terça-feira, 24 de julho de 2018

CARTA A NINGUÉM - Obra 21 ENSAIO



15 Sétimo ensaio

 

CARTA A NINGUÉM

          

                                                      Sapere aude! Kant.

Et loqueris per essentiam, pauper philosophorum! Diderot.

Esta é a carta da “essência” das “essências” desta mesma carta...
E o tema é sua relação com a mecânica quântica (MQ).
Prezado Ninguém,
1* Tomei a liberdade de mudar o tema prometido para esta segunda carta! Disto tratarei no fim desta! Assim, remeto-te, neste momento, uma análise da tríplice essência de três coisas, neste caso em particular, duas se nos apresentam com aspecto material e uma, em seu aspecto intrínseco é notadamente imaterial. Esta carta, em sua essência material, nada mais é que uma combinação de moléculas compostas de átomos de vários elementos naturais, após sofrerem diversas reações químicas – eis de que é formada materialmente esta singela carta. Aparentemente composta de dois elementos materiais, tinta e papel, na realidade composta por três elementos, os dois primeiros aparentemente materiais! (tinta e papel) e um terceiro completamente imaterial (minha mente)!
2* Meu preclaro Ninguém, em última instância, a textura semântica desta carta será elaborada por minha mente com a intenção de te oferecer uma abordagem estritamente semiológica e apor lógica no que nela será escrito! Pois, somente por uma mente isto é factível de se fazer, como uma mente qualquer o é; esta carta é, foi e sempre será algo cem por cento imaterial. Esta carta é fruto de absolutamente nada (“nada” no sentido da imaterialidade da tinta e do papel e da imaterialidade da coisa, “da mente”). No entanto, poderia ter sido escrita por um computador, mas, mesmo se tivesse sido composta por um computador de última geração, continuaria sendo fruto de uma mente, pois o programa contido na memória do computador foi elaborado por uma mente humana. Mesmo se o programa tivesse sido elaborado por outro computador, este computador possuiria um programa que teria sido elaborado por um programa fruto de um programa fruto de uma mente humana, “ad infinitum”.
3* Adiante abordarei o aspecto imaterial da tinta e do papel. A Física quântica pode ser abordada sob vários enfoques! Vejamos como esta nova ciência influenciou o nosso existir. A real estruturação da Física Quântica tomou assento, isto é, teve estabelecidos seus princípios nas três primeiras décadas do século passado. Quase todo nosso conhecimento da intimidade da matéria está estribado nos conceitos quânticos do comportamento das partículas subatômicas, dos átomos e das moléculas. O comportamento das partículas é tão estranho que um físico do calibre de Einstein discordou dos postulados da mecânica quântica até a sua morte, e muitos de seus colegas também discordaram. Na época, existiam duas correntes, "correntes ou escolas": a escola (A) defendia o postulado de que a descrição quântica do objeto seria sempre incompleta, não podendo prever valores exatamente mensuráveis. Esta escola (A) tinha Einstein, Rosen, Schrödinger e Podolsky à sua frente.  Já a escola B postulava que os valores dessas grandezas (das partículas) não existiriam, só passando a existir após a sua mensuração. Assim, a medida criaria ou definiria os valores. Algo meio complicado, mas é assim que funciona a coisa; não seria realmente criar este valor, mas, à medida que fosse analisada, seriam criadas condições para revelar uma propriedade da partícula, propriedade esta já preexistente. Entenda um rolo deste meu caro Ninguém! Este grupo de físicos da escola (B) era encabeçado por Heisenberg (o da incerteza) e Niels Bohr (o das órbitas dos elétrons) e, seguindo estes dois físicos, estava a maioria dos físicos da época. Era a famosa e conhecida escola de Copenhague.
4* A mecânica quântica de hoje é a da velha escola de Copenhague. Embora com postulados estranhos e aparentemente incoerentes, sempre prevaleceu como física de partículas, nunca pôde ser contestada em seus experimentos, análises e resultados. É graças à MQ que, atualmente, possuímos a televisão digital, o raio “laser”, os celulares, os fornos de microondas, os computadores, os “mptudo”, as formidáveis máquinas de análises médicas (ressonância magnética, Doppler, ultrassom, tomografia etc.) e o famoso telescópio Hubble), que nos revelou o espaço profundo.
5* Meu caro Ninguém, conhecidíssimo como pessoa nenhuma, os conceitos estabelecidos da MQ são tão estranhos que mais nos parecem metafísica ou magia, e não ciência. No entanto, pode-se afirmar que a MQ é a mais perfeita verdade axiomática, é a teoria científica mais acertada, perfeita e útil já elaborada pela mente humana. Meus conhecimentos na área são parcos, embora já lide com esses conceitos desde fins da década de 50 do século passado. As coisas da MQ são tratadas com palavras que, às vezes, não as encontramos nos dicionários. E os argumentos! Gato de Schrödinger, argumento EPR são os argumentos da escola A; e os que se seguem, da escola B: Funções de onda, descoerência, contextualismo, TVO, tunelamento quântico, princípio de localidade, princípio de complementaridade, e por aí vai!

6* Meu caro Ninguém! Sei que esta não é a tua seara, nem a minha! “Mas, te prometi na primeira carta que, nesta, abordaria o tema (O “Ser” e a física quântica). No entanto, aqui só faço referência à quantização desta carta! Olhe que eu estou passando por cima, sobrevoando, tocando levemente na superfície da questão. Para tratar com mais profundidade deste assunto, eu teria que ser um “scholar” no assunto, e aqui em Conquista só conheço um “scholar”, o professor e amigo Ubirajara Pereira De Brito, físico nuclear e engenheiro civil. Parte de sua pesquisa científica (do Bira) foi na área da Física quântica. Embora não conheça seus trabalhos ou artigos publicados ou escritos sobre o assunto, sei que suas pesquisas versam sobre algo de muita importância! A tecnologia dos “ecrans”, das telas dos nossos televisores e dos monitores dos computadores, que se fundamenta no comportamento de um efeito a que os cientistas denominam de luminescência catódica, é um dos temas dos estudos do Dr. Ubirajara, creio que os fez na Université Orsay, Paris sud, na cidade d’Orsay, no seu laboratório de física, quando exilado na França. A luminescência é provocada pelo bombardeio eletromagnético de um meio físico como os “ecrans”. Há a luminescência natural que também é conhecida como fluorescência ou fosforescência, nesta o exemplo mais comum é o pirilampo, neste caso trata-se da luminescência química.

7* Ninguém, vou tentar te dar uma ideia do que seja realmente a luminescência. A luz visível nada mais é do que a radiação eletromagnética na faixa de ondas de 4.10-7m até 8.10-7m. Segundo a área da física que estuda a luz, a ótica, luminescência pressupõe uma coisa qualquer a emitir essa luminescência, e essa "coisa qualquer" nada mais seria que os átomos de que a matéria luminescente é feita. O homem sempre conviveu com a luminescência, a exemplo dos insetos, alguns materiais terrosos, algumas águas vivas na superfície do mar, nas profundidades são uma miríade de animais fosforescentes. Em 1603, um alquimista italiano, de nome Vincenzo Cascariolo (1571-1625), observou intensa emissão de cor azulada na queima de um minério conhecido como barita (sulfato de bário) e o denominou de fósforo de Bolonha. Vemos, assim, que convivemos com a luminescência desde muito tempo.
8* Caro Ninguém da Silva e Tal, no entanto a "coisa em si" é ligeiramente mais complexa! Já falamos da luminescência química. Há, ainda, a radiação térmica quando, principalmente, os metais, ao serem aquecidos, emitem luz na forma de radiação! Aí, quando a temperatura atinge altas taxas e emitem luminescência. Quanto mais rápidas se movem as partículas (átomos e elétrons), parte da sua energia cinética, na forma de excitação destes átomos é liberada em forma de luz. É o mesmo caso da eletroluminescência, só que esta, se dá num meio gasoso, quando provocamos descargas elétricas em alguns gases, os elétrons rápidos sofrem choques não elásticos com os átomos do gás, que liberam energia na forma de ondas luminosas. Assim é liberada luminescência no âmbito do gás, é isso que vemos nos anúncios luminosos que conhecemos como tubos de neon. Há ainda a fotoluminescência, que pode “Ser” entendida como a propriedade de alguns materiais de, ao receberem irradiação direta da luz, absorver parte desta luz e irradiarem luz num comprimento de onda superior ao comprimento de onda da luz que sobre eles incida – este fenômeno é utilizado nas tintas de alguns materiais das árvores de natal, mas sua maior utilização é na área da iluminação, e que chamamos lâmpadas de luz natural. Estas lâmpadas estão muito em voga atualmente, pois a indústria conseguiu produzi-las por preços mais accessíveis; você mesmo as utiliza em sua moradia, se é, que ninguém tem moradia! Estas lâmpadas são de três a quatro vezes mais econômicas que as antigas lâmpadas incandescentes.
9* Meu preclaro Ninguém, vejamos agora a abordagem quântica dos materiais físicos de que é feita esta singela "missiva". Viu, sou antigório, do tempo da "missiva"! Naturalmente, ela é feita de tinta e papel! Para que você entenda melhor de que são feitos a tinta e o papel desta carta, vou tentar te contar de maneira sucinta a história da Física de partículas, isto é, a história da Mecânica Quântica, simplificando: MQ.
10* A feitura desta carta começou há muito tempo, digamos há 13,81 treze bilhões e oitocentos e dez milhões de anos (segundo a Cosmologia moderna). Este conhecimento teve início com a descoberta de um astrônomo americano em 1932.  O nome deste cientista jamais será esquecido pela humanidade, no decorrer dos séculos que virão! Ninguém! Não repare se encontrares esta mesma história, embora com outras palavras, contada em outro escrito meu, adoro contá-la, o faço sempre como um exercício de aprendizado. Como ia dizendo, em 1932, o astrônomo Edwin Powell Hubble, analisando a luz vinda de galáxias distantes (as galáxias foram descobertas na década de 20 do século passado), fez uma descoberta extraordinária. Ele descobriu que todas as galáxias estavam se afastando umas das outras, portanto o nosso Universo estava em expansão, o que deixou em estado de excitação toda a comunidade científica, especialmente a da área da Cosmologia. Agora vamos direto à origem dos átomos da nossa carta! Ora, se o Universo está no momento em fase de expansão, retroagindo esta expansão, chegamos num ponto em que o Universo estava todo contido num único ponto. Num ponto a que a Cosmologia chama de singularidade. Portanto chegamos ao nascimento do Universo. A NASA, considerando a constante de Hubble corrigida para um valor de 71 (setenta e um km) por segundo por megaparsec, a idade do universo é de 13,7 bilhões de anos, isto para um universo esférico com o foco em nosso sistema solar. Tudo começou portanto, segundo estes cálculos, há treze bilhões e setecentos milhões de anos.
11* A ciência da Cosmologia, se vê, nalguns aspectos, com seríssimas dificuldades, para estabelecer padrões e valores para uma conceituação adequada das dimensões do Cosmos! Mesmo sendo estudada por órgãos com a envergadura da NASA. Assim, segundo a teoria do Big-Bang, o universo observável é uma região esférica e limitada por um raio de 13,7 bilhões de anos luz. Atente, para o fato de que aqui estamos tratando do universo observável! E não do universo possível de existir e ainda não observado. Lembrando ao leitor, que cada posição dentro do universo tem (lógico, seu próprio centro), e seu próprio universo observável. A coisa não é tão difícil de perceber. O observável em questão, não tem relação com o fato da tecnologia utilizada venha a permitir ou não, a detecção da radiação de um objeto contido no extremo desta região. Na verdade só podemos observar objetos até a superfície da última recombinação, acontecida algo em torno de 378.000 (trezentos e setenta e oito mil anos), após o Big-Bang, a recombinação produziu os primeiros átomos de hidrogênio, sem átomos, não há elétrons, sem elétrons não há fótons, sem fótons não é possível nenhum registro. Portanto, antes da recombinação o universo era ausente de fótons e completamente escuro. Nos dizem os cientistas da NASA que tornou-se possível inferir informações e dados ocorridos antes da última recombinação, através da detecção das ondas gravitacionais previstas por Albert Einstein em 1916. As ondas gravitacionais só foram detectadas muito recentemente. A primeira detecção deu-se em 14 de setembro de 2015.
12* Como na época anterior aos 13,7 bilhões de anos, mais os 378 mil anos da recombinação, tudo que existia no Universo estava contido num ponto menor que o núcleo de um átomo, este estado do Universo, a ciência chama de "singularidade", pois todo o Universo estava uno, contido num só ponto, não havia pluralidades em nada, era então um Universo singular, uma singularidade, deu para entender? Deduz-se que, neste estado, não havia nenhum átomo dentro da singularidade. Tudo que havia neste estado de singularidade era todo o Universo em forma de energia concentrada. Sempre imagino a singularidade como sendo o pai dos pais dos buracos negros! Assim tudo que existe nos dias de hoje, incluindo os átomos de que é feita esta carta (tinta e papel), passou a ter existência a partir da recombinação depois do Big Bang. Eles surgiram, talvez, a uns trezentos e setenta o oito mil anos depois do Big Bang, quando iniciou a formação dos átomos que formariam a as galáxias, as galáxias, as estrelas, depois os planetas, entre eles a Terra, e por fim estes seres orgulhosos e estultos que se nominam de “homo sapiens sapiens”. Particularmente, eu não vejo onde se esconde esta sapiência! Talvez detrás de 17 mil ogivas atômicas...
13* Caro Ninguém, viu o quanto esta nova carta é velha? Agora vamos tentar compreender de que estes átomos são formados! Melhor, vamos ver como a humanidade descobriu de que é formada a matéria de que é formado o nosso Universo e de que também é formado o material da nossa carta. Este conhecimento começou na Grécia antiga, quando um filósofo pré-socrático de nome "Leucipo" propôs que tudo que existia no mundo era formado de minúsculos grãos que não podiam ser partidos e os chamou de átomos, isto é, "indivisíveis". Um aluno seu de nome "Demócrito" aperfeiçoou e estruturou a teoria atomista de "Leucipo". Por ser de difícil aceitação, a teoria de "Leucipo" demorou bastante para ter as suas primeiras comprovações.
14* Meu ilustre Ninguém, vamos agora tentar fazer uma viagem dentro do átomo, para vermos o quanto um átomo é imaterial. Vejamos o que é realmente um átomo! Atualmente, os cientistas já se conhecem “quase” tudo dos átomos. Supõe-se que os primeiros átomos que surgiram no Universo após o Big Bang tenham sido os átomos do hidrogênio. Caro Ninguém, você vai ter que se acostumar com o verbo "supor", pois, na história da formação do Universo, quase tudo, senão tudo, é "suposto". Mas o que tem a história da formação do Universo com nossa carta? Tudo meu caro, Ninguém! Pode parecer que não, mas os átomos que formam as moléculas desta carta são originários do hidrogênio primitivo formado na última recombinação, no início do Universo. No princípio, as estrelas primordiais ou de primeira geração continham somente os elementos primevos, como: hidrogênio, hélio, lítio berilo, boro etc. ou, talvez, somente os dois primeiros; o restante dos elementos de que nós somos constituídos só surgiu nas estrelas de segunda ou de terceira geração como o nosso Sol. Entendido estes conceitos, vamos agora à intimidade dos átomos. Um átomo qualquer de hidrogênio é constituído de um núcleo composto de um próton um antipróton um nêutron e um antinêutron, um elétron e um antielétron ou pósitron. Recentemente, descobriram mais uma partícula a que chamaram de pentaquark – aqui não trataremos do pentaquark –; a Física de partículas sabe muito pouco sobre esta partícula. Particularmente, eu não sei nada. Aqui tomaremos como modelo o átomo do hidrogênio, que é constituído por um núcleo e um elétron que o circunda, sendo que, no núcleo, há um próton e um nêutron. Um elétron é uma partícula com a seguinte estrutura: massa de repouso: 9,1083 x 10-31 kg; carga elétrica: − 1,602 x 10-9 C; Spin: 1/2 –h-barra.  O elétron possui uma antipartícula, da qual já tratamos, chamada pósitron. O pósitron já era previsto por Paul Dirac, e sua existência foi confirmada na década de 1930 pelo físico americano Carl David Anderson descobriu o pósitron, O  pósitron é a antipartícula do elétron e possui massa de repouso e spin iguais aos do elétron, carga elétrica de mesmo módulo e sinal contrário. O próton é um núcleon e possui massa 1836,12 vezes a massa do elétron tendo o mesmo spin e carga de sinal contrário. O antipróton foi descoberto em 1955. Já se suspeitava que existissem outras antipartículas desde a observação do pósitron em 1932 por Carl David Anderson. O antiprótron possui a mesma massa e spin que o próton, mas carga de sinal oposto (sinal negativo). O nêutron possui carga nula, massa 1836,65 vezes a massa do elétron. Um nêutron pode se desintegrar dando origem a um próton, um elétron e um neutrino, apenas quando está livre (fora do núcleo). O antinêutron possui exatamente as mesmas características do nêutron, mas organização interna diferente. Um nêutron é composto de um quark up e dois quarks down. Logo, imagina-se que o antinêutron seja formado por um antiquark up e dois antiquarks down. Simplificando: o núcleo de um átomo de hidrogênio possui um prótron, um nêutron e um pentaquark. Meu caro Ninguém,  tudo que foi dito acima, com todos estes detalhes técnicos, não nos dão uma ideia do que realmente seja um átomo!... Para sanar um pouco esta dificuldade, um físico  criou uma imagem ampliada de um átomo simples como o de hidrogênio. Se ampliarmos um átomo em que o núcleo passe a ter 30 cm (trinta centímetros) de diâmetro, portanto do tamanho de uma pequena bola de futebol. O seu elétron terá sua órbita a 500 m (quinhentos metros) de distância do núcleo, assim este átomo terá um diâmetro de 1 Km (um quilômetro), então podemos imaginar o quanto há de espaço vazio dentro de um átomo. Como a tinta e o papel desta carta são feitos exclusivamente de moléculas formadas por átomos, podemos imaginar que esta carta é feita quase que 100% de nada, ou seja, de espaço vazio. Então, se víssemos nossa carta como realmente ela é, a veríamos como um ente transparente... É por issso que os Vedas na antiga Índia já diziam que o mundo era “Maya”, ou seja, uma ilusão...
15* Caro Ninguém, como você pôde ver, o elétron quase não tem massa; tem 1836 vezes menos massa que o próton e também 1836 menos que o nêutron, e, como estas duas últimas partículas são formadas pelos quarks Up e Down e como um conjunto de três destas partículas em qualquer combinação, mesmo tendo 1836 vezes mais massa que um elétron, é tudo que é necessário para se fazer um Universo!  Aqui não trato do pentaquark, não sei nem mesmo se ele existe! Meu caro Ninguém, a física de partículas (ou seja a Física Quântica) nos diz que os quarks são literalmente formados por energia e que, portanto, não são materiais. Ora! Meu preclaro Ninguém de Tal, se os átomos são formados por quarks que não são materiais e se as páginas desta carta são formadas por átomos que, por sua vez, são formados por quarks, então esta carta literalmente é imaterial e, portanto, não existe! Só resta nela o meu pensamento, que, por ser também imateria! Mas amigo Ninguém! O que seria a matéria de que é feita nossa carta? Vejamos! Segundo uma configuração criada pelos físicos, e que denominaram de Modelo Padrão, as partículas de que é formada toda a matéria é composta por 12 partículas, os 6 (seis) tipos de quarks, ou bárions ou hádrons, que são o que chamam partículas pesadas, e os 6 (seis) tipos de partículas chamadas de léptons, que são as leves, sendo todas, indivisíveis. Descobriram que estas partículas não possuem em si o que chamamos de massa. Só passando a ter massa quando interagem com o campo de Higgs, mesmo quando passam por este campo sem interação, continuam sem massa, e então não agem como matéria, e obviamente não existem, isto, materialmente falando! Assim dou plena razão ao caro amigo por ter tanta resistencia em não querer ler uma coisa que não existe!... Ou não tivestes tal resistência?
16* Caro Ninguém, na primeira carta, te prometi fazer nesta segunda uma abordagem do “Ser” quântico, no entanto como já tinha escrito um outro ensaio com o mesmo tema, a que intitulei “Uma pálida e surreal visão quântica do “Ser”, resolvi fazer esta segunda carta com o tema da quantização da carta em si! Espero, com isso, facilitar o teu entendimento do quanto a Física quântica tem a ver com a nossa carta e com o nosso viver cotidiano. Espero que consigas lê-la! Se é que Ninguém lê! Passei boa parte de minha vida estudando algo que não interessa à maioria das pessoas! Espero que tenhas algum interesse...
17* Desta vez, caro Ninguém, tenho "quase" certeza de que não tomei o vosso tão precioso tempo, pelo simples fato de que Ninguém é dono do tempo.
Isto, nos lembra um trocadilho! Huum! Talvez...
(No início desta missiva tomei duas frases notáveis de dois notáveis filósofos), para com elas abrir esta carta a Ninguém! Na primeira, segundo Immanuel Kant, nos diz que aqueles que não ousam saber! Não desenvolvem o intelecto! E na segunda Denis Diderot, já preconizava a dificuldade para se atingir a essência das coisas.

Vitória da Conquista, BA, 25 de fevereiro de 2008.


0 comentários:

Postar um comentário