quarta-feira, 1 de agosto de 2018

BIOGRAFIA DO PAPAGAIO "DI" - PROSA



DA SÉRIE: ENSAIOS QUE NOS LEVAM A PENSAR
Subsérie: Em homenagem a saudosa memória de Virgílio Figueira Brito, (Ninha), os fatos reais da vida do papagaio “DI”


REQUERIMENTO PARA O DEVIDO REGISTRO DO
PAPAGAIO “DI” NO “IBAMA”

(COM A ANOTAÇÃO HISTÓRICA DA VIDA DO PAPAGAIO "DI"



Nos idos de setembro de 2005, lá na fazenda Ceci Em Itororó-Ba, numa tarde brumosa com prenúncio de violentas tempestades, onde fortes ventos derribaram uma árvore de grande porte, na qual um casal de papagaios desde muitos anos fazia seu ninho num oco existente na parte alta do tronco da mesma. Retornando naquela hora do seu trabalho, um peão de nome Zé Buião encontrou a velha árvore caída! No velho ninho, Zé Buião encontrou três filhotes de papagaio, um estava morto, outro se encontrava ferido, embora levado para ser socorrido na casa do trabalhador, para consternação de Zé Buião e de sua esposa Dona Alaíde, o pobre filhote de papagaio veio a falecer. O terceiro e afortunado filhote foi batizado por Dona Alaíde com o onomatopaico e pomposo nome de "DI", pois era o único som que o sortudo filhote de papagaio sabia emitir "DI" "DI" "DI", dia e noite, noite e dia. Esta era a cantoria que o lindo filhote emitia, se com sede "DI", se com fome "DI", se espantado com o gato "DI", se com raiva "DI", se alegre "DI". Na realidade era um som estridente muito parecido e próximo do fonema "DI", e este ficou sendo seu nome para todo o sempre, pelo menos enquanto respirar o bendito ar deste planeta azul. Naquele entardecer um casal de papagaios em seu vôo de retorno ao ninho antigo sentou num galho de uma grande árvore próxima ao velho tronco caído remanescente da antiga floresta atlântica e de seus peitos em uníssono saiu o canto mais dolente que a velha floresta ouviu em toda sua existência. Primeiro fizeram um minuto de silêncio em homenagem aos filhotes inapelavelmente perdidos, depois emitiram três cantos longos, de arrepiar a alma mais empedernida, e partiram em silêncio para as bandas do leste em busca dos últimos resquícios da saudosa mata atlântica ainda existente na Bahia. Nesta tarde toda a floresta chorou copiosamente pela perda dos seus futuros moradores, e por deixar de ouvir o canto alegre do casal de papagaios. O riacho que corria dentro da mata interrompeu seu curso por um segundo, quando os pássaros que perderam seus filhos cantavam seu último e triste canto de despedida. À meia noite todos os seres viventes daquele restinho de mata viram com assombro que as estrelas pararam no alto do céu e tremeluziram num piscar silente, Duas corujas uma, no alto da mais alta árvore, o outra sobre o alto de um cupinzeiro, soltaram uma série de pios uníssonos e tristonhos, e de seus quatro olhos rolaram quatro lágrimas de saudade dos humildes papagaios que partiram para o leste da Bahia. Os papagaios pais de "DI" estava condenados a nunca mais ouvir o som da floresta que só é ouvido à noite.
As mãos piedosas de Dona Alaíde cuidaram de "DI" por alguns dias, mas a dificuldade para conseguir ingredientes para fazer o pirão salvador de "DI" forçou-a a tomar uma atitude extrema! Dona Alaíde resolveu dar a "DI" novos pais adotivos, depois de algum pensar resolveu presenteá-lo à Dona Rosenilde Dias de Oliveira, companheira do Sr. Joaquim Virgilio Figueira Brito, "Ninha" que até hoje cuidam de "DI" com carinho amor e zelo. O papagaio “DI” é alimentado com ração própria para os Psitacídeos, também sob orientação do veterinário é alimentado com diversas sementes e frutas, quando necessário se lhe é aplicado vermífugo, e os demais tratamentos, necessários e ordinários.

Pelos fatos acima expostos, viemos requerer da superintendência do IBAMA, (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Avenida Presidente Dutra, Via Marginal, nº 702. Nesta cidade de Vitória da Conquista – Bahia, que se digne nos fornecer o devido registro e licença, para que possamos continuar cuidando do papagaio “DI”, e de que conste no registro a autorização para que possamos nos locomover para nossa fazenda, e para outros locais transportando o papagaio “DI”. O que mais motiva este pedido, naturalmente é o amor que dedicamos a "DI", mas, conforme atestado anexo, do Dr. Adail Paixão, relatando que: Seis meses depois que passei a conviver com o "DI", minha depressão desapareceu, e passei a ter uma convivência normal com todos que me cercam. Sem "DI" não sei como seria minha vida! Confesso que não sei!!!...

Atenciosamente


_________________________________
Rosenilde Dias de Oliveira

Vitória da Conquista-Ba.
22 de Abril de 2008
Aguardando o vosso deferimento
Atenciosamente,

                        


Observação:
O INEMA só foi criado mais tarde, pelo decreto do nº 12.212 –
publicado no diário oficial do Estado da Bahia
de 04 de maio de 2011.

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