quarta-feira, 15 de agosto de 2018

O SAPIENS - ENSAIO





DA SÉRIE: ENSAIOS QUE NOS LEVAM A PENSAR
Subsérie: Digressões sobre os "sapiens, sob uma visão científica, e "heurística" do nosso alvorecer há 300 mil anos atrás.

O SER E O EXISTIR

CAPÍTULO 27

O SAPIENS

A DISTINÇÃO DOS SERES...

1* Convivendo lado a lado, vários seres completamente semelhantes na aparência física, mas completamente distintos quanto aos seus principais atributos na neurofisiologia do cérebro. Quando disputam o território e a caça que lhes garantem a sobrevivência e, consequentemente a perpetuação da espécie, a luta certamente será vencida por aqueles que a evolução não venha acontecendo linearmente e, sim aos saltos, quem primeiro alcançar o patamar seguinte terá maiores chances de sobrevivência. Os primeiros grupos foram os dos hominídeos que desenvolveram a capacidade genética de, a cada milênio, aumentar significativamente o volume do cérebro. A espécie de hominídeo “homo erectus” foi a espécie que gerou os dois grupos dos quais descendemos.  O grupo Cro-Magnon e o grupo Neandertal. Identificar a qual destas espécies, coube a primogenitura da espécie “homo sapiens” deixou de ser o nó górdio da antropologia. Conhecidos os porcentuais do DNA herdados das duas espécies, ficou evidente que somo descendentes do Cro-Magnon com pequena participação, em torno de (3%) de DNA da espécie Neanderthal. Só agora, a genética moderna nos informa através do líder dos estudos, o geneticista Joshua Akey da Universidade de Washington em Seattle, que a espécie “homo erectus” há 700 mil anos se bifurcou em duas espécies, a Cro-Magnon e a Neanderthal. No entanto elas voltarariam a ter contatos reprodutivos há 50 mil anos atrás, e talvez mesmo há 100 mil anos. A verdade é que herdamos o DNA das duas espécies. Quanto a evolução do uso do cérebro em si, a partir dos 11 mil anos a evolução foi rápida na espécie que descende do Cro-Magnon, da qual somos os únicos representantes atuais! No entanto, o crescimento do volume foi lento e está estável desde uns 300 mil anos. Mas, o desenvolvimento do uso foi notável a partir dos 11 mil anos. Nota-se que a evolução do uso não aumentou o volume, desde há 300 ou (conforme algumas descobertas antropológicas) talvez, a 380 mil anos. Até hoje o volume é o mesmo 1400 cm3 no Cro-Magnon. O homo erectus de 1,8 a 1 milhão de anos atrás já possuía 700 e 1200 cm3 respectivamente, de caixa craniana. O futuro sapiens descendente do Cro-Magnon de 300 mil anos já era possuidor de 1400 cm3. O Neanderthal seu contemporâneo, possuía de 1500 a até 1700 cm3. O povo fala muita estultícia, mas, mesmo quem chuta no escuro, de vez em quando acerta! Quando dizem que: (Tamanho não é documento). Tendo o Neanderthal com um maior volume cerebral desaparecido entre 40 e 30 mil anos atrás. O que Levou estes dois grupos a terem supremacia sobre os demais grupos de primatas foi seus cérebros evoluídos. Depois de alguns percalços e consequente pequena miscigenação, eles, o Cro-Magnon e o Neanderthal conseguiram se espalhar por quase todo o planeta. O Cro-Magnon já na condição de “homo sapiens sapiens” há 70 mil anos passou a ter supremacia sobre o Neanderthal. Alguns antropólogos não consideram o Neanderthal como um “sapiens”, mas, as recentes descobertas citadas acima, põem esta crença em xeque. Duas espécies descendendo da mesma espécie do humanoide “homo erectus”, convivendo no mesmo ambiente! Inevitavelmente se miscigenariam, ou será que os geneticistas e antropólogos destas grandes (Universidades), são inocentes o bastante para não saberem que atualmente o homem moderno, principalmente quando jovem, e mais ainda quando vive no campo, mantem constantes relações sexuais com outros animais! Ou são muito desinformados, e então, não os posso classificar. Imagine! Espécies em que o instinto de reprodução fosse tão forte o quanto o foi nas duas espécies ascendentes! O que aconteceria com as duas espécies descendentes convivendo juntas? Porque não vão lamber sabão? No mínimo estão tornando públicas suas deficiências em sociologia, principalmente na área relativa aos estudos dos costumes sexuais das sociedades modernas. O homem de hoje é o retrato fiel do homem de um passado bem remoto. Olhe, que não estou a me referir à manada.

NOITES INSONES
Como seria o "sapiens" no alvorecer da inteligência humana?

2* Elucubrações sobre três fatos ocorridos há 250 e há 74 mil anos atrás! (Lembrem-se que nessa primeira data, segundo a paleoantropologia o sapiens dava seus primeiros passos como ser pensante). Este notável fato, o levou a gradual adoção do raciocínio com o consequente abandono e uso dos instintos mais primitivos, estes instintos continuaram presentes em seu cérebro límbico. A grande proeza do intelecto humano foi sobreviver ao cataclismo que quase dizima a vida no planeta, isto, há 250 mil anos atrás. Na última data uma outra grande catástrofe planetária ocorrida há 74 mil anos atrás, testaria novamente a capacidade de sobrevivência das duas espécies que dominariam o planeta até 30 mil anos atrás, quando neandertais desapareceram. Mas, nesta data esta espécie sucumbiu de forma não explicada! No entanto elas passaram com louvor nos testes ocorridos há 250 e há 74 mil nos atrás. Tem algo de estranho na teoria antropológica de que repentinamente, há 300 mil anos a espécie começasse a pensar, a raciocinar inteligentemente. Ora! Se qualquer “ser” vivo, depender de um cérebro completamente desenvolvido para iniciar a pensar com inteligência! Ele não demoraria tanto para "sair da caverna", e como demorou! Foi 290 mil anos, vivendo em péssimos abrigos, e em cavernas! Ora! É muita burrice num animal que pensa, no decorrer destes 300 mil anos, levar 290 mil anos para descobrir que as sementes germinam! E daí inventar a lavoura e o consequente sedentarismo, com o desenvolvimento da lavoura os grupos humanos tornaram-se sedentários, criando as cidades, os metais, a escrita, as leis, as civilizações e os impérios! O natural e esperado, conforme a lógica mais simples seria, que este cérebro a partir do início da aquisição de “n” cm3 de volume de massa encefálica, que já possuísse um córtex com neurônios complexos, já em funcionamento, começasse a pensar, embora de forma rudimentar, mas, já começasse!  E não somente quando completasse a aquisição de todo seu volume cerebral de 1400 cm³ há 300 mil anos. E como ficamos? Com um cérebro que dá um estalo e começa a pensar, ou com um cérebro em constante aumento e desenvolvimento tanto no volume do cérebro, como no número de neurônios, influindo na área do raciocínio e do "pensar". É pouco provável que tudo tenha começado num determinado momento, num estalo, o natural seria adquirir o "pensar" gradualmente através das eras. A paleoantropologia pode não conseguir ler ou captar estas tênues mudanças ocorridas ao longo “dos tempos”, e até mesmo não terem sidas registradas nos fósseis, mas, o mais provável é que tenha ocorrido lentamente. Como disse, talvez, por falta de registros fósseis, ou pela sua tenuidade no avanço da função de pensar. Aí, eu me pergunto, o que criaria estas dificuldades para se fazer tais registros e as consequentes leituras nos registros? Senão a dispersão desses mesmos registros fósseis! Devido também a lenta ação no desenvolver da função de pensar em nossos avoengos! E assim, nos parecendo que o evento se deu de um estalo, há 300 mil anos. O interessante, é que a divisão entre o “deismo e o ateísmo” moderno provoca estas duas posturas. A primeira, defendendo o estalo, em tempos recentes, a segunda postura defendendo a lentidão da evolução darwiniana! Como se a divindade ou energia criadora não fosse capaz de montar o algoritmo no evento de pensar de estalo, ou também lentamente! Ou que a própria evolução defendida por Darwin não fosse capaz da mesma proeza! Não entendo o porquê deste embotamento na mente do homem pensante moderno!  Em 05-11-2015 eu escrevi um ensaio apreciando esta postura. O que me levou a questionar a data do início do "pensar", foi o fato do homo erectus a 2 milhões de anos ter engenhado o machado acheulense e outras ferramentas, sem nenhum vestígio de raciocínio na sua máquina de pensar! Foi por isso que mandei os cientistas da área, lamber sabão! Ora! Segundo a visão dos cientistas da área o "homo erectus" de 2 milhões de anos atrás construía o machado acheulense sem utilizar o cérebro! Pois eles só começaram a pensar há 300 mil anos atrás. Talvez eles utilizassem o cérebro dos cientistas utilizando uma "máquina do tempo", faziam os machados e devolviam os cérebros dos cientistas pela mesma máquina. E assim estaria tudo explicado.

UMA VISÃO ANTROPOLÓGICA DO INÍCIO DO PENSAR
3* África subequatorial há 300 mil anos, Kênia, local exato desconhecido! O mais provável seria os arredores do Lago Turkana. Solidão, alheamento, desilusão estupor e, insônia sem fim, pensamentos fugidios, sentimentos inconsistentes, letargia, grande sensação de não “Ser”, início do domínio do ego sobre o id (id, ainda cérebro límbico), e da sujeição do ego pelo super-ego. (Somente para agradar a Freud e Jung). Pois, fico mesmo é com o Stanislav Grof. Alteração profunda no id límbico, introspecção da alma no fundo do Ser. Noites insones, primeiras análises de si mesmo! Só o abismo insondável entre o “Nihil” e o alvorecer da ação do “Ser” que habita naturalmente o “ser material”. Daí as mudanças de sujeito inerte para sujeito dinâmico e indagativo, mudanças que podem ser traduzidas como as duas polaridades tradicionais a que chamamos de (polaridades formadoras do processo cognitivo). Um processo cognitivo em si, altera o comportamento do animal, ficando registrado em seu fóssil. Tudo resultado da energia suprema que nos levará ao raciocínio e a episteme. Surpresa ao puder discernir o tudo no nada onde habita o “Eu”. Será este o mistério insolúvel do “Ser”? Dúvida e inconsistência que perdurará, mas que um dia, por via lógica, ele enxergará as primeiras visões do seu porvir, e recordará frações de seu passado como ser possuidor de memória! Reconhecendo a si próprio! Como ser individualizado num "EU".

4* Uma análise profunda do seu devenir, leva-o como "Ser" nascente aos meandros dos primeiros raciocínios e inapelavelmente ao não "Ser", onde a dúvida o levaria ao nihilismo? Como se uma fuga o levasse a um estado de “splen” ou a um “insight” do vir-a-ser de que tratava Hegel, como se estivesse em uma constante oposição ao nascer epistemológico do (id/ego/super-ego), que resulta no “Ser” pleno, (resultando da formação da (personalidade primitiva do “Ser”). Tudo desabrochando no novíssimo “entendimento” e do velhíssimo “instinto”. A maior dificuldade para este "Ser” novato, e que mais afetará de maneira marcante e insofismável o seu entendimento racional do seu existir como (“Ser” que sabe que sabe), onde este saber que sabe leva-o inescapavelmente ao seu devenir, transformando-o continuamente num “Ser” mais e mais evoluído. Naturalmente que a ausência de uma fala desenvolvida, isto como processo natural e ferramenta para fixar o reconhecimento e o entendimento do “Eu” como "Ser" que pensa, geraria a sua premente necessidade de se comunicar com seus semelhantes. O que ele o faz com a ajuda do dom “espiritual” ou da (enteléquia) como querem alguns! Agora, trato do início do auto reconhecimento, que o leva a desenvolver dentro de curto espaço de tempo uma fala elaborada, resultado do seu novo proceder como “Ser” racional. Num passado remoto, presume-se! Há 300 mil anos atrás, foi nessa época que se deu ou se iniciou este processo de auto reconhecimento do “Eu”, sem o qual a raça do homo sapiens não alcançaria a condição do “homo sapiens sapiens”, ou seja: o homem que sabe que sabe! Ou como diz o filólogo alemão! O homem que saboreia o que sabe. Este ato de saber que sabe, segundo alguns conceitos "sócio-páleo-antropológicos", foi um ato que provocou a transformação do "ser" hominídeo no “Ser” humano propriamente dito, o que leva a paleoantropologia a estas deduções são vestígios e tão somente “vestígios”, de resíduos comprobatórios de mudanças comportamentais nos seres ditos “sapiens”. Isto desde há 300 ou 380 mil anos. É o que nos deixaram! Vestígios fósseis, como testemunhos do seu proceder cultural nessas eras do alvorecer do “homo sapiens”. Denotando comportamentos intelectivos lógicos e racionais a testemunhar firmes procedimentos e raciocínios próprios de seres desenvolvidos com padrões iniciais e lógicos da nascente episteme humana, mas, que nos levaria a episteme moderna, tudo, devido a fala desenvolvida. Portanto, quem desenvolveu a fala elaborada, complexa e completa do sapiens foi o responsável pelo desenvolvimento do intelecto humano. A razão e a lógica nos dizem claramente que foram as mulheres que desenvolveram a fala humana. Vou relatar porque é muito interessante! Ao que entendo, uma teoria nos diz, que foram as mulheres! Pois, os homens passavam o dia todo caçando em silêncio, para não afugentar a caça! Enquanto as mulheres passavam o dia todo falando, alto, para afugentar os predadores em torno dos acampamentos, passando recados às vizinhas, tagarelando, sorrindo, gargalhando, ralhando com as crianças, fuxicando e desenvolvendo a língua! Enquanto os machos, saiam e voltavam calados, pelo simples costume obrigatório de andarem calados, pois, se conversassem a caça fugiria deles, o que dificultaria a caça. Era uma rotina diária, praticada durante milhares de anos! Trazendo todo santo dia, a coleta e a caça, todos calados, mas, sempre pensando naquilo. Benditas mulheres!

5* No sul da Europa há 120 mil anos atrás, entrando provavelmente pelo sul da Espanha. Uma leva de humanos africanos, que conhecemos hoje como descendentes do Cro-Magnons, vindos provavelmente do Kênia e que na época, alcançaram o ápice do desenvolvimento chegam até à Europa, a arqueologia não pôde precisar até hoje, a data exata da chegada destes seres à Europa, (foram várias levas de humanos a invadir a Europa), existem vestígios do mais antigo Neandertal desde há 175 mil anos atrás e do Cro-Magnon na Europa, somente entre 120 mil anos a 90 mil anos atrás. (Isto nos diz: Que o futuro do "homo sapiens" partindo das espécies Cro-Magnon e Neanderthal, já estava delineado na África, desde talvez, há mais de 300 mil anos, espécies estas oriundas do “homo erectus” desde 700 mil anos atrás, o que resultaria nas duas espécies (Neandertal e Cro-Magnon), e de que talvez, sua episteme tenha vindo a partir dos seres de Capela, o que transformou de uma só vez estas duas espécies em homo sapiens. Numa era mais recente surgiu um dos fatores em que se baseia a antropo/paleontologia para afirmar que estas duas espécies já possuíam e agiam como humanos, foi o feito espetacular, destas duas espécies terem conseguido sobreviver ao grande gargalo pelo qual passaram há 74 mil anos atrás, todos os seres vivos do planeta. Me contestarão, sei disso! E os outros primatas, seus contemporâneos não sobreviveram também? A questão é que nessa época a espécie “homo sapiens” já havia perdido parte do instinto da preservação natural da espécie! Já decidiam com o uso da inteligência. O que torna um feito espetacular passar por este gargalo da existência sem o auxílio do instinto!

6* Nesta data, de 74 mil anos atrás, uma grande erupção de um vulcão chamado Toba, no arquipélago da Sumatra, quase extingue a vida no planeta cobrindo quase toda a atmosfera do planeta com poeira vulcânica. O que perdurou por vários anos, sendo um verdadeiro milagre estes nossos antepassados terem sobrevivido a esta imensa catástrofe.

7* Ninguém aventa para a possibilidade destes seres não terem chegado à Europa em data bastante anterior à sua passagem de homo sapiens para “homo sapiens sapiens”, Isto há 120 mil a 175 mil anos. E de que assim, já estivessem na Europa em data anterior há 250 mil anos, e muito menos de que fossem descendentes dos seres de Capela. Condição adquirida com a fala desenvolvida, naturalmente os espiritualistas, o veem assim. Sob o enfoque espiritualista esta é a única explicação plausível para duas raças tão frágeis sem os atributos da sobrevivência instintiva terem sobrevivido a dois cataclismos de tal envergadura. Sinal que eles (os instintos), podiam ainda estarem presentes no caso dos 250 mil anos, (os fósseis da época não registram tais instintos), e de que no caso dos 74 mil anos, tenha sido a inteligência que prevaleceu. O que leva por terra a teoria e a pretensão chinesa do seu autoctonismo, levando-nos a crer que o povo chinês atual seja descente do Neandertal e do Cro-Magnon que conseguiram vencer o gargalo de 74 mil anos atrás. E que somente após este gargalo emigraram para a China para repovoá-la. Mesmo porque o crânio do homem de Pequim tinha conformação braquicéfálica, os chineses atuais são naturalmente, também braqui/dolicocéfalos. Então nova miscigenação ocorreu entre os Cro-Magnons e os Neanderthais que migraram para a Ásia. Espera-se que os estudos do genoma humano, nos esclareça esta questão.

8* O Neandertal era tipicamente braquicéfalo e o Cro-Magnon ao contrário tipicamente dolicocéfalo, como não há vestígios fósseis de Neandertals nem dos Cro-Magnons (doli/braquicéfalo) ou eram uma coisa ou outra. Como somos atualmente como os chineses atuais doli/braquicéfalos, é de se deduzir que descendemos destas duas espécies, também contrariando a teoria de que o Cro-Magnon eliminaram os Nanderthais 30 mil anos trás, ou antes um pouco, reforçando a tese de que estas duas espécies simplesmente se miscigenaram e, isto a biogenética não comprovou. Só possuímos 3% de DNA Neandertal. Assim, toda a humanidade destas duas espécies descende! Portanto somos ainda mais, todos irmãos.

Por aqui, ficam estas minhas singelas ilações sobre o mistério de como nos tornamos pensantes! Isto, por enquanto! Somente, por enquanto! Pois, continua sendo uma “coisa” insolúvel.

Edimilson Santos Silva Movér
Vilas de Abrantes, Camaçari-Bahia
Recuperação de “memória” de um ensaio ou capítulo perdido
21 de fevereiro de 2007 

Atualizado em 08/2018
Atualizado em 07/2019


0 comentários:

Postar um comentário