terça-feira, 24 de julho de 2018

A LÓGICA INDISTINTA OU PRIMITIVA - Obra 21 ENSAIO



17 Quinto ensaio

A LÓGICA INDISTINTA OU PRIMITIVA

 Um dia um hominídeo,
 no alvorecer do homo sapiens,
 deu de cara consigo mesmo...

1* Neste singelo ensaio, faço uma rápida digressão sobre os atributos pertinentes a algumas lógicas consagradas “até hoje” pela nossa filosofia. Primeiramente, vejamos o que ficou estabelecido como real conceito de “lógica”.
2* Para o verbete “Lógica”, encontramos a seguinte definição: “Lógica”: - parte da filosofia que trata das formas do pensamento em geral, (dedução, indução, hipótese, inferência etc.) e das operações intelectuais que visam à determinação do que é verdadeiro ou não.
3* – Lógica, no entendimento da “coisa em si” isto é; “no aperceber à priori”, é o fato ou evento mais acertado, numa análise que exclua da “coisa em si” o fato menos acertado ou incoerente, sendo a lógica um ente dual.
4* Para iniciar, vejamos a lógica do princípio do terceiro excluído, que por si é o princípio da não contradição das ideias. Uma ideia ou é verdadeira ou é falsa; assim, não deverá existir uma terceira possibilidade. Assim “Pedro nasceu ou não nasceu”; ele não pode “ter nascido e não ter nascido”; não há definitivamente uma terceira possibilidade, há somente duas. Assim, não posso afirmar que Pedro nasceu e não nasceu, pois só poderá não ter ou ter nascido, ou Pedro nasce ou Pedro não nasce, ficando excluída a terceira hipótese. Deve-se observar que a lógica é pura forma, não tem qualquer conteúdo nem qualquer relação com a realidade necessária e sensível. Portanto, a lógica é “noumênica”. O conteúdo dos exemplos dados acima, na explicação dos princípios da lógica foi apenas para um melhor entendimento das regras do raciocínio lógico do terceiro excluído. Sendo a lógica um “ente” dual, teremos que a compreender como um ente de dois resultados, pois, indistintamente, ela sempre será assim! Em certos casos, encontraremos a lógica residindo no fato errado da análise.
5* Explicitado este conceito, veremos adiante como nossa filosofia (conhecimento, episteme, etc.), trata esta necessidade ontológica, desde as mais primitivas ações dos “seres”, principalmente no seu alvorecer como “seres” pensantes. Com certeza, espera-se que estas ações por si sejam dotadas da aplicação da lógica, sob pena do desaparecimento do “ser” como espécie. A existência natural deste procedimento lógico, logo nos primeiros atos dos “seres” pensantes é inquestionável! A razão nos diz que os “seres” que agissem com menos lógica teriam, num grau extremamente alto, maior probabilidade de desaparecer como espécie do que os ditos “seres” usuários das ações mais lógicas. Estou tratando, aqui, dos “seres” sencientes no alvorecer do seu agir como “seres de razão”, abandonando os atos instintivos que os levava naturalmente, à preservação da sua espécie. Os primeiros atos de “razão” possuíam, em si, intrínseco e altíssimo porcentual de risco, pois eram decisões alheias ao instinto. Não se pode abandonar o instinto sem estar exposto a estes riscos. Isso aconteceu quando as duas espécies, neandertallensis” e cro-magnonensis”, mais estiveram sujeitas aos perigos da extinção! Existe um gargalo na existência dos humanos, ocorrido há, aproximadamente, 250 mil anos. Antropólogos e paleontólogos buscam explicação para este quase desaparecimento das duas raças, num desastre global de fator físico: erupção simultânea dos vulcões ao longo das placas tectônicas, pandemias viróticas, desastres de proporções menores que o do meteoro de Yucatlan... Não seria o caso de se pensar no ato da adoção da lógica e no abandono do instinto pela espécie, em sua transição de hominídeo para “homo sapiens”? Dá para pensar! Não sei como escapamos nesta fase! O segundo a paleoantropologia o desastre de 250 mil anos, ocorreu no princípio da transição da aquisição da lógica pelo homo erectus e o consequente abandono do instinto. 
6* Abandonando os atos instintivos, nossos avôs desde, mais ou menos, 250.000 (duzentos e cinquenta mil) a 200.000 (duzentos mil) anos atrás, estiveram (diferentemente do que se pensa), sujeitos aos reais riscos do uso de uma ferramenta pouco desenvolvida e que, na maioria das vezes, implicava na exposição da segurança total de si mesmo e do grupo a que pertencia.
7* O raciocínio criou o livre arbítrio no “Ser” como função independente do instinto, levando-o, em época antiquíssima, a agir com “lógica”, sob pena de desaparecer. Friso, aqui, que desconheço completamente e a nada posso atribuir o motivo desse abandono repentino dos atos instintivos. Num enfoque mecanicista, a antropologia nos faz crer que o motivo primeiro desta mudança tenha raízes no aumento do tamanho da caixa craniana e no natural aumento do cérebro e, consequentemente, no aumento do número dos neurônios de nossos primeiros antepassados inteligentes. No entanto, esta mesma antropologia associada à paleontologia nos afirma que o crescimento do receptáculo da massa encefálica deu-se de forma lenta, gradual e constante. Para nos confundir mais o entendimento, só foram detectados atos inteligentes e elaborados nos fósseis dos nossos antepassados a partir de 250.000 (duzentos e cinquenta mil) anos atrás. Ora! Esta proposição nos confunde! Não seria mais lógico, óbvio e natural que os atos inteligentes estivessem registrados e marcados de forma crescente nos registros fósseis, ao longo do existir dos hominídeos, classificados como “homo erectus” e que nos precederam, acompanhando o crescimento do receptáculo craniano, e não somente a partir dos 250.000 (duzentos e cinquenta mil) anos atrás? A lógica que sofre esta indistinção, a que me refiro, está longe da lógica moderna, e sua indistinção permaneceu por milhares de anos até se tornar distinta. Naturalmente esta lógica adveio com a experiência e se desenvolveu ao longo do existir do homo sapiens. Naturalmente ele não se tornou lógico da noite para o dia; o aprendizado foi longo até se tornar um “ser” lógico e a passar este saber paulatinamente aos seus descendentes, saber este, representado pelo conhecimento adquirido, fruto da lógica. Concomitantemente com o aprendizado do uso da lógica, elaboraram uma fala consistente, fator ou resultado maior do seu desenvolvimento cerebral. Aqui trato da lógica indistinta utilizada por nossos avôs para sua sobrevivência. Até hoje aprendemos com a experiência diária, e é fácil ver os humanos modernos, “ditos” tecnológicos, cometerem diversos erros ao se aventurarem pelos campos e florestas, embora já com a lógica fazendo parte do seu proceder!
8* No alvorecer do homo sapiens, esta lógica não podia falhar; os procederes ilógicos ou “erros” frutos dessas ilógicas nunca são cometidos mais de uma vez. Até as crianças aprendem rapidamente. A paleontologia busca e não encontra traços ou vestígios de procederes lógicos nos nichos fósseis dos “hominídeos” em épocas anteriores a 250.000 (duzentos e cinquenta mil) anos. Mesmo em épocas mais recentes do caminhar do “homem lógico” pelo planeta, há poucos vestígios de atos lógicos. Daí a indistinção da lógica existente e utilizada em nosso passado. A lógica dos nossos antepassados tem uma conotação diferenciada da lógica do homem moderno, e não poderia ser diferente. A atitude ou o aspecto lógico de um proceder do ser no seu alvorecer como pensador só dizia respeito a seu “eu” (ele e seu meio circundante), e nada mais. Para desenvolver seu pensamento crítico, ele só tinha dois parâmetros de avaliação: ele, representado pelo seu “eu”, e o “restante” existente no meio que o circundava, isto é, tudo que compartilhava o seu existir, tudo mesmo, o meio ambiente e principalmente os seus semelhantes, embora estivesse, talvez por motivo de sobrevivência e instinto, ainda não completamente abandonado, inescapavelmente ligado ao grupo a que pertencia. Esta lógica natural é a chamada lógica experiencial, que dificilmente é transmitida ao observador circunstante ou próximo. Parte desta lógica, “suponho”, foi herdada de seu instinto natural de preservação. É a chamada lógica natural, que até hoje todos possuímos. Quem retorna um dedo à chama, depois de sentir “queimado” o dedo?  A outra lógica a que me refiro requer raciocínios mais elaborados; ao se dar um primeiro salto sobre um abismo, o cálculo mental não pode conter nenhuma dúvida ou erro, pois não haverá uma segunda chance – errou, morreu! Agora estou tratando de nossos ancestrais de 250 a 200 mil anos atrás! E não estou me referindo ao salto que se dá perseguido por uma fera, mas ao salto que se dá para encurtar um caminho! Trata-se do salto livre, deliberado, do salto com o risco calculado.
9* Torna-se muito difícil inferir o comportamento padrão utilizado para se adquirir no princípio a lógica humana. Assim, aqui faço um estudo do comportamento de nossos avôs com a lógica que já adquirimos, e não com a lógica dita “indistinta”, ou não distinguível do instinto natural. É extremamente difícil fazer uma análise de fatos pressupostos. É a mesma coisa que tentar analisar o infinito com o nosso conhecimento finito (Huberto Rohden). O caminho mais lógico que nossos antepassados utilizaram para aprimorar sua lógica é provável que tenha sido o conhecido caminho da tentativa, o do “erro e do acerto”.
10* No início da década de 1970, próximo à cidade de Cascavel, por sinal, extremamente hospitaleira, hoje distrito do município de Ibicoara, quando retornava a pé de uma pesquisa num “jazimento” de diatomita existente na região, me separei de meus companheiros de jornada, por espírito de aventura, mais por curiosidade, para ver uma passagem bem estreita sobre o rio Paraguaçu. Já próximo da cidade de Cascavel, em terras da família Medrado, me vi diante do dilema do salto calculado. Chegando às margens do Rio Paraguaçu, encontrei o local em que o rio possuía suas margens bem próximas e em rocha, na realidade era um pequeno “canyon”. Era época das cheias, por isso, embora estivesse bem próximo a sua nascente, o rio estava com bastante água. Próximo ao local onde eu saí, encontrei o pequeno “canyon”. Achei que era possível saltá-lo (já tinha sido informado da sua existência), pois, se subisse o rio, retornaria para a zona das jazidas de diatomita, que, a meu ver, estava bem distante e na mesma margem do rio. Se descesse o rio, eu não sabia onde iria encontrar vau (local raso e seguro para fazer a travessia a pé), daí resolvi saltar o rio Paraguaçu naquele ponto. Num mato próximo, retirei uma vara bem comprida, medi a garganta e cortei a vara no mesmo comprimento da distância do salto que iria dar. Fiz vários saltos experimentais no chão, medi a vara com meu palmo, avaliei as possibilidades e resolvi saltar. Escolhi uma posição em que minha margem era um pouco mais alta que a margem do outro lado, me afastei, corri, saltei e, acho, não morri! Bem, acho! Saltei em torno de quatro metros e sobrevivi. Ao chegar a Cascavel, quando contei aos meus amigos que tinha saltado o Rio Paraguaçu, eles me disseram que até menino saltava. Depois, ao retornarmos ao local e eu ter mostrado onde saltei, disseram-me que eu tinha arriscado morrer no salto, pois o rio naquele local passava sobre as pedras, e que o local do salto dos meninos era um pouco mais abaixo e não passava de um metro e meio de extensão. Cheguei a gelar!
11* Não naquele momento, mas, hoje, me sinto um “homo sapiens” nas suas primeiras experiências com a lógica bruta, num seu passado remoto. Esta lógica “indistinta” do instinto natural foi a ferramenta que permitiu ao pré-homo sapiens passar por sua fase mais difícil, que foi a fase de aprendizado inicial do uso da “razão”. Eu a denomino de fase “crucial”, pois depender do instinto animal é uma coisa e viver como “Ser” racional em sua fase de adaptação do uso do livre arbítrio, vivendo juntamente com seres irracionais, nas savanas e nas selvas, com toda certeza é outra coisa completamente diferente, inda mais tendo que sobreviver como espécie. A perda do instinto deve ter sido muito sutil! Naturalmente, o instinto não abandonou de imediato o “Ser” que iniciava o comportamento racional. Aí está uma questão a ser respondida: nós passamos a sermos “homo sapiens” quando passamos a raciocinar, ou quando abandonamos o instinto? Friso mais uma vez que estou tratando do “Ser” que viveu entre 250 e 200 mil anos atrás, na sua transição de “homo erectus” para “homo sapiens”. Faço lembrar que a sociedade humana só se organizou como sociedade civilizada há muito pouco tempo, há bem menos de 10 mil anos.
12* Quando analisamos o que nos relatam os estudos dos paleontólogos sobre os registros fósseis de 200, 150, 125, 100, 50, 30, 20 e 10 mil anos atrás, podemos perceber que estes registros nos mostram uma constante e crescente ampliação do uso da razão, da lógica e do raciocínio elaborado, próprio de seres inteligentes que foram denominados de “homo sapiens” e depois de “homo sapiens sapiens”, isto é: seres que saboreiam a sabedoria! Estes seres atingiram seu ápice ao inventarem a “escrita”, pois todo desenvolvimento alcançado no passado, no presente e em todo futuro está para sempre fundamentado na “escrita”. Sem a escrita, seríamos para sempre seres rudes, atrasados e bárbaros. Não se conhece com exatidão a data da invenção da escrita, ato impulsionador do nascente desenvolvimento da sociedade humana. Os números e datas diferem muito, e inda somos obrigados a considerar que a escrita não foi inventada por um único povo nem num único sítio do planeta. O Master Mind (mente ou espírito mestre) é tão velho quanto a sociedade humana. Não posso crer que as invenções sejam propriedade de um único “Ser”; os exemplos são muitos, são milhares de inventos feitos simultaneamente em vários locais do planeta. A disputa sempre foi intensa pela propriedade dos inventos; suponho e proponho que a ressonância mórfica tenha algo a ver com a invenção da escrita. Os vestígios da escrita primitiva desapareceram, o que se tem em mãos são os vestígios da escrita já plenamente desenvolvida! Os exemplos mais citados são a escrita rúnica e a cuneiforme do antigo reino sumeriano, no Iraque, conhecido como reino da Suméria. Na China, a escrita foi inventada por lá mesmo, e não se conhece uma data precisa desse evento. É de se esperar que muitas escritas primitivas desapareceram antes de surgirem estas mais modernas, como os alfabetos: latino, grego, cirílico, glagolítico e o hangul na Korea mais recentemente. O mundo é dinâmico inclusive suas escritas. Desapareceram as escritas rúnica e cuneiforme, de que só nos ficaram registros, os usos desapareceram há muito tempo das primeiras escritas, o motivo desse desaparecimento é bem simples: os materiais utilizados eram muito frágeis e, assim, de pouca duração.
13* A mulher (benditas mulheres!), ao inventar a lavoura, pôs fim ao nomadismo do homem, e o homem, fixado em um lugar por muito mais tempo, deu-se ao luxo de utilizar o raciocínio lógico com mais afinco e potência por períodos mais prolongados e, sobretudo, cada vez, com mais lógica. De posse dessa lógica, concebeu os dois maiores “inventos” que o homem já produziu, o melhor e o pior de todos os inventos, que no futuro levariam o homem ao risco do desaparecimento da espécie. O melhor foi, sem sombra de dúvidas, a “escrita”; e o pior, foi também sem sombra de dúvidas, a propriedade privada, que levou o homem ao capitalismo, que tem no ventre a necessidade de um crescimento constante, e que, inevitavelmente, levará ao consumo de toda reserva de energia do planeta, que por sua vez levará a humanidade ao desastre, ao CAOS.
14* Eu já disse, parodiando em parte o filósofo: Bendito os inventores da escrita, ao dizerem “este desenho significa cabeça! E este, significa peixe! Este outro significa sol!”. E maldito, seja o inventor da propriedade privada, que cercou pela primeira vez um pedaço de terra agricultada e disse “este pedaço de terra é meu”. Quem primeiro abordou este tema, foi Jean Jacques Rousseau. E eu digo um milhão de vezes, maldito o homem que aprisionou pela primeira vez um seu irmão humano, o pôs para trabalhar em sua lavoura em troca de comida e disse: “este homem é meu escravo’”.
15* Deixemos o pai dos escravagistas pra lá. E vamos às lógicas! Todas as lógicas são distintas (naturalmente salvo a lógica indistinta, meio lógica e meio instinto!), principalmente estas mais novas, e não poderia ser diferente, todas foram elaboradas propositadamente distintas. Aristóteles, com um princípio simples, criou a lógica formal, fundamentado na seguinte proposição, chamada princípio da não contradição “das ideias”, e é assim que é compreendido e demonstrado: “uma afirmação não pode contradizer a si mesma”. Por exemplo: há uma contradição nesta afirmação: Platão é discípulo de Sócrates, mas também é mestre de Aristóteles. Esta sentença possui dois atributos que se contradizem e se excluem mutuamente. Aristóteles resolveu esta dificuldade formulando o princípio da não contradição. “É impossível que o mesmo atributo pertença e não pertença ao mesmo sujeito e sob a mesma relação” Platão não é discípulo e mestre ao mesmo tempo, e, sim, em tempos diferentes. Platão não sofre estes mesmos atributos sob a mesma relação, pois é em relação a Sócrates que ele é discípulo e em relação a Aristóteles que ele é mestre. Os filósofos são muito complicados, tanto é que, mudando a sentença para Platão foi discípulo de Sócrates e depois foi mestre de Aristóteles, resolve-se o problema. E mesmo por que hoje em dia muitos mestres “professores” fazem graduações, sendo simultaneamente alunos e mestres, sem nenhuma contradição na relação temporal ou atributiva. Aí então, estas relações e atributos têm plena validade. A lógica formal aristotélica noutros campos está baseada nos “sentidos” humanos, sendo a lógica, em síntese, o discernimento do certo e do errado, sendo fundamentada numa escolha! A lógica aristotélica, se fundamenta nos sentidos do “ser” humano, o que leva-o às vezes, a erros tenazes. A aplicação do “direito da lei” nem sempre é justiça, pois, em geral, se estriba na lógica aristotélica, e aí é um desastre, daí os resultados esdrúxulos dos julgamentos, dando lugar a que um advogado “bom argumentador” livre um criminoso de uma sentença justa, e um advogado “mau argumentador” não consiga livrar um inocente de uma sentença injusta. Esta opinião está estribada puramente numa simples análise de estudos e opiniões de juristas de renome, e do comportamento da justiça pelo mundo afora.
16* Vamos agora à lógica do tão discutido filósofo francês René Descartes, o do “Método”, do “Penso, logo existo”. O cogito situa o “Ser” como “Ser” autônomo e, portanto, capaz de pensar, portanto, responsável por seus atos, um “Ser” individualizado e completamente isolado do grupo como “Ser”. A despeito de todos pensarem, cada um pensa de “per se”, assim, pensa isoladamente e nunca em grupo, em função de que a lógica é um ato distinto, isolado, particular, daí vem outra forma da distinção da lógica, sendo inerente a cada “Ser”. Não acredito que Descartes tenha (nem pensado), ou adotado o solipsismo, mas, com certeza, partiu do interior do “Ser”, do cogito para o mundo exterior que o circundava. Não é necessário ser um filósofo para ter a certeza de que da essência do “Ser” venha o nosso pensamento, isto o sabemos instintivamente. Entretanto, isto não quer dizer que sejamos nosso pensamento! Ou que o pensamento seja o nosso “eu”. Descartes observou com acerto que a única razão de termos certeza de que existimos é o nosso pensamento. É a premissa de que o pensamento é o único ato praticado pelo “Ser”, que o leva a ter certeza de que existe, e ele fez desta certeza o fundamento da sua base de análise. Foi Descartes que elaborou o método de análise; ele montou um método simples, mas que serviu de base para o desenvolvimento de toda ciência. O método consiste de quatro regras básicas:
(1) Não aceitar nada que não seja evidente e evitar a prevenção e a precipitação;
(2) Dividir um problema em tantas partes quantas forem possíveis e necessárias, a chamada regra da análise;
(3) Conduzir o pensamento por ordem, partindo dos objetos mais simples para os mais complexos, a chamada regra da síntese;
(4) Efetuar enumerações tão completas de modo a ter certeza de que nenhum elemento tenha sido esquecido. Este método impulsionou a ciência de modo firme e constante.
17* Este mesmo René Descartes criou o sistema de eixos ortogonais, fundamento e lógica da matemática moderna! Sei que podemos argumentar filosoficamente contra o cogito ergo sum. Como o fizeram alguns filósofos. O cogito de Descartes pode levar o “Ser” ao niilismo, pois, se penso, eu sou! Então, eu sou porque penso! Assim reduz-se o “Ser” ao seu pensamento, e como o pensamento é uma entidade por si mesma extremamente abstrata, reduz-se o “Ser” ao nada.  O que, na realidade quântica e em última análise e fim último, é o que somos! Porém, o nosso “bom senso” nos faz crer que o nosso pensamento nada mais seja que uma ferramenta que utilizamos para interagir e nos comunicar com o mundo de falantes e de alguns não falantes, com os quais convivemos! Isto com “lógica” e com “bom senso”. Este tipo de raciocínio nos leva a indagar: o que realmente é o “bom senso”? Que nos remete à questão primeira: o que somos? E tudo retorna aos primeiros filósofos e às primeiras indagações do “homo sapiens”, e assim retornamos à lógica indistinta dos nossos avôs pós-hominídeos no seu alvorecer lá pelos idos dos 250 mil anos atrás. A dificuldade de distinguir a lógica inicial primitiva dos atos instintivos é oriunda das dificuldades próprias dos estudos dos fósseis, que nos trazem poucas informações dos atos dos nossos avoengos. Ao estudar as deduções dos paleontólogos, antropólogos e arqueólogos, encontramos tantos desencontros, que resolvi pôr no papel minhas próprias deduções! Se acertadas ou não, isso, infelizmente, não posso deduzir! Aqui, me fundamento no fato de que o universo é feito de dúvidas!

Edimilson Santos Silva Movér
Vitória da Conquista, BA, 8 de fevereiro de 2008.
moversol@yahoo.com.br  

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