmo assim, este raciocínio pode ser mais complexo ainda. Se entrarmos no mérito do “porquê” do espectro luz na faixa da cor azul que está próxima do violeta possuir prevalência na cor geral da atmosfera terrestre, aí então daremos uma conotação bem mais complexa ao raciocínio abstrato simples, que então, tornar-se-á um raciocínio abstrato complexo. Sendo que os raciocínios complexos podem conter raciocínios concretos e abstratos, já os raciocínios simples são sempre concretos ou abstratos, nunca as duas coisas ao mesmo tempo, isto por conter sempre uma única premissa ou diretiva, os raciocínios simples nunca contém múltiplas, ou mesmo duas premissas ou diretivas.


3* Outra maneira de processarmos um raciocínio elaborado é encadearmos e detalharmos nossos raciocínios de forma técnica, não importando se cada raciocínio refere-se à área dos conceitos fenomênicos físicos ou dos conceitos noumênicos, abstratos, que no kantismo é o que é pensado ou raciocinado, e que é o oposto do fenômeno físico “acontecente”. “Sendo este, o mesmo (nooúmena) abstrato de Platão, ideia, pensamento, elucubração etc”. Se os dissecarmos até suas bases ou suas partes componentes mais simples, quaisquer raciocínios podem ser analisados de forma simples ou complexa, isto, conforme sua base de elaboração.  Os raciocínios simples ou comuns estão ao alcance da maioria dos humanos, no entanto, um raciocínio elaborado ou complexo, com premissa de base abstrata requer de quem o elabora, ou o interpreta, conhecimentos específicos da área de que trata o raciocínio, e principalmente conhecimentos profundos da língua em que é escrito ou expresso este raciocínio. Ficando explicitado que estes “conhecimentos”  são adquiridos através de longos estudos “continuados” a que chamamos de aprendizado específicos de cada área. Assim, quem não possuir conhecimentos básicos da área de filosofia dificilmente entenderá filósofos como Kant, Hegel ou Nietzsche e outros, pois suas abordagens filosóficas tratam “sempre”, todos os conceitos de premissa abstrata ou concreta, de forma complexa, mesmo em seus raciocínios mais simples. Sendo necessário interpretá-los dentro do tempo (em que ele foi elaborado), e do espaço (em que a “coisa” a que ele se refere está contida, estas duas condições são essenciais para poder interpretar qualquer raciocínio desses filósofos, isto com relação as essências do tema de que trata tais raciocínios. A maior dificuldade que se nos apresenta para que façamos a “leitura” dos raciocínios da maioria dos grandes filósofos, realmente, nem sempre é feita com facilidade: E não é somente por causa do diacronismo semântico! A visão de mundo muda! Os paradigmas filosóficos mudam, as gerações passam, os conceitos e o entendimento das “coisas” abstratas e concretas se alteram dentro do tempo! Só sendo notadas estas alterações com o passar dos séculos! Quando alguns conceitos se tornam completamente opostos aos seus sentidos primitivos. Ninguém leva isso em consideração! Esta é minha visão “particular” sobre esse assunto! Chamado por mim de dança da interpretação. Vygotsky, 1991, Kleiman (1996)   trataram disso!

Há algum tempo, uma pessoa do ramo do jornalismo de renome na minha cidade, me chamou à parte, em particular, como dizem! E educadamente me disse, como se proceder com educação não fosse uma obrigação, foi educado comigo como se estivesse fazendo uma concessão! falou de sua insatisfação com uma minha abordagem sobre os fragmentos dos pré-socráticos numa certa área do entendimento humano sobre a essência do ”Ser”. A princípio não o entendi, sem querer tornar aquele assunto uma polêmica, o instiguei a relatar o motivo e o foco da sua insatisfação! Fiquei chocado com aquilo! Ele simplesmente tinha lido e interpretado o que eu tinha escrito de forma completamente diversa e distorcida! Insisti com o mesmo ponto de vista, e ele com ares de ofendido me disse que tinha feito jornalismo em tal faculdade! Eu disse tudo bem! É uma questão de interpretação! Aí, ele me disse que sua primeira formação era Filosofia, e que tinha feito mestrado em filosofia, numa faculdade do Sul do país. Eu desconversei, pedi desculpas, disse que ia dar uma olhada, que ia rever o ensaio. O encontrei tempos depois, onde ele com ares de “Magister”! Disse, tudo bem ensaísta! Senti o “de meia tijela” no ar! Só não o pronunciou! Pensei!  Esqueça-o, não vale nem a polêmica. Definitivamente, é mais um tolo que alisou um banco inutilmente. São tantos!


4* As línguas costumam alterar o sentido dos verbetes ou palavras, à medida que o tempo passa. Numa mesma língua, muitas vezes, não só as palavras, mas, frases inteiras mudam de sentido em curto espaço de tempo. Assim torna-se de importância capital um profundo conhecimento dos leitores e dos tradutores em cada área do conhecimento humano.  A “coisa” só tende a funcionar bem quando filósofos traduzem filósofos, e cientistas traduzem cientistas, naturalmente que isto ocorre em cada área da arte da tradução. Médicos traduzem melhor assuntos de medicina, e engenheiros traduzem melhor assuntos de engenharia, assim por diante; (embora isto não seja a regra geral, estou somente generalizando): Mas, é mais provável que saia uma boa tradução, quando materiais a serem traduzidos e tradutores são da mesma área da episteme humana. Podem discordar, mas, quando traduzidos e tradutores não são contemporâneos e os séculos os separam, quase sempre a “coisa” anda por caminhos ínvios. “Via de regra”, nisto está o fundamento da existência das excelentes e das péssimas traduções.

O EFEITO DA DINÂMICA E DA SEMÂNTICA
DIACRÔNICA NAS PALAVRAS
5* Devido ao dinamismo e ao diacronismo semântico das línguas, o sentido das palavras naturalmente tende a mudar através dos tempos! Em especial as que encerram conceitos abstratos, um bom exemplo é o substantivo grego “dialektikós”. Que nos deu a palavra “dialética”, esta, possui sentidos distintos, no platonismo, no aristotelismo, no kantismo na sua dialética transcendental, no hegelianismo, e mesmo na gramática da língua portuguesa moderna. A palavra “dialética”, no seu sentido mais amplo e geral, pode diferentemente do que ocorre nos conceitos filosóficos acima enumerados, ser entendida como a arte da perfeita ou da boa argumentação.
6* Por uma questão óbvia, os maiores sucessos literários do mundo moderno são as obras científicas de difícil entendimento para a maioria das pessoas; quando escritas numa linguagem chã, leiga, comum e fluente. O que vem demonstrar a sede de saber existente dentro da grande massa humana destituída de conhecimentos científicos básicos. Para um melhor entendimento do leitor não afeito às nuances da elaboração e da interpretação dos raciocínios complexos vejamos como os mesmos podem ser “lidos” ou entendidos como vários raciocínios simples. Um conceito múltiplo variado e lógico dado a uma frase a que chamamos de complexa, na realidade o que ela contém em si, são vários raciocínios simples e encadeados, pode-se, sem maiores dificuldades fazer sua leitura decompondo-a em vários raciocínios simples, normalmente atribui-se a um raciocínio de fácil entendimento, se “conhecido” seu sentido, como um raciocínio simples, se “desconhecido” como um raciocínio complexo, o que não representa a verdade! A complexidade de um raciocínio advém do encadeamento dos seus vários raciocínios subjacentes e implícitos, normalmente simples, que ao serem entendidos como um só raciocínio, então, torna-se “um raciocínio complexo”. Pois, as partes do “todo” serão sempre componentes simples. No entanto, existe realmente dificuldade na interpretação dos raciocínios abstratos, não importando se simples ou complexos. Os raciocínios concretos por sua vez oferecem maior facilidade de “leitura”. Isto pode ser devido ao fato de que a espécie humana desde os primórdios tenha raciocinado sempre empregando conceitos concretos, e de terem adotado o uso dos conceitos abstratos somente depois da saída do neolítico. Os primeiros humanos a saírem do neolítico e entrarem na idade dos metais, o fizeram entre sete e dez mil anos atrás. Somente depois de o homem tornar-se sedentário é que então, lhes sobrou tempo para iniciar a elaboração de raciocínios absolutamente abstratos.
7* Na atualidade o raciocínio abstrato tornou-se inerente ao homem, independentemente de sua idade em anos, ou seu grau cultural, todos os humanos raciocinam abstratamente. Este aprendizado é feito durante o aprendizado da fala, mesmo antes do uso da fala, todos os infantes do planeta já raciocinam abstratamente. È interessante observar que os raciocínios abstratos prevalecem em número sobre os raciocínios concretos. É crença geral nos altos estudos da aquisição da fala de que a espécie só adquiriu a fala rudimentar, após o domínio do raciocínio concreto, e só adquiriu a fala complexa após o domínio do raciocínio abstrato. Portanto, no princípio do uso da fala os homens mais “grunhiam” que falavam, eram muito diretos no falar, só se reportando a fatos concretos. Mesmo os que viveram no período paleolítico, inferior e superior e até no neolítico. É de se esperar concretamente, que substantivamente e adjetivamente, sua fala, “possivelmente” não era dotada das nuances da fala moderna, como pronomes, verbos, verbos de ligação, artigos, interjeições, etc. As línguas, hoje faladas pelos povos erroneamente chamados de selvagens, isso o comprova. Salvo em raríssimos termos utilizados nas advertências e nos chamamentos, principalmente as palavras necessárias e utilizadas para que expressassem os raciocínios ou pensamentos abstratos.  Como disse acima! Isto se observa até hoje nalgumas línguas dos povos chamados indevidamente de “selvagens”.
AS ACADEMIAS DA ESCRITA E DA LEITURA
8* A dificuldade de se entender alguns raciocínios, ditos complexos, principalmente os raciocínios abstratos esvazia parcialmente as academias da leitura e completamente as academias da escrita. No Blog do Paulo Nunes, no (ENSAIO SOBRE UM RACIOCÍNIO QUALQUER), que hoje está na minha 2ª página no Blog acima, e não na segunda página do Blog. Ali eu disse que: Na realidade, escrever qualquer coisa, é como levar o cérebro, (espírito ou entendimento), para a academia da escrita, e ler é levar nosso cérebro, (espírito ou entendimento), para a academia da leitura, só que a academia da escrita tem poucos frequentadores, e a academia da leitura anda sempre “quase” lotada, eu disse “quase”, porque na academia da leitura por certo que cabe toda a humanidade. São nestas duas academias que são projetados todos os atos responsáveis pelo desenvolvimento de toda a humanidade. Estes atos a que me refiro, são os novos raciocínios que levam os falantes a novos raciocínios, que por sua vez amplia de forma exponencial o desenvolvimento humano.
9* Até aqui a abordagem sobre o conceito do que seja um raciocínio abstrato/complexo e concreto/simples é leiga, intuitiva e heurística, vejamos o que nos diz o ramo da ciência chamado de neurologia sobre a origem dos nossos raciocínios. Nas grandes universidades do mundo existem inúmeros e modernos laboratórios dedicados exclusivamente à pesquisa e ao estudo do que seja nossa consciência. Ente responsável por nossos raciocínios, laboratórios estes, dotados da mais alta tecnologia.
O QUE NOS DIZ ATUALMENTE A CIÊNCIA DA NEUROLOGIA...
SOBRE NOSSA CONSCIÊNCIA

10* O número de cientistas que cuidam dos avançados estudos neurológicos da consciência é muito grande, nominá-los seria inútil. Estes cientistas nos dizem taxativamente que: não existe nenhuma explicação lógica e suficientemente satisfatória para a neurologia definir como se processam os mecanismos da consciência em nosso organismo. Sendo que a consciência humana sempre se nos apresenta como um fenômeno unitário, e que todo este fenômeno é constituído de emoções, pensamentos, percepções e principalmente a noção de reconhecimento do “eu” e do “existir”, levando-o a se situar dentro do mundo em que habita. O fenômeno da consciência se processa sempre de forma “una” e em um determinado momento. Portanto não temos simultaneamente; duas percepções, duas emoções, dois pensamentos. Como todos estes “momentos” e suas percepções só podem ser percebidos pelos nossos sentidos, assim como nós percebemos o tempo, como um fluxo “lamelar”, vemos fluir constantemente tudo em nossa volta, como o retrato da nossa consciência, e não o oposto. Nós não fazemos o retrato do mundo como consciência, nós somos a consciência do retrato do mundo, onde estamos inclusos neste retrato, Movér. Se você tiver a capacidade de conseguir uma boa concentração no seu “eu” interior, verá que é o universo circundante que interpenetra em nossa consciência, e não nossa consciência que interpenetra no universo circundante, e só assim conseguimos nos sentir abarcando este nosso universo circundante e cognoscível! Os humanos não se reconhecem a si mesmos como “seres” senciente, simplesmente eles se veem como parte de um mundo, não conseguem ver o mundo em separado. Vejamos se isto é realmente verdade! Minha cidade é bastante pequena se comparada a outras de nosso país! Ela está inserida num quadrilátero de 12x12 km, ou um pouco mais, no eixo norte, abrangendo até a Lagoa das Flores. Nela habita entre 350 a 400 mil pessoas, sendo que todos os dias entram e saem dela de 400 a 500 Vans, com uma média de 10 passageiros. O interessante é que todas estas pessoas, as que chegam e saem, e as que residem na cidade, possuem dentro de sua (cabeça, entendimento, juízo, consciência, coco, coité, alma, espírito, cuca), um complexo mapa da cidade de forma completa ou nalguns de forma incompleta. Mas todos possuem! E ninguém percebe isso! O certo é que: A pessoa possuir um mapa da cidade onde mora, dentro da cabeça e não saber disso, é se conhecer ou se desconhecer? Os que vão e voltam! Quando chegam, pelas primeiras vezes, pouco conhecem da cidade, com o passar do tempo, montam o mapa da cidade na cabeça, e nem notam! Quem circula mais monta um mapa mais completo, quem circula menos monta um mapa menos completo, tudo dentro de suas necessidades. Nossa consciência ou como dizem! A natureza, não desperdiça nada, nem mapas. Agora vão me dizer que vocês sabiam disso! Isto ocorre com quem viaja pelo mundo, monta um mapa do mundo na cabeça, como também com quem estuda o nosso sistema solar monta o mapa dos planetas, quem estuda nossa galáxia monta o mapa dos braços, de Órion, que é onde moramos, o mapa do braço de Perseus, do braço Sagitarius, e do quarto, o braço Cruz-Centaurus. Quem estuda o Cosmos, também cria seu próprio mapa. Cada um cria o seu! Pois, a “coisa” ali, é muito complexa. De tudo nós montamos um mapa, se bem ou mal montado, somente depende do grau de recorrência de cada um, ao mapa.


11* Isto nos diz que estamos engastados no próprio universo. O problema é que nossa consciência só reconhece nosso “eu” se este “eu” estiver em estreita relação com o universo que nos circunda, universo imediato ou o universo do nosso conhecimento subjetivo e abstrato, não importando o grau de conhecimento escolar ou acadêmico do universo adquirido pela pessoa. É como se o universo estivesse dentro da nossa consciência. Da mesma forma estamos engastados no tempo. Como se vivêssemos mergulhados no tempo! Assim! Quando percebemos as setas do tempo, só as percebemos uma de cada vez, não importa se é a seta do futuro ou do passado, aí, então, veremos que o nosso presente é conceitualmente estático, e só o percebemos como um presente dinâmico imediato, quando, e unicamente porque sentimos a seta do passado e a seta do futuro fluindo em direções opostas, sentimos como se o  presente elastecesse, e por isso, sentimos o presente como sendo dinâmico, a consciência desta “dinamicidade” nos livra de um presente estático e confinado entre duas direções do tempo, o sentimos como se fora um presente efetivamente dinâmico. É quando a soma das direções opostas das duas setas do tempo nos dão esta sensação de dinamicidade do presente. Interessante é que esta sensação é uma sensação inconsciente. O presente é constituído e vivido em pequenos flashes de tempo e nem o notamos. Nosso raciocínio consciente não o nota, o que o torna um fato inconsciente. Nós não temos a sensação de que passamos pelo tempo, mas sim, de que estamos dentro do tempo. Eu, particularmente, o sinto como algo estático/dinâmico.  Seria efeito dos meus estudos do tempo? Ou da minha consciência dos flashes? Confesso que não sei!

12* Tente compreender a proposição das duas setas do tempo considerando o seguinte: Como sendo o tempo presente, um ínfimo de tempo para este presente estático, ora! Como as duas setas do tempo possuem sentidos opostos, e o tempo se dilata no presente, e então o sentimos como dinâmico. Somente nossa memória implícita nos faz sentir a direção da seta do passado, que é inerente ao nosso entendimento. A seta do futuro é raciocinada. Nós montamos o futuro. O passado já está montado, e só o percebemos em flashes. Então nós vemos nossa consciência fluir permanentemente no presente sempre na direção do futuro. Só percebemos a seta de tempo fluir na direção do passado através de nossa memória implícita, é quando vivenciamos o presente. Sem passado não há presente, o problema é que sem nosso passado, não nos situamos dentro do presente, portanto não existimos. Sendo que a seta do tempo na direção do passado só flui de forma pontual, pois nossa memória implícita é pontual, a memória implícita é em flashes. Já, a nossa memória consciente explícita é contínua, e assim, só a sentimos fluir para o futuro como um fluxo “lamelar”, e isto o percebemos inconscientemente. O verbete “lamelar” aqui utilizado possui o mesmo sentido e conceito do “lamelar” dos fluxos dos líquidos na hidráulica. Assim, só temos consciência de nós mesmos, se tivermos estreita relação com nosso passado através de nossa memória, portanto, todo aquele que perde a memória perde também a consciência de si próprio. Deduzimos assim, que somos: “único e exclusivamente” nossa memória. Um verdadeiro morto/vivo é aquele que sofre de amnésia total, que: Por não reconhecer a si próprio, termina não existindo. Perdendo a memória nos desacoplamos do universo circundante que em última instância, seria nós mesmos! E então, deixamos de existir. Ninguém existe sem uma relação com o mundo material que o circunda. Sem o mapa nos perdemos! A coisa é tão séria! Que até o mapa de nossa residência reside em nossa memória implícita. Observo, de antemão, que se o leitor não tiver consciência do que seja as memórias explícitas e implícitas! Dificilmente entenderá tais proposições, por exemplo: No caso da montagem dos mapas de nossos universos próximos onde (estamos, moramos, vivemos ou existimos), e também no nosso universo imaginário distante. Só pode ser debitado à memória implícita! pois, todos, isto o fazem! E alguns não são capazes de memorizar uns poucos versos de um soneto. No entanto memorizam um mapa completo de uma grande cidade, e mesmo de várias cidades. E o mais importante! Num relance raciocinamos e localizamos locais existentes nesses mapas, nos quais passamos há muito tempo, ou mesmo, somente uma vez.   

13* Eis o que nos diz a moderna neurologia na sua busca do que seja a consciência humana, nas palavras de um dos maiores neurologista da atualidade, Dr. António Damásio, eis o que nos diz Damásio: - “É difícil encontrar um desafio mais instigante para um cientista”. Afinal, o que poderia ser mais fascinante do que conhecer o modo como conhecemos? Eis como o Dr. António da Universidade do Sul da Califórnia, respondeu a esta pergunta de um repórter: “O estudo da consciência humana é um campo da ciência à espera de um novo Newton?” - O problema da consciência é um tema complexo, que tem sido mal abordado. É evidente que é necessário avançar muito mais. Acho que meu livro O Mistério da consciência traz alguns avanços importantes sobre o assunto, mas não devemos ter a ingenuidade de acreditar que tudo está resolvido. Há imensos problemas à espera de mais investigação e trabalho. Nos próximos dez ou 20 anos, talvez seja possível resolver boa parte deles.

14* - Ora! Se este é o ponto de vista do Papa da neurologia, é de se estranhar as afirmativas e proposições de outros neurologistas, quando nos dizem; fazendo-nos crer que nossa consciência é o resultado das nossas já conhecidas interconexões neuronais. Atualmente descobriram que as conexões se produzem de cada vez, como grandes pacotes de interconexões, a que chamaram de assembleias neuronais. Ao longo dos séculos e das décadas os cientistas procuraram um local específico no cérebro onde se localizaria a consciência humana, somente para descobrirem assombrados que não havia tal área cerebral específica, e de que ao que parecia a consciência estava espalhada difusamente por todo o cérebro, propondo que a consciência seja ao mesmo tempo: uni-temporal e multiespacial, o que quer dizer que o estado consciente se dá a um só tempo, ocupando todo o espaço da nossa massa encefálica. Assim; os neurologistas nos criaram a pergunta: quem determina o local específico destas assembleias neuronais? Com minha infinita burrice e meu infinito desconhecimento, posso dar um “pitaco” ou talvez uma resposta para esta pergunta: Ora meus preclaros cientistas da mente humana, (neurologistas)! A espécie humana só começou a raciocinar de forma abstrata e complexa, quando deixou de ser coletora e caçadora! E obviamente deixou de ser nômade, sobrando-lhe tempo “ócio” para elaborar raciocínios abstratos e complexos. Isto aproximadamente há oito ou dez mil anos, o que representa um nada na existência do homem. Talvez daqui a 100 (cem) mil anos descubramos o que são realmente os nossos raciocínios e a nossa consciência. No entanto posso adiantar para vocês o tal “pitaco”. As áreas específicas uni-temporais e multiespaciais, onde ocorrem estas assembleias neuronais são determinadas por nossos espíritos ou enteléquias, aos quais chamo de “Partículas da Consciência Cósmica”, ou energia senciente. Portanto, nossos raciocínios são o resultado da interconexão em “nível quântico”, da energia dos nossos espíritos (nossos “eus”), com o nosso sistema neuronal, única forma do nosso espírito (nosso “eu”), interagir e tomar conhecimento da sua existência “como Ser”, e do mundo que o cerca ao qual ele está integrado, ou seja, do nosso mundo material circundante, mundo externo e mundo interno. Óbvio, só sabemos que existimos através de nossa consciência, e isto, só é possível através dos nossos raciocínios. A “coisa” é mais simples do que a nossa vâ filosofia imagina. É o óbvio do óbvio ululante do Nelson... Eu, Movér, esta inútil e desprezível pessoa que vos fala, em minha santíssima “burrice” creio que a vida como um todo no planeta, que nomino de “Vitae”.  Possui um sentido e uma história bem diferente do que a nossa ciência e as religiões imaginam.

15* Ora! Já foram encontrados, uma miríade de tipos de “seres” vivendo nas profundezas abissais dos oceanos, vivendo em torno das fumarolas, com temperaturas de até 300 graus celcius, recentemente foi descoberto “seres” vivendo dentro das rochas em temperaturas superiores a cem graus celcius, isto a 3.500 (três mil e quinhentos) metros de profundidade numa mina de ouro da África do Sul. Quem conhece um pouco de geologia sabe que o grau geotérmico da crosta é de 3 graus a cada cem metros. Em termos holísticos podemos dizer que “GAIA” é viva. Também podemos dizer que o nosso planeta é um imenso organismo vivo, e de que James Lovelock estava certo. Tudo é vivo no planeta, menos o organismo “político planetário” que desde tempos imemoriais nunca saiu do estado embrionário, vai ser burro assim no inferno. Vão se passar 2000 (dois mil) séculos, ou mais, para a insensatez e a burrice abandonar de vez o organismo humano, principalmente, o organismo político planetário. Talvez esta minha momentânea onda de pessimismo sobre o comportamento político/sociológico do “homo sapiens sapiens”, tenha sua origem na leitura de um livro que ora faço, livro que o escritor Durval Lemos Menezes me emprestou, já estou nas últimas páginas. De autoria do Henry Thomas: A História da Raça Humana.  O autor retrata a história do desenvolvimento da raça humana através da leitura da biografia de seus pares mais ilustres. Já tinha lido esta obra na minha juventude, quem se dispuser a ler esta obra! Sai da leitura doente! Sai com uma acentuada síndrome de cachorro, pois, descobre que a humanidade é um imenso lixão. Sinto-me um lixo... Um caminhão do lixo carregado de mim... Quanta podridão!!!... Nossos raciocínios nos levam a toda e qualquer parte, até à essência do lixão: (Que é o comportamento, da humanidade “no geral”).

16* Já, a essência da humanidade, “pontualmente”, ou seja, de “per se” ou da visão de “cada um”, aí, trata-se de outra “coisa”, se processando noutro nível. Sendo esta proposição de altíssima importância para a análise do tema comum dos (nossos raciocínios), no geral, de que tratei aqui...

17* Já nos definiram com uma variedade muito grande de qualificativos! Mas, a verdade verdadeira! É que nós somos em última instância, os nossos (RACIOCÍNIOS). Olha ele de novo! O (cogito ergo sum), de Descartes.

Edimilson Santos Silva Movér
Vitória da Conquista,
12 de fevereiro de 2012

Atualiz. Em 09/2018

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