terça-feira, 24 de julho de 2018



18 Quarto ensaio


UMA ENFÁTICA E REAL VISÃO ESPIRITUAL DO “SER”

                Estudos metafísicos da essência dos dois “Seres",
 numa abordagem heurística.

1* No tredécimo ensaio o tema, por certo que é semelhante ao tema deste quarto ensaio. A entidade analisada é uma só, mas, os enfoques divergem, aqui no quarto nota-se a linha espiritualista utilizada, no tredécimo utilizo a moderna teoria sheldrakeana como fundamento. Esta duplicidade de abordagens o fiz propositadamente, Nos ensaios isto é comum, veja no fim deste ensaio há duas apreciações do que seja um (ensaio).
2* Aqui chamo a atenção daquele que se ater a estes escritos, que esta linha de raciocínio está desligada de qualquer de postura filosófica, sendo somente uma divagação metafísica, alheia a todo questionamento teleológico, teológico e filosófico, sendo fruto do livre pensar do autor. Quanto ao assunto teológico, respeito os teólogos e seus princípios, mas desprezo por princípio os posicionamentos e as questões teológicas.
Dei et Hominis
3* Fica estabelecido que, neste ensaio, não discuto a existência do “Ser Maior” nem o analiso. Este assunto já foi dissecado por demais pelos filósofos, e dou ênfase aos trabalhos de Baruch de Espinoza, Immanuel Kant, a mente de  Königsberg e Soren Kieerkgard.
4* O princípio de “tudo” reside na essência do "Primeiro Ser", que Transcende ao próprio Universo. E por isso não posso analisa-lo. Esta faculdade de transcender ao próprio Universo leva este “Primeiro Ser” a tornar-se impessoal, inominável, inalcançável e incognoscível. Sendo que, a essência do segundo “Ser”, ou nossa consciência, como “Ser” senciente e imaterial que está presente somente na sua relação com o “ser" material". O que faz e permite a sua interação com o Universo em que vive! Pois nem o corpo nem o espírito desaparecem com o seu “passar” ou morte. Essa essência está intimamente relacionada e condicionada à sua própria natureza imaterial, isto a “priori”, por ser um “Ser” senciente, e que está enquanto encarnado, vivo, ou presente na matéria, inexoravelmente ligado ao seu outro lado notável e permissível na existência do “Ser” complexo” Que é o “ser” dual, material e imaterial. Quando cessa esta dualidade, ou este liame, este "Ser” deixa de existir voltando o “Ser” imaterial à sua condição de energia, e retorna ao organismo de origem, a que nomino de (Grande Ser), ou (Organismo Vitae), o “ser” material perde sua organização atômica e retorna a natureza de onde é oriundo, nem um só átomo deixa de existir! Ao desaparecer o “Ser” dual! Ambos, matéria e energia, voltam a sua condição natural, retornando à sua existência universal e eterna de "seres” unos, matéria e espírito. Desaparecendo a organização do “Ser” material/imaterial dual, mas, não sua existência como matéria, nem como energia ou espírito. Nisto está suas próprias essências como “seres”, inseparáveis que são, como partes integrantes deste Universo em que vivemos! Sendo portanto, uma qualidade inerente e natural do “Ser” dual imaterial/material a sua indestrutibilidade, como átomos ou como energia. O “Ser” senciente, como uma partícula componente do “Ser Primeiro” e transcendente, herda e possui a mesma impessoalidade e "inominalidade" inerente ao “Ser Primeiro” e transcendente. O que impede o "Ser” senciente ou enteléquia de tomar conhecimento da essência do “Ser Primeiro” e transcendente é que o “Ser" senciente (por uma condicionante natural), como "partícula" que é do “Ser Primeiro” nunca abarcará o "todo". O “Ser Primeiro” e Transcendente é nominado pelos seres sencientes deste planeta de: DEUS, MAHATMA, BRAHMMÃ, JEOVAH, ALLAH, TAO, IAVHÉ, CONSCIÊNCIA CÓSMICA. O chamemos do que quisermos e pudermos, em nada mudará a nossa relação com o “Ser Primeiro”, e assim, nunca conseguiremos nominar o inominável, ou tornar pessoal o impessoal. Por sermos partícula desta impessoalidade e desta inominalidade, nunca conheceremos na acepção do termo a nós mesmos. Eis porque o segredo do existir é justamente procurarmos conhecer a nós mesmos, ou seja, a essência do nosso “Ser”. Assim, o "Ser” senciente no seu alvorecer como “homo sapiens”, possuidor de consciência analítica, deve ter enfrentado tremenda dificuldade de se autoanalisar ou se autoreconhecer. Esta dificuldade se originava na complexidade do “Ser” senciente, como “Ser” imaterial/espiritual em sua interação quântica com o “Ser” material, tornando-se o “ser” dual. É de se esperar que nos primeiros vislumbres do reconhecimento de si mesmo, o homo sapiens tenha tido dificuldade para compreender, mesmo de forma simples, qual era a sua real essência! Passados tantos milênios deste alvorecer, esta dificuldade é mais atual que nunca! À medida que pensamos que compreendemos e entendemos a complexidade do “Ser” senciente, mais difícil se torna compreendê-lo e analisá-lo. Até mesmo entender a simplicidade deste mesmo “Ser”. O primeiro paradoxo que enfrentamos ao analisar o "Ser” senciente é que quanto mais o estudamos, mais incompreensível ele se torna. Lamentavelmente constatamos que só possuímos registros escritos de análises da essência do "Ser” senciente a partir dos pré-socráticos, fato que só dificulta esta mesma análise. Outros pensadores que antecederam aos pré-socráticos já conheciam a escrita e, com certeza, fizeram e registraram suas análises da essência deste "Ser”.  Deixo bem claro que não compreendo uma análise do "Ser” senciente como uma análise distinta da análise da existencialidade deste mesmo “Ser", ele só se potencializa dentro da existência material. Em se tratando da impessoalidade e da inominalidade do "Ser” dual, a meu ver, os dois “seres" se confundem em sua indistinta essência. Tentaremos de forma bastante simples demonstrar, sem requintes, sem aprofundamentos analíticos filosóficos, que o “Ser” imaterial é impessoal e inominável. Os espíritos ou enteléquias como partículas do "Ser Primeiro”, qualidades já com origem na sua ancestralidade. O processo da formação da sua pessoalidade ou (personalidade) é lenta e gradual, parece até que foi autorizada pelo Figueiredo! Da mesma maneira que se formou, ela se finda lenta e gradualmente, permanecendo ativa (viva), a maioria das vezes até atingir sua maioridade material. A fragmentação desta "pessoalidade" ou personalidade se desfaz no sentido inverso de sua formação dentro do tempo.
 5* Desde quando o "Ser” atinja o máximo permitido pela matéria para sua existência relacional com o ambiente em que vive. O "Ser” senciente que chegar a uma idade avançada perderá sua (personalidade) lenta e gradualmente. A exceção só se torna presente quando o "Ser” senciente sofre algum acidente de percurso. Observe bem, que o "Ser” imaterial ou espírito, sai ileso de uma passagem pela vida material. Assim, a senilidade natural ou mesmo provocada por doenças como o Alzheimer não afeta o "Ser” imaterial. Isto pode ser comprovado por um pesquisador que visite um centro espírita, onde se faça presente de um espírito que tenha desencarnado senil, e logo após sua morte. Há casos de seres que desencarnaram completamente senis, sem nenhum entendimento do existir e suas declarações ou pensamentos logo após a morte, já como espíritos são de uma sapiência inominável, o que comprova que a pessoalidade ou personalidade é completamente desligada do “Ser” imaterial, enteléquia ou alma, portanto o espírito também é impessoal. (Aqui estou concorde com os filósofos pensadores Vedas denominados de “mãyãvãdis”, o Bhagavad Gita na tradução de A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, os declara infiéis). O certo é que perdemos nossa personalidade ao morrermos. No caso da nominalidade, por ser este um processo externo ao “Ser”, possui uma característica distinta da personalidade do "Ser” imaterial, não tendo nenhum vínculo, liame ou ligação maior com o seu nome, a despeito do que digam os psicólogos e os místicos! Nossos nomes são referências vagas e temporárias do nosso "Ser” senciente. Isto é fácil de comprovar, não possuímos nenhuma característica nominal que nos ligue aos nossos ascendentes ou descendentes, à medida que essa ascendência ou descendência se torna mais tênue e distante, mais ficamos esquecidos como seres nominais – eis a prova! Qual dos ilustres leitores sabe quem foi! Ou o que fez na vida um seu tetraavô, ou mesmo um trisavô qualquer! A maioria dos seres" não sabe nem mesmo o nome de seus oito bisavôs, Quer saber de uma verdade? A maioria não sabe nem os nomes completos de seus dois avôs e duas avós. O nome não marca os seres humanos, o que nos marca são os nossos feitos! São os nossos feitos que perpetuam nossos nomes, e não os nossos nomes que perpetuam nossos feitos. A história está repleta de exemplos! Nossos espíritos são inomináveis tal qual o “Primeiro Ser” do qual se originaram, embora nominemos os espíritos em suas diversas encarnações, estas são nominações que não perduram em seu existir como espíritos. Disto nos vem a grande certeza para deduzir que os espíritos são inomináveis, assim como já deduzimos que os espíritos são também impessoais. Há de se compreender que esta “impessoalidade” e "inominalidade" próprias dos espíritos, ambas diferem enormemente da impessoalidade e da inominalidade do “Ser Primeiro”! Pela sua transcendência passamos a chama-lo de (Deus). Estas diferenças se fazem notar e estão relacionadas ao grau de grandeza existente entre as dimensões dos dois seres. Estabelecidas estas qualidades dos espíritos, veremos o quanto diferem "as vidas" dos espíritos quando encarnados e enquanto desencarnados. Estas duas condições por que passam todos os espíritos ou nossas enteléquias, exigem que os consideremos, e os analisemos sob estas duas facetas. Mas só o faremos no que diz respeito aos espíritos encarnados, ainda mais porque a essência do assunto "espírito", está magistralmente dissecada por Hippolyte-Leon-Denizard Rivail em sua obra, "O Livro dos Espíritos". Aqui trataremos (de forma heurística e com certa dificuldade) do espírito quando encarnado! Ainda assim! Muito mais fácil, pois, estaremos tratando de nós mesmos, embora seja como seres espirituais, o que torna o fato aparentemente mais difícil! O acesso no hoje, no agora, no momento presente, o acesso é permanente. Pois, sempre que nós conversamos com um falante, estamos nos entendendo com sua enteléquia, consciência ou espírito, na verdade os três são um único “Ser”. No entanto quando recuamos no tempo, neste caso! Nós temos acesso à sua memória, coisa que só acontece se a pessoa estiver em um destes estados: em transe hipnótico; em transe letárgico induzido; ou em transe cataléptico mediúnico; sendo este último, anímico por ser inerente ao espírito.
6* O acesso aos espíritos são processados-se de duas formas: Primeiro, pensa-se que ao encarnar o espírito torna-se um “Ser” mais inalcançável ainda para o comum dos mortais, mas, para uma boa parte da humanidade, o acesso a memória ao espírito encarnado é um fato corriqueiro, sendo mais comum nos consultórios dos psicanalistas e psicólogos, no oriente, os iogues hindus os tem ao alcance a todo momento. No mundo ocidental, fora dos ambientes religiosos, os espíritos estão ao alcance dos psicólogos que adotam e ensinam a psicologia transpessoal de Stanislav Grof, nos processos de regressão da memória, alcança-se a mais tenra infância, chegando até a diversas vidas passadas. Estes ensinamentos são praticados pelas maiores universidades do mundo, em suas aulas de psicologia transpessoal, embora o seja em algumas, a título de “estudos científicos", simples eufemismos e nada mais. Alguns seres humanos especiais têm acesso aos espíritos encarnados, como os que praticam as tão discutidas saídas astrais. O mundo das saídas astrais é povoado de espíritos encarnados, mas em estado de ausência do corpo físico É o caso de ter acesso ao mundo espiritual e nalguns casos, a si próprio! A saída astral nos faz compreender melhor nossa essência como seres espirituais e um mais relevante entendimento do mundo material que nos cerca, e nada mais! Na realidade, nós todos temos acesso a estes “splenns”, que são estados melancólicos espirituais, muti comum nos estados do sono. Pois nada mais somos que espíritos. Os espíritos são energias que transcendem o nosso próprio existir. Vejamos a relação existente entre nosso espírito e nossa fisiologia material. Nossa fisiologia está adaptada aos períodos alternados de vigília e de sono, a que chamamos, (ciclo circadiano), Na base o cérebro está alojado o núcleo supraquiasmático (NSQ), localizado no hipotálamo, sendo a principal parte do cérebro responsável pelo controle do ritmo, ou ciclo circadiano. A formação do “ser” material se deu neste ambiente de alternância luminosa, no entanto o “Ser” imaterial ou nosso espírito, ou enteléquia não! Assim todos os espíritos, quando o “ser” ou corpo material entra em estado de repouso ou "sono", têm a liberdade para sair para perto ou longe, conforme o seu grau de evolução ou desenvolvimento espiritual. Assim! Conforme o grau de evolução de nosso “Ser” imaterial ou espírito, temos ou não lembranças do que ele faz quando estamos no estado de sono. Quanto mais evolução ele possua menos lembranças nós temos de nossas saídas astrais, ou dos nossos sonhos; quanto menos lembranças temos de nossos sonhos e saídas, mais evolução possui nosso espírito, A explicação é bastante simples e lógica! Quanto mais um espírito é evoluído, menos apegado à matéria ele é! E menos nos transmite seus pensares e andares, e quando menos evoluído nosso espírito é, mais apegado à matéria ele é, e mais nos transmite o que faz lá fora. A priori, somos pura energia, e isso nós não podemos mudar ou negar! Mesmo a matéria de que compõe ou constitui nosso "Ser” material e nosso mundo sensível, nada mais é que energia! Sendo, portanto, o Universo inteiro feito de energia, de que seriamos feitos então? Veja a abordagem moveriana no 3º ensaio Uma Pálida e Surreal Visão Quântica do “Ser”. A moderna visão do “Ser” tem características holísticas. Alguns povos orientais sempre tiveram esta visão. Hoje, esta visão, parece se tornar uma visão universal, à exceção, naturalmente, das religiões que preferem a cegueira, isto é, as fundamentalistas, o que no ocidente representa a grande maioria.
O HOLISMO
7* Enquanto a visão de "Mundo" for a visão laplaciana, determinista, reducionista, atomista e individualista e não conseguirmos ver o “Ser" integrado ao Universo como um todo, dificilmente conseguiremos percebermo-nos como “espíritos” integrados que somos indiscutivelmente, à vida universal... E a isto não podemos fugir ou negar. O pensamento sistêmico ou holístico se opõe ao reducionismo cartesiano. Sempre preferi ver a vida no planeta como um único organismo, desde os meus tempos de rapaz que pensava assim, e na época, não conhecia a proposição do pensamento sistêmico do Bertalanffy. Considero o reducionismo cartesiano válido apenas para o estudo e o avanço científico, inda mais num tempo pretérito! Mas o que penso não vem ao caso. O que importa é que a visão holística da vida nos leva a entendê-la como um todo, fazendo-nos perder a visão individualista, que, pelo menos, nos faz menos egoístas e mais humanistas se nos virmos como partícipes do “todo”! Vemos que nossos espíritos têm uma única e mesma origem e que não temos o direito de, por termos mais ou menos posses materiais ou maiores ou menores dotes em uma área do saber humano, acharmos que, por isso, sejamos melhores ou piores que outros nossos semelhantes. Isso nos remeteria à questão anterior do homem egoísta e não nos deixaria perder a visão individualista com as consequências já citadas, levando-nos tão somente à estultícia.
8* As primeiras visões de todos os seres humanos quando ainda na infância, quando ainda não está completa a encarnação do espírito são visões de quando se encontram ainda como seres espirituais. A perda desta visão se dá entre os quatro e os sete anos de idade, quando é comum a pergunta! O que faço aqui? É mais ou menos nesta época que a reencarnação está se completando. Este é o nosso primeiro encontro com nosso novo "eu" material, com nossa nova personalidade e nosso novo mundo material! Naturalmente, é um choque, pela primeira vez, reconhecermo-nos como seres que vivem em um mundo material!  Ou seja, com nossa individualidade espiritual, totalmente ligada ao mundo material! A partir daí passamos a ter uma personalidade com capacidade de autoanálise. Em outras palavras: nesta hora, passamos a sermos um “Ser" dual completo! Completamente independente do mundo espiritual. Nem todos os seres se recordam deste fato singular, mas todos nós passamos por esse primeiro reconhecimento do “eu” material!
9* Não aprendi esses fatos com o meu irmão Codificador; quem me fez ver e relembrar estas coisas da minha infância foi um indiano que encontrei a solfejar um mantra numa praia chamada de "prainha", próxima a um Resort em Itacaré, aqui na Bahia. Na época, eu estava lendo um livro sobre o avatar indiano, Sai Baba, e praticamente forcei uma aproximação com este "Ser” singular. Na primeira tentativa de aproximação, senti alguma resistência por parte do hindu, embora ele fosse educadíssimo. Quase desisti. Na segunda conversa, fiz de forma muito sutil uma análise do “Ser” como um “Ser” material, numa abordagem quântica, acho que foi o suficiente para conseguir sua confiança! Tive poucos encontros com este Senhor; não me recordo de quantos, talvez não passassem dos seis. De outra vez, demonstrei para ele que a cor abóbora de seu manto, que eu entendi que ele chamava de kasaya, depois descobri que era poshaak, não existia como uma cor real e que poderia ser de qualquer cor, pois, a incidência de luz em objetos, e conforme refletidos pela sua propriedade física é que determina as cores desses objetos. Os objetos não são portadores de cor, cada um de “per se” possui a propriedade de refletir uma específica faixa do espectro luminoso.
10* Ele passou pouco tempo em Itacaré, para onde tinha ido ajudar uns judeus que tiveram um problema por lá. Nada mais soube dele! Era impressionante sua postura como “Ser"! Trajava sempre uma bermuda e camiseta comuns, usava óculos escuros e alpercatas de tiras de amarrar sem fivelas, carregava o manto e um livro numa sacola a tiracolo. Ao inquirir qual escrita era aquela do livro, ele me disse que era sânscrito. Contei-lhe como tinha tentado fazer uma saída astral, quando ainda rapaz, ao que ele sorriu e ensinou-me a fazer uns exercícios respiratórios. No dia seguinte ainda na mesma prainha, desta vez sob uma árvore onde o vigilante do Resort às vezes se abrigava do sol do meio-dia, ele pediu para eu me sentasse em um tronco de coqueiro, relaxar e fechar os olhos, pôs a palma da mão em minha testa, ao que senti um grande calor vindo da sua mão, falou-me numa língua estranha, que eu compreendia perfeitamente e mandou-me pensar em minha terra natal. E, estranho, de súbito, me vi a sobrevoar um rio meu conhecido. A princípio não sabia onde estava, depois tive a plena certeza de que sobrevoava a casa de meu avô materno numa região da Bahia chamada de Catolézinho. Vi claramente a casa antiga, um novo curral e a antiga chácara nos fundos da casa, umas pessoas montadas, gado no pasto, e, de súbito, lá estava eu, na minha postura iogue a falar com o hindu. A coisa foi tão rápida e tão clara que me recusava a acreditar que aquilo tivesse acontecido.
11* Este fato que passo a relatar agora já o fiz a um amigo e primo, e é muito interessante. Eis o fato: eu sempre evitava entabular conversações demoradas com este meu novo amigo, para não ser inconveniente e nem atrapalhá-lo. De certa feita, eu falava sobre a minha ideia acerca do aparecimento do homem no planeta, e ele parecia absorto em minha explanação. Notei, então, que ele, distraidamente, passava a mão aberta a um palmo de altura da areia da praia e sua mão ficava impregnada de grãos de areia e, distraidamente, passava uma mão sobre a outra o os grãos voltavam para a praia. Não sei como ele fazia aquilo, mas estava fazendo e parecia que não notava minha presença. Fiz de conta que não estava notando o que ele fazia, então, ele mudou de posição no sentar e entabulamos um diálogo sobre o assunto que eu discorria já por muito tempo. Sua maneira de ver o assunto, na verdade, não correspondia com o meu ponto de vista! Ao que ele me expôs, ele acreditava que por nosso planeta já passara outras humanidades, antes de surgir a humanidade atual. E o que eu expunha para ele era uma visão fundamentada na paleontologia e na antropologia. Foi quando o meu amigo me deu uma notícia que me deixou triste, me disse que não era aconselhável que eu continuasse a fazer o que eu chamava de saída astral, e não quis me dizer por quê. Assim, não insisti mais.
12* Como apareceu, ele desapareceu repentinamente. Alguns dias depois quando o procurei na cidade, me disseram que tinha partido. Para meu desalento, perdi o contato com um dos mais singulares seres humanos que já conheci. Aqueles poucos encontros marcaram profundamente minha visão da real natureza do existir humano. Em um de nossos últimos encontros, levei-o de carro para conhecer parte da área do Resort onde o hotel estava sendo construído, quando perguntei onde ele tinha aprendido o português. Ele me disse que alguns membros de sua família falavam esta língua porque mantinham desde muito tempo estreitas relações comerciais com Portugal. Eu já tinha percebido seu pronunciado sotaque lusitano. Não gravei na mente a grafia correta de seu nome, mas a pronúncia era algo como Pongiab Shaori. Perguntei-lhe se conhecia a obra de Lobsang Rampa, ele me respondeu que sim, e disse que nós, os ocidentais, tínhamos o hábito de confundir as obras de ficção de escritores de outros povos com a realidade, talvez por desconhecer o modo de viver desses povos! No que concordei com ele, pois o sentido de "realidade do existir" de cada sociedade está intimamente relacionado com as crenças existenciais desta sociedade. Sua mão impregnada de areia me marcou profundamente e nunca mais me saiu da memória. Um amigo arquiteto de Itacaré um dia me perguntou o que eu tinha aprendido com o hindu! Respondi-lhe que "muito e pouco", pois se uma pessoa adquirir todo o conhecimento do mundo, assim mesmo não saberá tudo, pois, na introdução do Bhavadad-Gita com tradução e comentário de A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, está escrito que as pessoas humanas (e portanto também seu conhecimento) estão infectadas por quatro defeitos: (1) na certa comete erros, (2) está invariavelmente iludida, (3) tem a tendência de enganar os outros, (4) é limitada por sentidos imperfeitos. O pensador inglês Bertrand Russel era da mesma opinião; para ele o que nós tomamos ou temos como conhecimento possui três defeitos capitais: é convencido, é incerto e, sobretudo, o conhecimento por si mesmo é contraditório. Portanto, tudo que aprendemos como humanos está sujeito a estas imperfeições; assim o que aprendemos com os humanos pode ser muito e pode ser pouco, pode ser tudo e pode ser nada, pois, na vida, nunca existirá o que possamos chamar de perfeição! E assim caminha e se desenvolve a humanidade.
13* Esta, por ser uma visão espiritualista e metafísica do “Ser”, está isenta de críticas... Assim espera esta minha ínfima e desprezível enteléquia...
Eis duas boas definições do que seja um ensaio:
14* O ensaio é um "estudo bem desenvolvido, formal, discursivo e concludente, consistindo em exposição lógica e reflexiva e em argumentação rigorosa com alto nível de interpretação e julgamento pessoal. No ensaio há maior liberdade por parte do autor, no sentido de defender determinada posição sem que tenha que se apoiar no rigoroso e objetivo aparato de documentação empírica e bibliográfica. De fato, o ensaio não dispensa o rigor lógico e a coerência de argumentação e por isso mesmo exige grande informação cultural e muita maturidade intelectual" (Severino, 1976, p.153)

          15* Um ensaio! “É uma exposição metodológica dos assuntos realizados e das conclusões originais a que se chegou após apurado o exame de um assunto. O ensaio é problematizador, antidogmático e nele deve se sobressair o espírito crítico do autor e a originalidade" (Medeiros, 2000, p. 112).
Vitória da Conquista, Bahia, 3 de outubro de 2007.


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