segunda-feira, 30 de julho de 2018

O SILÊNCIO - POESIA



O SILÊNCIO                                                  


O silêncio dói muito mais que um grito ensurdecedor!
O grito fere os ouvidos! O silêncio nos mata de dor...

Urro ensurdecedor, no silêncio o grito,
Tange as fibras da alma, seu diapasão!
Silencia as vozes e, eu em prece contrito
Num orar silente a pedir o teu perdão.

Brames em silêncio na orla do absurdo,
Vãs as últimas esperanças de te escutar!
Nunca mais te ouvindo estarei surdo?
Ver-te e não te ouvir, isto dói até matar. 

Nunca te escutar, pior que te ouvir,
Afonia a golpear o Ser de forma brutal
Fere ao martelar sem som até exaurir
A resistência da alma, anseio já banal.

Maldito silêncio que fere e contradiz
O ouvido a escutar sons infinitesimais,
Parece grito inumano que dá o infeliz
Um anti-som a vibrar nos espaços siderais.

Grito inaudível que na minha alma ressoa,
Indiferente, o silencio põe-me a imaginar!
Ver e não te ouvir, por onde tua alma voa?
Pensa em algo, talvez pudesse te escutar.

Mutismo da tua voz, no silêncio o grito!
Acorda minha alma já no leito funeral
Sepultaste o som sob lajes de granito
Poder terrível tem este silêncio sepulcral.

Donde falas, que dizes que não te escuto!
Tudo em torno de mim é miragem da tua voz,
Tu não emites um som, e eu já coberto de luto
No silêncio maldito que escuto de forma atroz...

Vitória da Conquista, Ba. - 16 de janeiro de 2007
Edimilson Santos Silva Movér

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