segunda-feira, 30 de julho de 2018

O MUNDO MAYA E A REALIDADE ABSOLUTA - ENSAIO



DA SÉRIE: ENSAIOS QUE NOS LEVAM A PENSAR
Subsérie: Ficções de os “Os Três Insights”

O MUNDO MAYA E A REALIDADE ABSOLUTA,
DESCREVENDO O INDESCRITÍVEL, O DUPLO "EU".

1* Não desejo que estas visões aconteçam a nenhum outro ser humano, pois são de difícil compreensão e tão perturbadoras que podem levar à loucura. Quando destas visões, meus sentidos funcionavam de formas diferentes: nenhum sentido estava no lugar certo e eu podia ver com a mão, cheirar com o pé, ver com a ponta do dedo; era uma loucura. Depois da visão, ao caminhar pelo passeio, eu via claramente o que se passava atrás de mim; parecia que meus sentidos estavam por todo o meu corpo. O que mais me deixava em estado de alerta é que, durante e depois das visões, minha mente funcionava como se eu estivesse do lado de fora de meu corpo, sendo que, decorridos alguns dias das visões, esta faculdade desaparecia por completo. Tentarei dar aqui uma esmaecida idéia do que pude entender destas revelações; é impossível descrever com palavras algo indescritível!... Assim mesmo tentarei! Ao se passar por tais experiências, tem-se o sentimento de absoluta realização como ser vivente; sente-se como se fosse possuído pela certeza maior da realidade do existir; de repente, o que os Vedas ou Hinduístas chamam de "maya" fica claro como o dia; deixa de ser uma idéia abstrata e torna-se uma realidade palpável e de cunho existencial; torna-se uma fina lâmina: de um lado, o mundo ilusório “maya” (onde se vive uma realidade de um lado só), onde a acuidade de nossos sentidos, embora “perfeitíssimos”, não nos permite vivenciar a plena realidade da natureza, e devido às suas limitações, não conseguimos captar a plenitude dos fenômenos físicos que nos cercam.

2* Do outro lado, a realidade ampla e total, onde os sentidos humanos desaparecem, onde um só sentido é auto-suficiente; visão, audição, olfato, tato e paladar são substituídos por algo como se fosse um sentido de integração interpenetrante. Parecia que o meu “eu exterior” fazia parte de tudo, como se fosse onisciente e onipresente. Era como se eu fizesse parte de tudo que me cercava (ao mesmo tempo, sentia-me dividido em duas entidades): uma real e ativa dentro do meu corpo, e a outra etérea e não ativa, só consciente, e externa ao meu corpo; este meu “eu” externo percebia tudo, até mesmo fora da minha área de visão. Sempre após os “insight”, nos primeiros dias após as visões, podia sentir tudo num raio de até cinqüenta metros ao redor de mim. No dia seguinte à visão do "Universo reverso", numa quinta-feira, eu podia sentir o que se passava a mais de três quilômetros de distância. Neste dia, temi por minha sanidade mental, mas, com o passar dos dias, a sensação de onisciência desaparecia paulatinamente; não posso descrever esta sensação com palavras; é como se tudo estivesse dentro de mim, como se eu fizesse parte de tudo, e não como se eu estivesse em todo lugar; não dá para explicar! Nestes dias, eu sabia com antecedência o que alguém ia me dizer, no entanto não podia ler o pensamento de ninguém, e bem que eu o tentei!

             A RADIOEMISSÃO E O SOBREVÔO MENTAL, A
             MARAVILHA DOS SONS DA TERRA (OS SONS QUE NÃO   
             SÃO SONS).
3* O fato que me deixou mais perturbado foi passar a perceber que o pensamento humano provocava um zunido no ambiente (isto foi o que achei no primeiro momento). Este fato descobri depois do primeiro ”insight“; um dia após o “insight”, em Salvador, no dia 21/08/99, foi num sábado, por volta do meio-dia: entrei num supermercado em Itapoan e percebi o zunido dentro do ambiente e vindo das pessoas; fiquei atônito! Pude perceber que no local onde a aglomeração era maior, o zunido era mais intenso; não era mais alto; era somente mais intenso. Descobri também que algumas pessoas zuniam com mais intensidade que a maioria. Até hoje não consegui uma explicação para tal fenômeno (me refiro ao zunido). Pude perceber, também, que este zunido não era percebido pela minha audição; não sei como percebia aquilo; só sei que percebia. Passados uns dias, esta capacidade de perceber o zunido desapareceu. Aí eu me dei conta de que podia ter feito outras experiências, mais aprofundadas neste segmento das minhas faculdades perceptivas alteradas pelos “insights”, ou visões, ou seja lá o que tenha acontecido. Talvez já alertado para o fato, na última visão ocorrida na madrugada de 20/12/99, um pouco antes de terminar a visão, num relance, percorri toda a superfície do planeta, aí então percebi que cada povo emite um zunido diferente. Na minha passagem sobre o planeta (o que não durou mais que poucos segundos) dava para perceber claramente as fronteiras dos países, pela diferença do zunido. Neste sobrevôo, descobri algo que me intrigou! Alguns países emitiam dois zunidos distintos: Onde percebi isto claramente foi na Índia. Sei disso porque, ao longe, e do lado esquerdo, eu via a cordilheira do Himalaia com a sua cumeada toda branquinha.

4* Na Austrália pude perceber a emissão de somente um zunido. Na escala em que eu via a Terra, minha visão, ou entendimento, abarcava a paisagem de pólo a pólo, sendo a Terra esférica; não sei e não pude entender como aquilo era possível! A maioria dos países eu via em conjunto, alguns isoladamente, não sei por que. Os zunidos que a África Central emitia me pareceu de um só povo; era um só zunido, e o que mais me marcou a lembrança é que o zunido me pareceu que estava morrendo; isto me encheu de tristeza. Ao que me lembre, foi a única vez nos “insights” que experimentei este sentimento. Senti vontade de gritar! Salvem a África, pelo amor de Deus! Depois de passar sobre a África, minha percepção e entendimento do zunido aumentou. Entendi que o zunido era diferenciado porque traduzia o estado de espírito de quem o emitia. Este mapa do planeta se delineou na mente do meu "eu" interior, isto imposto pelo "eu exterior”. Sobre todo o planeta vi medo e ansiedade, medo, muito medo! Vi medo nos Estados Unidos da América, em toda a Europa, Rússia e China, ódio e rancor no Oriente Médio, fé na Índia, Nepal e Tibet; nestes países os zunidos são como faróis; nostalgia nos países Andinos, Alegria no México, no Brasil, nos países do Caribe e em algumas partes da Polinésia. Vi muita apatia nos campos da China e do Japão. Mesmo onde encontrei fé e alegria, há medo.

5* O medo e a apreensão estão destruindo aos poucos a esperança da humanidade em seu futuro. Urge que se tomem medidas práticas, para que se reverta este quadro tenebroso. Paira sobre o planeta um sentimento de ganância e falta de fraternidade. Até hoje, já passado quase um ano, ainda não consigo entender como, ao escutar aqueles zunidos, vinha-me à mente aquela idéia do estado de ânimo do planeta! Uma certeza ficou comigo: a humanidade ainda não se conscientizou de que a vida no planeta, incluindo a vida desta mesma humanidade, é um imenso e único organismo. Neste sobrevôo, tive a certeza de que o zunido não era um som, mas, sim, algo como uma energia, ou como um som de rádio, ligado na faixa de ondas curtas e, mal-sintonizado, emitindo um ruído numa freqüência muito alta. Além da percepção do ouvido humano; ao entender este fato, minha faculdade de perceber o zunido foi multiplicada por cem. Neste ponto, vi que o ato de iniciar, entender, alarga as fronteiras do próprio entendimento. O ato de entreabrir é que leva a escancarar a porta. E assim, lembro-me de que de outra vez ouvi do mesmo! - Impossível terminar sem antes iniciar! - Ele me mandava procurar obedecer à ordem natural dos acontecimentos, quando, no afã de descobrir, atropelava inadvertidamente a ordem natural dos eventos. E em pleno vôo sobre o nosso planeta, tive a plena consciência de que tudo emite um zunido intenso, em milhões de freqüências diferentes. Os continentes, os pólos, as montanhas, os vales, as matas, os cerrados, os desertos, os rios, os lagos, as vilas, as cidades grandes e pequenas, todo ambiente onde exista vida no planeta emite um zunido. Depois que vivenciei esta maravilha que ocorre com o nosso planeta, entendi como era fácil para os animais migrarem, pois a superfície da Terra era como se fosse um imenso mapa de freqüências vibratórias, diversas, constantes e imutáveis, em se tratando da parte sólida do nosso planeta. O zunido era emitido por todos seres vivos, animados e inanimados, sendo que os zunidos dos seres inanimados eram de forma diferente, era perene e uniforme, me pareceu zunidos cada um, com uma nota só. Não percebi nenhum zunido sobre o mar, exceto nas zonas costeiras, principalmente nas praias e zonas de mangue. Estas áreas geram um zunido intenso e constante.

6* Suponho que a vida sob a água deva ter outro plano vibratório. Ao raciocinar nos animais, recordo-me do fato de ter observado dois zunidos sobre a Índia. Um destes zunidos pode ser de origem animal! Na Índia, os animais vivem sob menos pressão dos humanos! Se este padrão de vibração nunca foi percebido ou detectado pela ciência do homem, é porque está do outro lado da lâmina que separa a realidade "maya" da realidade total e absoluta de que nos falam os Vedas antigos. O “eu exterior” não se referia ao “Veda”, ao “Dársana”, nem ao “Vedanta” de (500 a.C.) e muito menos ao “Sufismo” que floreceu no fim do primeiro milênio, na Índia e na Pérsia, ele se referia ao povo Veda que habitou a antiga Índia entre seis e sete mil anos atrás. Há de se observar, que, o hinduísmo é tão velho quanto a própria Índia. Na Índia como no antigo Egito, no período de (6000 a 7000 a.C.) houve uma concentração de sábios Capelinos. Origem da alta  religiosidade dos povos da  Índia, e do povo Egípcio. Os povos da Índia são os responsáveis pelo início da grande evolução espiritual dos povos da Terra, os Egípcios pelos primeiros avanços  tecnológicos, sob o manto da religiosidade iniciaram e desenvolveram a engenharia, a medicina, a astronomia, a matemática, a agricultura, e a tecelagem, etc. etc. No entanto na atualidade, talvez, eu disse talvez, somente os físicos quânticos saibam a que realidade nos referimos; só quem trabalha com a física de partículas e penetra nas profundezas do solo ou galga os altos dos montes para tentar captar partículas cósmicas,  pode ter idéia de que natureza é a vibração em referência. Na realidade, é impossível perceber o imperceptível. Não podemos esperar que um humano que possui seu exclusivo plano vibratório entenda esta realidade planetária. 

             (O PARADOXO) QUANTO MAIS SE APRENDE MENOS SE
               SABE
7* Depois de tudo isto relatar, fiz referência somente a uma pequena parcela dos fatos ocorridos durante os três “insights”. É incrível! Ao invés de minhas indagações, dúvidas e incertezas terem sido diminuídas, aumentaram! Embora minhas cem antigas perguntas tenham sido respondidas, estas cem respostas geraram outras mil perguntas, que agora se acham sem resposta. É o eterno paradoxo dos humanos: ao se resolver um enigma, criam-se dez novos enigmas. Isto aumenta minha certeza de que sou menor do que penso que sou! À medida que vamos decifrando os segredos do Universo, vamos progressivamente nos tornando menores em conhecimento, de forma que nosso avanço no desvendar, crescerá numa progressão aritmética, e nosso avanço no desconhecer crescerá numa progressão geométrica. Isto é real em todo ramo do conhecimento humano: quanto mais se avança numa área, menos se conhece naquela área, e teremos de conviver eternamente com este paradoxo (enquanto existirmos como espécie). Quando esta idéia me foi imposta, de imediato lembrei-me de Malthus: depois de mais de cento e sessenta anos de sua morte, ele ainda está presente na idéia de uma entidade Cósmica!
  
             A PERPETUIDADE DA VIDA NO UNIVERSO
8* A vida é eterna e cíclica em termos cósmicos. Três fatores perpetuam a vida no Cosmos, como a vida no Cosmos se apresenta nas mais diversas formas e comportamentos! A melhor maneira de perpetuar estas diversas formas de vida é isolando-as, e o melhor isolamento é a distância, sendo a distância o primeiro fator perpetuador. O isolamento pela distância é imenso entre as diversas formas de vida e só há uma maneira de quebrar este isolamento: esta única maneira é o desenvolvimento tecnológico, e só existirá pleno desenvolvimento tecnológico se ele for acompanhado do segundo fator perpetuador, que é o desenvolvimento espiritual ou moral. Se não houver desenvolvimento espiritual ou moral, qualquer sociedade inteligente e em início de desenvolvimento no Universo ou tende a se autodestruir ou a nunca alcançar pleno desenvolvimento tecnológico, e, assim, nunca conseguirá quebrar o isolamento imposto pelas distâncias colossais que separam as diversas formas de vida existentes em um número infinito de mundos habitados.  Estes dois fatores perpetuadores demonstram de forma cabal a infinita inteligência do "Criador". Estas condições tornam eterna a paz entre as diversas inteligências do Universo. O terceiro fator perpetuador é o que perpetua o próprio Universo; é o ciclo, singularidade, inflação, Big-Bang, expansão, contração, e de novo, singularidade, inflação etc. São estes três fatores que tornam a vida eterna e cíclica em todos os infinitos Universos existentes.

        A GRANDIOSIDADE DA CONCEPÇÃO DA ETERNIDADE,    
       ONDE PREVALECE A MAIS SINGELA SIMPLICIDADE,
       NUM UNIVERSO DE UNIVERSOS.
9* No término do primeiro “insight”, foi-me dito que existiam muitos Universos! Ao pensar ou “inquirir” como seria um Universo de Universos, esta idéia me foi imposta: em forma de imagens, de uma beleza infinita e deslumbrante. Assim, de pronto, delinearam-se em minha mente estas imagens. Vi um número infinito de esferas luminosas e pulsantes, nas mais diversas dimensões. Parte destas esferas era visivelmente em fase crescente, outras, em fase decrescente. Tentei sair do Universo de Universos, mas não consegui! Pareceu-me que este Universo de Universos ou TUDO, como ele o chamou, era infinito; em qualquer direção que me dirigisse, só encontrava o infinito pleno de esferas luminosas. As esferas crescentes eram sempre luminosas; as esferas em fase decrescentes também eram luminosas, mas só até atingirem a dimensão aproximada de 1/5 do seu diâmetro maior, ou menos um pouco. Ao alcançarem 1/5 de seu tamanho máximo, elas se apagavam; parecia que repentinamente absorviam toda a luz em seu redor, desaparecendo como esfera luminosa, passando a ser uma esfera escura, sem emitir nenhuma luz. No entanto todas continuavam visíveis e ainda em fase decrescente, sendo iluminadas pela luz das outras esferas crescentes. Ao decrescerem e alcançarem um tamanho diminuto,  quase imperceptível, e logo voltarem a uma nova fase crescente escura; repentinamente, explodiam em luz. Minha visão abarcava uma área muito extensa do TUDO e era como um pipocar de luzes. Este mundo de Universos era tremendamente dinâmico, aí, sim, encontrei um mundo isotrópico e homogêneo. Os Universos eram aproximadamente eqüidistantes e em constante movimento.  Era um mundo de luz, com um som bem audível; este som era o mesmo da radiação de fundo do nosso Universo! Era o mesmo som do Mantra, só que, inconcebivelmente mais sonoro. Esta foi a última e a mais majestosa visão que tive no primeiro “insight”. Naquele instante, lembrei-me das afirmativas de Jesus Cristo, “EU SOU A LUZ”. João 8,12 e 12,46. Quantos mistérios nestas palavras! Esta linguagem de imagens foi utilizada por diversas vezes nos “insight”, mas esta foi a mais deslumbrante e elucidativa de todas.  Ao findar esta visão, comecei a escrever, relatando os fatos ocorridos no “insight”, mas, naquele instante, só estava interessado na faceta científica e cosmosgônica da visão. O dia estava amanhecendo; foi aí que adentrei o quarto do meu filho para comentar o curto texto recém-escrito. Ainda possuo este texto original, no qual não relatei estas visões do Universo de Universos. Não só esta, mas dezenas de outras não foram mencionadas.

10* Mesmo agora não relato tudo o que vi; lembro-me que tentei de todas as formas ter uma visão externa do TUDO; ele era infinito em todas as direções; era impossível ter uma visão externa ou sair do Universo de Universos, embora mesmo que só com a mente! Que grandiosidade! É de arrepiar. Até hoje só consigo concebê-lo internamente, não conseguindo ter uma visão externa do TUDO, por mais que tente. E o som? Inconcebível! Há pouco tempo ouvi o som do Mantra gravado por um coral de monges; parece-me feito para um filme; lindo, mas é só um pálido reflexo do verdadeiro som dos Universos. À noite, é só me concentrar no assunto e escuto “relembro” claramente o som Divino. A tentativa de transcrever o que vivenciei fica por aqui mesmo. É impossível dizer o indizível, relatar o “irrelatável” ou até mesmo pensar o impensável. Tive visões nos “insights” sobre outros assuntos, mas que vão morrer comigo, sendo impossível descrevê-las com palavras. O que sempre me deixou impressionado foi a duração dos “insights”! Cada um de “per se” teve, com a mais absoluta certeza, a duração de não mais que poucos segundos. Acredito que o “tempo” como nós o percebemos é uma ilusão, não representa a realidade do existir universal, mesmo porque, o tempo é relativo e não absoluto!  Isto instintivamente o percebemos. Que o diga, os que esperam e os confinados. 

Edimilson Santos Silva Movér 
Itacaré, agosto de 1999

A rememoração dos “Insights” não se deu de imediato, nem em ordem cronológica, ficou muito difícil situar as lembranças dentro do tempo, e a qual “Insigth” pertencia, as separei pelos assuntos, e nunca pude saber se eu estava certo quanto a isso.
    

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