terça-feira, 24 de julho de 2018

O MEDO DOS GOVERNANTES, E DOS RICOS - Obra 21 ENSAIO


04 Décimo oitavo ensaio

O MEDO DOS GOVERNANTES, E DOS RICOS

Com enfoque específico ao caso brasileiro.

1* Este será o mais curto da série dos 21 ensaios que compõem esta pequena obra, e o motivo que me leva a tratar este assunto de forma tão sinóptica é bastante elementar! Não posso, não devo e não tenho como tornar uma coisa simples numa coisa complexa... Nada causa mais medo a um governante que um povo enfurecido. Desde os tempos antigos que se procurou conter a fúria dos povos com as mais diversificadas artimanhas. Discursos, promessas, ameaças com os fogos dos infernos etc. No princípio das primeiras sociedades organizadas, tentou-se acalmar os azedumes de humor das hostes enfurecidas por meio da força bruta, na maioria das vezes com o auxílio dos aparatos militares... Logo, logo se descobriu que esses métodos extremos para conter ou diminuir o descontentamento causam mais mal que bem aos cofres do Estado. É sabido que nada causa mais dor que o ataque ao bolso do cidadão ou o ataque aos cofres do Estado, pois, ao utilizar métodos coercitivos violentos, cria-se um maior número de descontentes, que, no futuro, se voltam com uma carga maior de reivindicações, impossível de ser atendida. Não se sabe de qual povo saiu o astuto governante que inventou um método infalível e o mais barato de todos para acalmar as multidões. Tudo nos faz crer que no Império Romano este método já estivesse institucionalizado desde seus primórdios. Portanto o método deve ser anterior à amamentação da “Loba”. Assim não julguemos mal os descendentes de Rômulo e Remo. Nesta altura, os leitores já descobriram que o método a que me refiro é o clássico “Pão e Circo”. No início deste trimilênio, os governos são muito mais eficientes no trato com as multidões enfurecidas que os antigos governos imperiais! Parece-me muita coincidência que se tenha desarmado o povo brasileiro logo agora neste início de século. Como descobriram que as multidões iriam para as ruas?
2* No segundo artigo, eu disse que: Tudo tem um sentido, não há nada sem sentido! Mesmo algo feito com o propósito de não ter sentido tem o sentido de não ter sentido, talvez até um sentido dúbio, mas sempre o tem. Não há nada sem propósito. Por mais que o disfarcem, sempre deixam as pontas dos cordões aparecerem. Em função do que, passo a crer que os sentidos das coisas são urdidos com cordões de variadas tessituras e cores. O que agora estou a vislumbrar no sentido oculto do desarmamento da sociedade brasileira é a ponta de um cordão com uma nova cor e um novo entrelace. Talvez a cor amarela, “a cor da sabedoria”, e a tessitura da seda, pois é bem mais fácil lidar com um povo inteiro desarmado que enfrentar uma pequena multidão armada até os dentes, (interessante, nunca vi ninguém carregar uma arma na boca! À exceção da língua, que é a mais poderosa de todas as armas).
3* O governo, já prevendo o tempo das futuras refregas com as multidões enfurecidas, que é o tempo decorrido entre o tempo das maçãs podres e o tempo da Queda da Bastilha, os enfrentamentos serão na base do gás do choro e do spray de pimenta, e haja pimenta! E haja choro! Vamos ter um longo período em que não se carpirá mais os mortos por absoluta falta de lágrimas, todas gastas nas ruas nos constantes enfrentamentos com a polícia. Haverá um tempo em que seremos chamados o povo que ri, por falta absoluta de lágrimas para chorar. O que provocará o descontentamento do povo será a quebradeira total, que levará as massas urbanas a uma total falta de dinheiro até para comprar o próprio alimento! Os povos dos campos comerão raízes, mas comerão! Não me venham com essa de bolsa família. Como poderá haver bolsa família se o governo estará completamente arruinado? 
4* Nessa altura do campeonato os sistemas previdenciários públicos e privados estarão em completa falência. Isto estará! A falência financeira total do Estado e a consequente falência de grande parte das empresas nos levarão a um índice de desemprego absurdo e desumano. Será que a população brasileira sabe que, dentro de vinte anos, o Brasil já consumiu todo seu petróleo? E nem falar em importar petróleo, pois, nesses tempos, somente as nações mais ricas se darão ao luxo de importar petróleo! É bom que saibam que daqui a vinte anos a maioria das indústrias de automóvel estará completamente falida, à exceção das indústrias de caminhões e de tratores agrícolas, que atenderão a grande demanda das indústrias dos combustíveis da biomassa. Será que os brasileiros sabem que, dentro de vinte anos, mais da metade das terras agricultáveis do país estará dedicada à produção dos combustíveis da biomassa, o que provocará uma grande alta nos preços dos alimentos, causa primeira da fome, que se alastrará nos lares dos desprotegidos, e se alastrará como erva daninha em campo aberto? A alimentação, como dizem, custará os olhos da cara, e não adianta procurar os olhos nos bolsos já vazios! Não se aflijam! Este será somente o princípio “das dores!” O pior virá depois! Nesses tempos, os arrastões e os saques serão coisas rotineiras! O povo em sua santa sabedoria sabe que, antes das grandes partidas, é necessário treinar! E os treinos já começaram: na semana que passou, houve dois arrastões na Baixada Santista. Será que os governantes atuais sabem que a fórmula mágica do “Pão e Circo” tem um segredo? Ela só funciona se contiver os dois componentes, mas, como arranjar o primeiro componente se os campos que o produziam em abundância estarão ocupados com a produção dos combustíveis para os automóveis dos “protegidos” da sorte (sem eufemismo, chamemo-los de ricos)?
5* É deste quadro dantesco, que pintei nestas poucas linhas, de onde virá o medo dos (governantes). Os governantes atuais estão cavando as sepulturas dos governantes futuros. Quem quiser ganhar aplique o seu dinheiro nas ações das indústrias dos carros blindados, pois meirinhos, juízes de todos os níveis, prefeitos, governadores, senadores, deputados, até os vereadores só irão às ruas no interior de carros blindados. Quase me esquecia! Estou ficando senil só em pensar no futuro. Esqueci-me de que todos os parentes de primeiro e de segundo grau das classes anteriormente citadas também só irão às ruas nestes veículos, mais por medo do que por necessidade. Tornei a me esquecer de uma classe até um pouco numerosa, mas bem pequena em relação à população total do país. Trata-se da classe dos ricos, que também só sairá às ruas em automóveis blindados. Como serão as eleições nestes tempos? Creio que não haverá mais eleições, pois todos serão nomeados. Será que um povo faminto irá às urnas? Pobre democracia... Pobre democracia! Durou tão pouco...
6* (As informações aqui contidas, quanto à duração das reservas totais do petróleo brasileiro são da própria Petrobras). Consultem no Google digitando simplesmente: DURAÇÃO DAS RESERVAS DO PETRÓLEO BRASILEIRO, o site da Petrobrás vos informará!
Quem leu a CARTA A DEUSDETH sabe que está próximo o tempo das grandes caçadas...

Vitória da Conquista, 5 de janeiro de 2009.

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