segunda-feira, 13 de agosto de 2018

AS HERANÇAS - ENSAIO (135)oks


 

DA SÉRIE: ENSAIOS QUE NOS LEVAM A PENSAR

Da subsérie: esta é uma nova visão sobre as heranças, talvez não se perceba, mas quase não se vê tocar na essência do assunto “herança”, como se esse fosse um tema proibido! Um tabu! Pouquíssimos escritores tocam no assunto, mas, ele é real e existente. Assim, vamos a este curto e despretensioso texto sobre as heranças.

 

AS HERANÇAS

 

1”AH”. Quando se dilapidam as heranças, seriam estas heranças malditas? Ou na maioria das vezes, seriam mal geridas? O problema estaria nas heranças? ou estariam nas ações gerenciais dos herdeiros? O que se pode ter como mais acertado, é que a maior culpa caberia aos genitores! Estes, às vezes, por mandonismo, usura, ganância e, principalmente, por burrice! Chegam à uma velhice avançada com os herdeiros já adultos, sem nada entenderem ou saberem como gerir uma fortuna, mesmo, por menor que seja! Daí, para uma bancarrota total é um passo! Isto, para não irmos mais longe! Pois os exemplos são muitos pelo mundo afora.

 

2”AH”. Na história de todos os povos do planeta sempre ouve desentendimentos nos processos de partilha das heranças, mas, não se trata de uma característica nacional, e sim de uma característica de todos os povos do mundo, não havendo distinção entre as heranças nem entre os "sapiens", daí, deduz-se que: “Todos os falantes são iguais perante as heranças”. Sempre digo, e repito que os humanos são farinha do mesmo saco, ou tecido do mesmo fio e tear, na maioria dos casos! As heranças costumam quebrar os laços familiares, ao invés de reforçá-los, naturalmente, que existem as exceções, onde após a partilha, a união da família se torna mais forte. Mas, no geral é assim, como disse. No caso, da herança gerar a paz, seria a exceção e não a regra. Durante a história dos povos, antes da instituição do voto popular na gerência de seus destinos. Na nobreza; Na verdade, nas famílias pretensamente nobres, nos reinados e noutras hierarquias, ducados, principados, baronatos, (típicas “exploratices” dos povos ainda sem cultura, pobres e humildes). Na verdade, a evolução da humanidade é como a chuva e o vento sobre um campo de trigo, não há como evitar, que todos os grãos recebam suas benesses e suas más consequências, mas, no fim, todos os grãos se desenvolvem, embora alguns caiam ao solo, mas, a maioria servirá de alimento para os homens. Não existe sociedade que só se alimente com os grãos que caíram no solo. Perante a vida todos os humanos são iguais. Nunca existiu uma casta chamada de “Nobreza” que não fosse formada por humanos comuns, como todos os homens o são; Na nobreza os casos das heranças, resolvia-se facilmente e de forma definitiva. Simplesmente apunhalava-se ou envenenava-se o patriarca ou a matriarca ou o primeiro herdeiro em linha sucessória. E estava tudo resolvido, essa prática, era uma coisa natural, corriqueira, ninguém reclamava. Restou dessa época a lendária figura já desaparecida, mas, que pode voltar a qualquer dia, do: “Provador do Rei”. Aqui por perto, numa cidade distante de Vitória da Conquista, uns cem quilômetros, uns herdeiros “emburrecidos”, tentaram repetir o procedimento das famílias nobres, matando os genitores, e se deram mal, pois os costumes mudaram, e os herdeiros, ao que se percebe, não sabiam, que estes costumes tinham sido abandonados! O problema é que “costumes” dentro do tempo, costumam mudar, se para pior ou para melhor, isto é relativo, pois, na maioria dos casos o verbete (pior), é utilizado por quem é prejudicado, e o verbete (melhor), é utilizado por quem é beneficiado. Daí, a inversão é facílima! Ao mudar de lado das consequências das ações, muda-se imediatamente o entendimento e os sentidos e valores de algumas palavras! Sob uma análise mais aprofundada, ou numa visão filosófica ontológica, estas duas adjetivações, não possuem um valor único, constante e definitivo para as pessoas. Sua relatividade torna-se patente, e é facilmente percebível em toda nossa existência. Aqui, não trato do significado das palavras, “pior e melhor”, que sempre possuirão cada qual seu único significado, mas sim, que as suas interpretações mudam, quando as pessoas mudam de lado, com referência às consequências dessas ações humanas.

 

3”AH”. As dicotomias maniqueístas do bem e do mal, foram superadas por outros enfoques filosóficos, nem se ouve mais falar em Maniqueu. As ações que gerem o bem e o mal, a coisa boa e a ruim, o certo e o errado, sob certas injunções mudam claramente de valores, como no caso das vinganças, tratado no ensaio “O Espírito”, em 3”OE”., onde demonstro que uma verdade passa a ser uma não verdade e o inverso. Aqui vou transcrever parte de um texto de outro ensaio, onde digo sobre as vinganças que: [... A verdade dos homens possui duas ou várias faces, a melhor maneira de ver isso seria no caso das vinganças, onde cada parte, a que pratica e a que sofre a vingança, possui cada uma, sua própria verdade. Se olharmos friamente com os olhos da razão e da lógica, veremos que ambos não são inocentes, nem o que pratica e nem quem sofre a vingança, pois se o que “sofre” não tiver culpa, não foi praticada uma vingança, mas sim, cometida a prática de um crime comum, mas, não uma vingança. Aquele que pratica a vingança se vê de posse da razão e da verdade. Também, aquele que sofre a vingança se vê de posse da razão e da verdade. Voltando a (C)., e simplificando, podemos entender que: - Jiddu Krishnamurti nos diz que: - 1). Você não pode encontrar a verdade por meio de outra pessoa. 2). A verdade é o desconhecido, e uma mente que está buscando a verdade jamais a encontrará. 3). Porque a mente é feita do conhecido, e assim, portanto, seria o resultado do passado, o resultado do tempo – que você pode observar por si mesmo. 4). Quando a mente procura a verdade, ela está buscando a sua própria “autoprojeção”, não a verdade”, ou seja, o homem procura uma justificativa para sua opinião e entendimento. 5). Entendamos, porém, que a “Verdade” de Krishnamurti seja a “Verdade Universal”, e que este grande pensador está a se referir, a “Verdade” que representa o que nomino de “Inteligência Cósmica”, ou o Absoluto, que a maioria dos humanos chamam de “Deus”. 6). Teosóficamente, ontologicamente e literalmente, dessa “Inteligência Cósmica” dimana a única “Verdade” existente em todo o Cosmos, que é a “Verdade” de sua própria” existência. Desde quando não podemos negar essa “Verdade” sob pena de negarmos nossa própria existência, nem podemos negar a “Verdade” de que somos o próprio universo tomando conhecimento de si próprio. Não existindo duas “Verdades”, sendo a “Verdade” única e absoluta, sendo que a verdade dos homens é ambígua, podendo ter várias faces e nomes, conforme o número de interessados envolvidos na questão. Ficando entendido, que a verdade do homem, não é a verdade, mas um conceito de cada uma das parte, interessadas em adotá-lo como uma verdade em sua defesa, nunca como uma verdade acusatória].

 

3”AH”. Nas famílias com grandes fortunas, os casos de desentendimentos na partilha do espólio tendem a ser mais raros. O volume de uma herança muito grande faz com que mesmo havendo algum esbulho ou desvio, o que resta para dividir satisfaz plenamente a todos, principalmente aos mais lesados, no geral, satisfaz a “lesados e, claro, a lesadores”.  As famílias com menores recursos financeiros, com fortunas abaixo da média, tendem a se separar após a morte dos genitores, sendo o principal motivo a desconfiança gerada na partilha dos bens. Até os inventariantes tornam-se insatisfeitos com o andamento do inventário, o “azedume” começa com a avaliação dos bens do espólio. Quando a herança é toda em moeda corrente e sonante, (estando ou não, depositada em bancos), podendo existir parte, ou toda a herança na forma de apólices, letras de câmbio, ações e outros papéis financeiros, neste caso, a similitude da liquidez dos valores representativos da herança não atrapalham, pois, sua não uniformidade de valor representada por cada tipo de papel, inclusive, por sua alta ou baixa liquidez. Quando divididos equitativamente entre os herdeiros, a atitude é mais simples e correta, tornando-se somente uma questão aritmética. Descontadas as despesas com o advogado, impostos e as custas judiciais, ao se dividir equitativamente o restante pelo número de herdeiros, liquida-se o assunto e não há o que reclamar.

 

4”AH”. No entanto, quando os bens deixados são em parte, ou todo em imóveis, aí, a coisa se complica, pois, via de regra, os valores dos imóveis em geral não são tabelados ou conhecidos, possuindo valores empíricos com fundamentos na lei da oferta e da procura, coisa facilmente “escamoteável” por advogados e herdeiros espertos. Sobretudo, porque, os valores admitidos para os imóveis do espólio, são os valores das declarações dos lançamentos da declaração do imposto de renda declarado pelo “De Cujus”, e que normalmente esconde o real valor do imóvel. É nesse caso que os herdeiros “espertos”, de comum acordo com “auxiliares espertos” lesam alguns herdeiros menos “espertos”, acontecendo o esbulho e a má fé. Então, conforme o caso, parte-se para a avaliação amigável ou judicial e, quando isso acontece, os que se julgam mais “espertos ou sabidos” procuram interferir na avaliação para tirar proveito disso.

 

5”AH”. Finalmente, quando o processo da inventariança chega ao fim, e divide-se “equitativamente” todos os bens do espólio, já descontados os custos do inventário e, “já estabelecidos os valores dos quinhões”, todos os herdeiros se veem de posse das escrituras de suas partes dos bens imóveis. A partir desse momento se descobre o real valor de venda das diversas partes da herança. É nessa hora que a divisão da herança divide as famílias. Há casos em que os herdeiros chegam às vias dos fatos e até assassinatos ocorrem. Os genitores, ao invés de terem deixado uma herança, deixaram um “presente de grego” para seus herdeiros, embora deixassem uma herança, também deixaram um enorme cavalo de pau cheio de problemas dentro do muro da herança. E, verdadeiramente, deixou foi um enorme problema. Tudo isso é gerado pela ganância, burrice e falta de visão dos genitores! (Essa verdade não pode ser negada, nem se deve deixar de mostrar aos genitores ainda vivos, essas verdades). O certo é que aos genitores mortos ela não interessa. Sendo próprio dos humanos julgarem erroneamente que são imortais, e que vão durar para sempre. Eu mesmo estou prevendo minha morte para daqui a uns trezentos ou quatrocentos anos! Poucos agem com sabedoria e lógica, fazendo a partilha em vida. O pior acontece quando os genitores de médias fortunas têm os seus herdeiros pobres e incultos, sem nenhum conhecimento de como se conduz a média fortuna herdada. Estes herdeiros dentro de pouco tempo ou são roubados por parentes ou estranhos desonestos, e tudo volta para a estaca zero. Assim, os genitores passaram toda uma vida fazendo uma fortuna que resultaria em “nihil”. Ou seja, “nadica” de nada, diz-se também, virou “Bufa de Anum”.

 

6”AH”. A burrice campeia solta e desembestada pela vida afora. O problema é que, talvez por medo de enfrentar o desconhecido ninguém assume que a verdade maior do existir, seja a efemeridade da própria vida. E assim, cada “Ser” humano ao longo da vida cria para si, a sua própria verdade paradigmática  existencial, não havendo argumento que o demova das suas ideias e crenças,  que passam a ser ou tornam-se seus princípios e padrões comportamentais, (aqui não me refiro às crenças religiosas de cada um). Quando numa  existe membros com comportamentos heterodoxos, isto é, com desvios de conduta, quanto mais estes membros possuem ascendência sobre os demais membros e conseguem convencer e se unir a outros membros também sem escrúpulos, ali foi aceso o estopim da desagregação da família. Muito dificilmente um membro sozinho consegue lesar os demais, mesmo não sendo este membro o inventariante. Sempre ocorre um conluio dos mais (aparentemente), espertos, para lesar os mais simplórios. Há casos em que um único membro esperto consegue, após decorridos poucos anos da partilha, ficar com todos os bens do espólio. Tenho um exemplo em minha própria família, um parente próximo faleceu deixando uma razoável fortuna, e dentro de menos de quinze anos todo o patrimônio já estava em nome de um único herdeiro. Não que tivesse havido furto, roubo ou esbulho. Aquele que ficou com o grosso dos bens, agiu com paciência e inteligência, após o fim do inventário, todos estavam sem “capital de giro”, algo extremamente necessário para tocar qualquer empreendimento, por menor que seja, mesmo a simples propriedade de um bem rural. Aí entra o nosso amigo sabichão disponibilizando o capital aos demais herdeiros, cobrando juros nem tão altos nem tão baixos, mas, numa taxa que dentro de pouco tempo de contínua capitalização torna-se impagável sem a venda de um bem imóvel. Nesta armadilha todos caem e paulatinamente todos os bens deixados pelos genitores passam para a propriedade deste único herdeiro sabichão. E, tudo dentro da lei. Aquele que tentar levantar a voz, logo recebe uma intimação para responder pelo crime de difamação. E,  assim, todos se calam, pois todos devem e não podem pagar; às vezes a dívida cresce tanto que supera o valor da herança recebida. Os exemplos são muitos.

 

7”AH”. Por menor que seja a herança deixada, sempre haverá a tentativa de se praticar um esbulho. Isto é gerado pela ganância, “coisa” natural e inerente aos seres humanos. O homem traz dentro de si, o instinto animal da propriedade e posse, instinto herdado de seus antepassados hominídeos territorialistas. Estes instintos eram necessários para garantir a sua sobrevivência. Na atual fase de evolução espiritual da espécie, a ausência deste instinto talvez não seja uma “coisa” desejada! O primitivo instinto de propriedade da espécie, é o único motivo da derrocada do socialismo/comunismo, e os instintos não podem ser eliminados na espécie, porque eles são moradores do nosso cérebro límbico, ou zoo. Alguns não os possuem tão ativos, mas, os possuem. Os seres isentos desta peste, são tão poucos que podemos chamar esta indecência de “natural”! O pai mata o filho e o filho mata o pai pela posse de alguma coisa, principalmente por dinheiro! E o sapiens não vai abandonar tão cedo estes instintos, territorialista e de posse. O homem naturalmente é um "Ser" proprietário. Disto, vem e virá a contínua e eterna falência dos regimes comunistas, ninguém, nenhum ser humano está livre destes instintos primitivos. Existem sim, alguns poucos que conseguem controlá-los. 

 

8”AH”. Conheci um caso singular: O “de cujos” aposentado e já viúvo desde muito tempo, ao morrer deixou somente uma casa não escriturada, mas, uma excelente construção e bem mobiliada. Alguma economia que possuía no banco, foi gasta com internações, médicos e remédios, (dizem que a classe médica são os urubus que dão a primeira bicada na futura carniça). O certo é que os herdeiros combinaram que venderiam a casa sem a escritura a quem se dispusesse a providenciá-la, e assim fizeram! Venderam a casa e pacificamente repartiram o dinheiro; passados uns meses, houve um barulho danado, tapas, cabelos arrancados, dentes quebrados, tiros para o alto, delegacia, queixa crime, e o famoso e indefectível BO, e tudo mais pertinente a um bom quiprocó. O problema é que alguém se lembrou de que: antes do “de cujus” adoecer tinham combinado que com parte do dinheiro da economia existente no banco comprariam uma televisão nova, para o patriarca passar seus últimos dias vendo suas novelas a caráter, como ele adoeceu e piorou repentinamente a TV de 52 polegadas, que na época era a maior existente, não chegou a sair da caixa:  era uma TV tela plana, “hdtudo”, “smartTV” e muito etc. acompanhando. Tinha o máximo de polegadas possível, era importada do primeiro mundo, e de lançamento recente, assim, custou uma pequena fortuna. O sumiço da TV motivou o quiprocó e a separação dos herdeiros. Até hoje existe processo para ser respondido. O certo é que a TV sumiu, evaporou-se, viajou, escafedeu-se, criou asas, transubstanciou-se! Eram 6 seis os herdeiros e não se sabe até hoje quem levou a TV. Presume-se que a danada da TV foi vendida para fora da cidade, pois, numa cidade pequena até as TVs são conhecidas, e esta, tornou-se famosa depois do “quiprocó”, mesmo porque, uma TV daquela dimensão não passaria despercebida, o certo é que ninguém mais viu a tal da TV. Só restou a desconfiança entre todos, ora! Se em todos havia desconfiança! Até o herdeiro que levou a TV ficava desconfiando dos outros herdeiros, isto, naturalmente, como pretensa defesa.

 

9”AH”. O que leva um humano que sobressai entre seus pares na competição pelo sucesso econômico, chegando às vezes, até a se tornar um político proeminente, que passa a ser o responsável pelo destino da sua comunidade, a se comportar como um idiota? Chegando às vezes, a morrer de velhice acreditando que é eterno, isto, quanto à gerência do que conseguiu amealhar em sua efêmera existência? Deixando mais “problemas” que “fortunas” para seus herdeiros imediatos. O grande valor dado ao “bom senso e à lógica”, deve ter suas raízes na escassez do uso dessas matérias primas no comportamento humano. Talvez se fossem menos recomendados seriam mais utilizados, coisa que não acontece. Seria de “bom senso” mostrar aos filósofos e aos pensadores estas verdades! Levando-os a recomendar menos, e a diminuir o canto em prosa e versos o uso do “bom senso e da lógica”. Mas, como não param de recomendar estas duas coisas por si mesmas subjetivas! O uso de um ou da outra, do "bom senso ou da lógica" raramente é seguido ou obedecido pelos humanos. Embutido nesses raciocínios pode estar a razão de haver 99,9 % da humanidade se comportando como homens do (3º Tipo).

 

Edimilson Santos Silva Movér

Vitória da Conquista-Bahia

21 de julho de 2015

Atualizado em 29/03/2018

Revisado em 11/12/2021

 

 

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