domingo, 29 de julho de 2018

SEGUNDA CARTA A RUI BRUNO BACELAR DE OLIVEIRA - CARTA

    

UMA PESQUISA LÚDICA SOBRE O TEMA “TEMPO”

Segunda Carta 

Á Rui Bruno Bacelar de Oliveira,

Prezado Rui,

Esta pesquisa tem caráter dualista, isto é, só interessa à mim e à você, logo perceberás que é uma abordagem lúdica do tema tempo.

1* O assunto de hoje é a vida, pois o tempo é a própria vida, se a vida não existisse, o tempo também não existiria, e a recíproca é verdadeira, só a vida é testemunha do tempo; como também o é do som! Daí vem a pergunta: numa floresta em que não houver um único ser vivo; (para escutar), uma árvore ao cair provocará algum som?

 2* A palavra tempo etimologicamente é de raiz Latina, “tempus, òris”, também utilizamos largamente o verbete “cronos” Grego, ambos têm profundas conotações e conseqüências na vida humana. Fiz assim, uma breve pesquisa sobre este ente que nos acompanha do primeiro alento ao último suspiro, sendo este mesmo “tempo” que nos fará desaparecer como seres temporais, até mesmo na lembrança ou na memória de nossa progênie, releia, por favor, o capítulo “O ESQUECIMENTO” no Remate, do ensaio que te remeti. Fiz somente uma rápida pesquisa no dicionário Houais sobre o verbete “tempo” veja o que encontrei! Também fiz uma rápida pesquisa na Internet. No mais, a cada citação, sua fonte, o restante é pura elucubração moveriana.
Rui quando uma coisa é longa, não há escapatória, é longa e pronto. Aqui a navalha de Occam é inútil. O que resta-nos fazer é “gastar o tempo” para vermos o resultado da pesquisa.

3* Tempo é um substantivo masculino, celibatário por condicionamento, sendo assim, um ser solitário, pois não tem uma cara metade, para seu desalento a Senhora “tempa” não foi criada, talvez por ele não ter costela, pelo menos nunca ouvi falar na costela do tempo. Talvez por isso, ele seja tão calado, tão silencioso, sempre passa ao largo, não dá a mínima para nossas reclamações. Voltando ao sério, o tempo é a duração relativa das coisas que cria no ser humano a idéia de passado, presente e futuro; o percebemos como um período “contínuo” e indefinido no qual todos os eventos se sucedem. Veremos adiante que ele é capaz de fazer várias estrepolias, algumas bem estranhas.


Vamos à pesquisa.
Vejamos então o que é considerado como “tempo”.

4* Determinado período considerado em relação aos acontecimentos nele ocorridos; época, exemplo: o tempo das grandes descobertas.  Certo período da vida que se distingue de outros, exemplo: o tempo da juventude. Período específico, segundo quem fala, de quem se fala ou sobre quem se fala, exemplo: no tempo dos nossos avós a educação das crianças era mais severa. Época na qual se vive, exemplo: esse é o tempo da globalização. Oportunidade para a realização de alguma coisa, exemplo: quando tiver tempo pretendo estudar francês. Período indefinido e geralmente prolongado no futuro, exemplo: o tempo dirá se ele estava certo. Conjunto de condições meteorológicas, exemplo: a previsão do tempo indica fortes chuvas, Época propícia para certos fenômenos ou atividades; estação, sazão, quadra, exemplo: tempo do plantio tempo de festas, tempo das chuvas. Cada um dos períodos em que se dividem as partidas de determinados jogos, exemplo: no futebol, cada tempo tem 45 minutos. Duração cronometrada de uma corrida, exemplo: aquele atleta fez um bom tempo, o melhor tempo do circuito de Interlagos. Dimensão que permite identificar dois eventos que, caso contrário, seriam idênticos e que ocorrem no mesmo ponto do espaço, símbolo: T.

5* Categoria verbal que indica o momento em que se dá o fato expresso pelo verbo ou o tempo em que transcorrem; o conteúdo dessa categoria varia segundo as línguas; em português, compreende presente, pretérito ou passado. Unidade abstrata de medida do tempo musical, a partir da qual se estabelecem as relações rítmicas; pulsação, andamento, velocidade das pulsações. Tempo solar verdadeiro despojado das desigualdades seculares ou periódicas; tempo médio, tempo solar médio. Tempo civil, tempo astronômico adiantado em 12 horas. Tempo. compartilhado, uso simultâneo de um computador central por diversos usuários em localizações distanciadas entre si; time-sharing. Tempo composto, na conjugação de verbos, a perífrase ou locução verbal constituída por um verbo auxiliar e uma forma nominal do verbo principal, nas vozes ativa e passiva. Tempo da salga, período em que se pesca e salga o peixe. Tempo  das efemérides, intervalo de tempo que tem por base a duração do ano trópico de 1900 e que não depende da rotação da Terra. Tempo das vacas gordas, época de prosperidade, e de riqueza. Tempo das vacas magras, época de escassez, e de penúria. Tempo  de aberração, intervalo de tempo gasto pela luz para se deslocar de um corpo celeste até a Terra; tempo de luz. Rui não estamos nem no começo, e lá vem tempo. Tempo de acesso, período decorrido desde que uma informação é solicitada a um dispositivo de armazenamento no computador, até começar a ser fornecida; tempo de entrada.

6* Tempo de casa, período compreendido entre a admissão de alguém num emprego até determinada data; tempo de serviço. Tempo de coagulação, tempo necessário para que o sangue colocado num tubo de vidro coagule. Tempo de D. João Charuto, tempo muito antigo; tempo do Onça. Tempo de Friedmann, intervalo de tempo decorrido desde o big-bang, em alusão a Herbert Friedmann, astrônomo norte-americano (1916-). Tempo de geração, tempo médio para que, num reator nuclear, os nêutrons provenientes de uma fissão nuclear originem fissões subseqüentes. Tempo  de Hubble, idade estimada do universo a partir do big-bang, ou seja, cerca de 17 bilhões de anos, em alusão a Edwin Powell Hubble, astrônomo norte-americano (1889-1953). Tempo de projeção, tempo transcorrido entre o início e o fim da projeção ininterrupta de um filme,  duração. Tempo de relaxação, tempo decorrido para que uma certa quantidade física, que decresce exponencialmente com o tempo, atinja uma fração de seu valor inicial igual ao inverso do número (e). Tempo  de residência, período em que um determinado material permanece no interior de um componente de equipamento. Tempo de resolução, o tempo mínimo necessário entre dois eventos para que um determinado instrumento de medida, ou de contagem, possa distingui-los e contá-los. Tempo de resposta, intervalo de tempo decorrido entre o início e o fim de uma consulta ou solicitação e o início da resposta, num computador. Tempo de sangramento, duração de hemorragia provocada por punção em determinada área do corpo, padronizada e sob controle. Tempo de vida, período de tempo durante o qual um dispositivo mantém suas características específicas, período em que um determinado dispositivo permanece útil sem se tornar obsoleto. Tempo de vôo, período de tempo existente entre o momento em que uma partícula deixa uma fonte e o momento em que ela alcança o detector.

7* Tempo do Onça, tempo muito antigo, período colonial, Em alusão ao capitão-mor Luís Vahía Monteiro, governador do Rio de Janeiro (1725-1732) que enlouqueceu no posto, cognominado o Onça por seu comportamento severo. Tempo do rei velho, tempo muito antigo. Tempo do ronca, tempo muito antigo. Tempo dos Afonsinhos, em época muito remota, Segundo o Vocabulário Pernambucano, de Pereira da Costa, em alusão ao tempo das afonsinas, ou seja, as Ordenações promulgadas pelo rei de Portugal, D. Afonso V (1438-1481). Tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça, tempo antigo (frequentemente relacionado com o baixo preço das coisas). Tempo geológico, tempo que se estende do final do período de formação da Terra como um corpo planetário separado ao início da história escrita (o termo implica uma duração extremamente longa ou remota no passado). Tempo hábil, período que possibilita a realização ou a obtenção de algo, que atende ao estabelecido por regulamento, disposição, pacto, lei etc. exemplo: reprovado por não apresentar a sua tese em tempo hábil, conjunto dos dias úteis compreendidos dentro de um prazo legal. Tempo integral, expediente completo, com a carga horária prevista na legislação. Rui ainda há muito tempo.

8* Tempo local, tempo “hora” que tem o meridiano local como referência. Tempo morto, período que decorre entre a tomada de uma decisão e o momento em que essa começa a ter efeito, período de ociosidade, de inatividade, num transdutor, intervalo existente entre o início de um sinal de entrada e o início de um sinal de saída. Tempo morto, posição de engate neutro, ponto morto na caixa de marcha dos veículos. Tempo próprio, o tempo de uma partícula em movimento como seria medido por um relógio no referencial inercial da partícula. Tempo real, processamento imediato das transações, como, por exemplo: nas operações bancárias efetuadas em terminais remotos computadorizados, diz-se também de cobertura jornalística no momento dos acontecimentos. Tempo relativo, cada uma das formas que expressam o futuro ou o passado em relação a um futuro ou a um passado constante do enunciado, por exemplo: o mais-que-perfeito, o futuro do pretérito, o futuro composto. Por oposição ao tempo absoluto. Tempos apagados, períodos caracterizados pela selvageria. Tempos fabulosos, épocas muito remotas cujas tradições são representadas pela mitologia pagã. Tempo sideral, ângulo horário do equinócio da primavera no instante considerado. Tempo simples, na conjugação de verbos, o tempo que não é formado por verbo auxiliar, por oposição ao tempo composto. Tempo solar verdadeiro, ângulo horário solar no instante considerado. Tempo universal, tempo civil do meridiano de origem, por convenção o de Greenwich. Tempo útil, período de tempo passível de ser aproveitado para um fim útil, tempo prescrito pela lei; prazo legal. Ao tempo que, na mesma ocasião que; quando. A seu tempo, na ocasião própria, oportuna. A tempo, no momento oportuno, exemplo: viajou a tempo, dentro do prazo, exemplo: apresentou os documentos a tempo.

9* A tempo e a hora, no momento próprio, oportuno. exemplo: toma todas as providências a tempo e a hora. A todo tempo,a qualquer hora; sempre. A um só tempo, simultaneamente, exemplo: escreve e ouve rádio a um só tempo. Com tempo, sem precipitação; calmamente, exemplo: concluirá sua tese, mas com tempo. Dar tempo ao tempo, esperar pacientemente, confiante numa solução futura, exemplo: esse caso tem solução, mas é preciso dar tempo ao tempo. Dar um tempo, esperar um pouco, exemplo: dê um tempo que ela já vai chegar, parar algum tempo o que estava fazendo, outro exemplo: o casal deu um tempo no namoro. Desabar o tempo, chover torrencialmente. De tempos em tempos, sem regularidade; ocasionalmente, exemplo: de tempos em tempos aparece por aqui. Em dois tempos, de modo muito rápido, exemplo: cumpriu a tarefa em dois tempos. Em tempo de, expondo-se a; correndo o perigo de, exemplo: atravessou com o sinal fechado, em tempo de ser atropelado. Em tempo recorde, o mais rápido possível, exemplo: concluiu a obra em tempo recorde. Esquentar o tempo, haver briga; fechar o tempo. Fechar o tempo, ficar o tempo enfarruscado, nublado, tempestuoso, haver briga, discussão, pancadaria; esquentar o tempo, exemplo: fechou o tempo no fim do jogo. Ganhar tempo, postergar a solução de algum problema ou adiar uma providência, aguardando melhor momento, exemplo: procurou ganhar tempo até conseguir o dinheiro para fechar o negócio. Haver tempo ou tempos,         ter decorrido algum ou muito tempo; fazer tempo, exemplo: há tempos falamos numa excursão a Minas: você ainda está interessado?. Já não ser sem tempo, já tardar, já vir fora de hora, exemplo: finalmente saiu o pagamento, e já não foi sem tempo. Lutar contra o tempo, fazer esforço para concluir um trabalho dentro do prazo determinado, exemplo: para entregar o livro antes do Natal, terá que lutar contra o tempo. Matar o tempo, ocupar-se com algo sem importância para distrair-se, exemplo: faz palavras cruzadas para matar o tempo. Não ter tempo nem para se coçar, estar muito ocupado. Nesse meio tempo, nesse intervalo, nesse ínterim; entretanto. O tempo todo, sem cessar; ininterruptamente, exemplo: fala dos filhos o tempo todo.

10* Perder o tempo e o latim, argumentar, explicar, aconselhar ou pedir sem sucesso. Perder tempo, desperdiçar tempo (acepção) trabalhando devagar ou de modo improdutivo, Ser tempo, ter chegado a hora de, exemplo: é tempo de começarmos a protestar. Ter tempo, ter vagar ou ocasião; poder dispor de tempo para fazer alguma coisa. No português os tempos compostos incluídos nos paradigmas de conjugação formam-se com o verbo ter, mais raramente, haver, seguido do particípio do verbo, sendo eles: no modo indicativo, pretérito perfeito composto, pretérito mais-que-perfeito composto e futuro do pretérito composto; no modo subjuntivo, pretérito perfeito, pretérito mais-que-perfeito e futuro composto; nas formas nominais, infinitivo impessoal composto, infinitivo pessoal composto e gerúndio composto; os tempos simples são presente, pretérito imperfeito, pretérito perfeito, futuro do presente, futuro do pretérito e pretérito mais-que-perfeito (do indicativo), presente, pretérito imperfeito e futuro (do subjuntivo), imperativo (afirmativo e negativo) e formas nominais (infinitivo impessoal, infinitivo pessoal, gerúndio, particípio). Na acepção do decorrer do tempo, em inglês emprega-se a palavra time (tempo); em francês, a palavra heure (hora); no Brasil e Portugal seguiu-se a orientação francesa, só recentemente iniciou-se o emprego de tempo no sentido de hora local. Diz-se, ciclo, época, era, estação, estádio, estágio, etapa, idade, período, quadra, quartel, tempo. Etimologia: lat. tempus,òris 'tempo, tempo prosódico, quantidade de uma sílaba'; ficha histórica,  século XIII tenpo, século XIV tempo, século XIV tepo. Prezado Rui, vou parar por aqui, o tempo nos possibilita preencher mais cem folhas, mas a plena realidade do tempo, não são estes exemplos de como o tempo está presente no nosso dia a dia.

11* Veja esta abordagem metafísica do tempo: O tempo, ou conforme a relatividade geral, a “quarta dimensão” é linear, é um “continuum” embora alguns teóricos da física quântica teorizem ou achem que o tempo seja discreto, isto é, decorra em brevíssimos trancos, como se fosse um gotejar de milionésimos de segundos! Pode até ser que o seja, se o for, será contra o senso comum, pois só o percebemos como um “continuum” como o cair das águas de uma cascata, sem interrupções. Na realidade só percebemos o tempo como um fenômeno estático, só vivenciamos o momento presente. Pois do passado só temos lembranças e do futuro esperanças. Como o tempo só corre ou caminha numa direção, isto é, do passado para o presente, e do presente para o futuro, diremos que o tempo só tem uma seta. A primeira lei do tempo é que sua seta não pode ser invertida, em física teórica não há proibição alguma de se viajar para o futuro, mesmo os buracos de minhoca (horm hole) só nos levarão para o futuro, mesmo as tão faladas dobras do tempo, só nos levarão para o futuro! Um paradoxo! Um paradoxo! Se embarcamos barcarola dessa! Vai ser impossível retornar! Desde quando a seta do tempo só possui uma direção! O maior fator de dobramento será de 360 graus, mesmo assim, só nos levará para o presente, a lógica é esta! Dobre um plano qualquer em 360 graus, ele dobrar-se-á sobre si mesmo, o menor será de 180 graus este sim, nos levará a um futuro infinito. A ideia é esta Rui: 1 grau = amanhã, 359 graus = amanhã, 90 graus e 270 graus = a metade do futuro total, 180 graus o futuro total ou infinito. Lembre-se, o tempo por ser linear é plano.   A segunda lei do tempo, é que o tempo não pode parar, é igual a São Paulo. A terceira lei do tempo, é que o tempo não tem início nem fim, por ser infinito não tem borda, é como o próprio universo, uma esfera, assim foge ao controle do homem, isto é, não pode ser agarrado, pois não tem rabo, nem cabeça, nem chifre, (este último item, unicamente por ser solteiro). A quarta lei do tempo, é que o tempo é relativo, e não absoluto, como foi considerado durante milênios, é por isto que para os felizes a vida é breve e para os infelizes dura uma eternidade; os encarcerados que o digam!  Rui esta parte da pesquisa que segue colhi no site, http://www.soteoria.hpg.ig.com.br não consegui pegar o nome do autor, ele se nomina “o autor”. Donde deduz-se sua sapietude.

12* Nossos sentidos nos dizem que o tempo flui, isto é, que o passado é fixo, o futuro é indeterminado e a realidade é vivida no presente. No entanto, diversos argumentos físicos e filosóficos sugerem o contrário. A passagem do tempo é provavelmente uma ilusão. Talvez a consciência envolva processos termodinâmicos ou quânticos que nos dão a impressão de estarmos vivendo momento a momento. Assim escreveu o poeta inglês Robert Herrick: "Colhe teus botões de rosa enquanto podes, o Velho Tempo ainda voa.", estabelecendo o clichê universal de que o tempo voa. E quem poderia duvidar disso? A passagem do tempo é provavelmente a característica mais básica da percepção humana, pois sentimos o tempo fluindo no âmago de nós mesmos de uma maneira mais íntima que o modo como experimentamos espaço e massa. A passagem do tempo já foi comparada ao vôo de uma flecha e a um córrego em perpétuo fluxo, transportando-nos inexoravelmente do passado ao futuro. Os físicos insistem em afirmar que o tempo não flui: ele simplesmente é. Alguns filósofos sustentam que o próprio conceito de passagem do tempo não faz sentido, e que a ideia do rio ou do fluxo do tempo é baseada num conceito incorreto. Como algo tão básico à nossa experiência do mundo físico pode ter uma identidade tão difícil de definir? Ou será que o tempo tem alguma qualidade essencial que a ciência ainda não identificou? Nos séculos anteriores analisamos e vemos como nossa visão sobre a natureza do tempo se modificou. Até o começo do século XX acreditava-se num tempo absoluto. Ou seja, cada evento poderia ser rotulado por um número chamado 'tempo', de uma única forma, e todos os relógios concordariam com o intervalo de tempo entre dois eventos.

13* Entretanto, com a descoberta de que a luz tem a mesma velocidade para todos os observadores, independente do deslocamento de cada um, levou Einstein  à Teoria da Relatividade, e nela foi necessário abandonar a ideia de tempo único e absoluto. Em vez disso cada observador teria sua própria medida de tempo, como registrado pelo relógio que o conduzisse: relógios de observadores diferentes não precisariam concordar necessariamente. Assim, o tempo se tornou um conceito pessoal, relativo ao observador que o tivesse medindo, aqui termina a pesquisa do site. Rui o que segue é uma abordagem de Pedro Orlando Ribeiro, é uma análise da filosofia Ubaldista sobre o tempo, é tão interessante que a transcrevi “Ipsis-Litteris”, O conceito de Tempo na filosofia Monista é um dos assuntos mais difíceis de serem compreendidos, pois Ubaldi emprega a palavra Tempo em dois sentidos. Trata-se de uma nova abordagem conceitual deste tópico e ainda não existem vocábulos que diferenciem claramente entre si os dois significados. Outro obstáculo é a atual forma de nossa consciência, inadequada para compreender temas que se situam além do nosso universo dimensional. Nos capítulos iniciais de A Grande Síntese, Ubaldi alerta para esta diferença de conceitos para a palavra Tempo: Por tempo entendo, o ritmo, a medida do transformismo fenomênico; isto é, um tempo mais amplo e universal que o tempo no sentido restrito - medida de vosso universo físico e dinâmico - e desaparece no nível a; um tempo que existe onde haja um fenômeno e subsiste em todos os níveis possíveis do ser, tal como um passo que assinala o caminho da eterna transmutação do todo. Vamos tentar compreender o que significa tempo restrito e tempo universal. É importante estarmos cientes de que vivemos num Universo decaído por motivo da queda no Anti-Sistema de parte das criaturas do Sistema perfeito original. Esta queda se deu na forma de desmoronamento do Sistema orgânico em infinitos universos onde as criaturas ficaram escalonadas hierarquicamente em sentido inverso da sua posição original na hierarquia do Sistema. Quem estava mais em cima caiu mais embaixo e vice-versa. Estes infinitos Universos são trifásicos como o Sistema original. Cada fase destes universos têm a sua dimensão própria. As dimensões também se agrupam de 3 em 3 (o “devenir” das dimensões é cíclico). Assim, a dimensão espacial inerente a matéria, evoluiu da dimensão linear, passando pela dimensão superficial e concluiu o seu ciclo na dimensão volumétrica. Concluída esta tríade passa-se a gênese progressiva da dimensão conceptual através do tempo, da consciência e da superconsciência. O tempo, primeira dimensão conceptual toma a forma de consciência própria, linear por analogia com a dimensão linear do espaço. Este é o tempo que Ubaldi denomina tempo restrito. É uma consciência que sabe apenas do seu progredir no tempo (tempo universal). É uma consciência ainda primitiva que não se eleva a julgamentos porque ainda não percebe a existência de outros fenômenos paralelos. Este tipo de consciência é propriedade das forças que têm conhecimento apenas do seu transformismo. Com o surgimento da dimensão seguinte, a consciência (razão) correspondente à superfície na dimensão espacial, o tempo (restrito) começa a desaparecer ao ser dominado e absorvido pela consciência. Embora o pensamento analítico ainda seja seqüencial no tempo, podemos pensar em termos de passado, presente e futuro. Não podemos viajar fisicamente no tempo mas podemos dominá-lo através do pensamento. Com o surgimento da superconsciência (intuição) no futuro, a concepção será uma visão global instantânea de tudo o que agora nós concebemos sucessivamente, por conseguinte o tempo (restrito) desaparece por completo e o pensamento torna-se sintético e instantâneo. Assim, esta dimensão tempo relativa a energia desaparecerá em universos que seguem ao nosso na linha evolutiva. Ele também não existe em universos que precedem o nosso. Ubaldi a este respeito escreveu: A evolução corresponde a um conceito de libertação dos limites que sufocam, dos liames que estrangulam, é um conceito de expansão cada vez mais amplo do nível físico ao dinâmico e ao conceptual. Por isso, é subida, progresso e conquista.

14* Embaixo, nos graus subfísicos, o ser está apertado em limites ainda mais angustiosos do que são o tempo e o espaço que atormentam vossa matéria; no alto, nos graus superpsíquicos, não apenas caem as barreiras de espaço e de tempo - tal como já ocorre em vosso pensamento - mas desaparecem também os limites conceptuais, que hoje circunscrevem vossa faculdade intelectiva. (P. Ubaldi - A Grande Síntese). Já o chamado tempo universal marca com seu ritmo o transformismo (involutivo-evolutivo) também desaparecerá quando terminar a grande marcha evolutiva, isto é, quando a fração cindida do Anti-Sistema for reabsorvida pelo Sistema, reconstituindo-se em unidade no absoluto: "A eternidade, despedaçada no tempo, se refaz no uno imóvel, integro, indiviso, e nela a corrida de transformismo, lançada em busca da perfeição, se detém diante da perfeição atingida. Então o tempo volta a ser imóvel, sem mais transformismo, e se faz eternidade (P. Ubaldi - Deus e Universo)". Compreendido o conceito de tempo na filosofia monista ubaldista, surge-nos outro conceito mais difícil de compreender: a eternidade. Como é um conceito que está além da nossa mente relativa só podemos vislumbrar alguns de seus atributos: O absoluto não fica cindido pelo tempo que passa, mas simplesmente "é", sem tornar-se, livre da concatenação: ... causa-efeito, efeito-causa... Então, ele é totalmente concomitante, todo presente, todo visível. Nossa divisão entre passado, presente e futuro é apenas uma posição relativa a nós, dada pelo transformismo, condição necessária da evolução, que é a nossa lei. (P. Ubaldi - Profecias). Outro ponto aparentemente paradoxal é a idéia sobre a imobilidade do eterno Sistema Absoluto (O Nirvana dos Budistas).

15* Ubaldi nos esclarece: Que significado devemos dar ao conceito de imobilidade do sistema? Explicamos ser o Tudo-Uno-Deus, depois de ocorrer a criação, um organismo em funcionamento. Ora, um organismo em funcionamento não pode ser imóvel. Devemos então precisar, com maior exatidão, o significado do conceito de imobilidade neste caso. Pode, portanto, a imobilidade significar apenas uma mobilidade ordenada em perfeita obediência à disciplina da Lei. O que chamamos movimento foi, então, um estado ou tipo diferente de mobilidade, isto é, não mais um movimento regular de ordem, mas um movimento irregular de desordem, em revolta à ordem precedente, fora da disciplina da Lei e independente dela. Foi um movimento anárquico e desarmônico de rebelião, nascido do seio do movimento regular e harmônico do Sistema. Em conseqüência, por isso mesmo, houve uma expulsão do sistema pela própria natureza, para a periferia daquele movimento ordenado; e nessa periferia, esse novo movimento tentou reorganizar em posição invertida, na forma de Anti-Sistema. (P. Ubaldi - O Sistema).  Prezado Rui, no século XIX um homem de grande poder de introspecção fez este sábio poema, que suplanta tudo que foi dito até agora. Veja para finalizar o que diz o frei Antônio das Chagas (1831-1882): "Deus pede estrita conta do meu tempo / e eu vou do meu tempo dar-lhe conta, / mas como dar, sem tempo, tanta conta, / eu que gastei, sem conta, tanto tempo? / Para ter minha conta feita a tempo, / o tempo me foi dado e não fiz conta / não quis, sobrando tempo, fazer conta, / hoje quero acertar conta e não há tempo. / Ó vós que tendes tempo sem ter conta, / não gasteis vosso tempo em passa-tempo. / Cuidai, enquanto é tempo, de vossa conta, / pois aqueles que sem conta gastam o tempo, / quando o tempo chegar de prestar contas, / chorarão, como eu, o não ter tempo.

16* Rui, só conseguimos perceber a profundidade deste poema, quando já idosos, é como a sabedoria, ao jovem quase sempre é negada; nesta fase da vida raramente o jovem a possui; senão a vida seria um fardo insuportável. A beleza da juventude requer uma boa dose de “não sapiência” e de “irresponsa”. É do próprio existir humano.
 
Para encerrar o tempo! Com o “não tempo”
O “não tempo”, embora exista como conceito filosófico, é um conceito de pouca divulgação, nós nunca pensamos no não existir do tempo, sendo o mundo feito de opostos. Como podemos conceber até o antiuniverso, natural que concebamos também o antitempo, embora o “não tempo” não faça muito sentido num Universo temporal, num Universo cíclico existe logicamente uma fase de “não tempo”. Isto é, na extremidade deste ciclo, entre o fim e o início de um novo Universo, a razão nos indica (por mais breve que seja) uma fase de “não tempo”. O paradoxo é que “breve” envolve o conceito de tempo, e o oposto de breve é “longo”, que também envolve o conceito de tempo. A única forma em que consegui conceber o “não tempo” foi concebendo-o emparedado numa lâmina de espessura “zero” com dimensão infinita.

Rui, queria que você me fizesse uma equação matemática para descrever esta lâmina, pois esta seria a equação do “não tempo”.   
   
Bons tempos te acompanhem. Isto é, que o tempo das “sete vacas gordas” esteja contigo para todo o sempre.

Em tempo: o próximo assunto é o “Ser e o Existir”.
Se eu e você tivermos tempo!  Um para escrever, o outro para ler.


Edimilson Santos Silva Movér
Vila de Abrantes, Camaçari-Ba.
15 de novembro de 2003


                                                                                                    

                                                                                                    

                                                                                               

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