domingo, 5 de agosto de 2018

PEQUENO TRATADO DO “NADA” - ENSAIO



DA SÉRIE: ENSAIOS QUE NOS LEVAM A PENSAR
Subsérie: Temas filosóficos e polêmicos

Em forma de carta aberta ao dono do “Blog do Zé Pensador”.                   www.zebrabo36.blogspot.com.br


PEQUENO TRATADO DO “NADA”


INTRODUÇÃO:
Que abrange do (1* ao 9*) marcadores de leitura.

1* Distinto pensador José Mário Ferraz, aqui estarei analisando o que não seja o “nada”. Pois, pois, não vejo como analisar uma coisa que não contenha a essência do “vir a ser”, do “isto é”, a essência do “phaenomena”. Julgo que este “não ser” e que esta “não posse” da essência, a torna uma coisa não analisável. Como é impossível testar esta coisa num laboratório, aqui, utilizaremos somente nossa mente como ferramenta de análise.

2* O “nada” ao ser  analisado como “alguma coisa”, obviamente que esta “alguma coisa” não é  o “nada” que se analisa, na realidade veremos no final, que este tema nos leva a um grande imbróglio, que ao que aparenta, não tem solução... Sabemos que o tema ainda não foi resolvido pela filosofia nem pela ciência, e não  o será por mim! Mas, como não sou nem ciência nem filosofia, possuo ampla liberdade para analisar qualquer tema, por mais exdrúxulo que seja, no entanto meu bom senso me diz que: Aqui devo dar somente um despretencioso palpite, e nada mais.

3* Amigo José Mário, não dá para imaginar até onde chega a capacidade de elucubração do intelecto humano, refiro-me às mentes dos poucos pensadores do passado que se dedicaram ao estudo minucioso e abrangente do tema deste ensaio! Sei, e estou convencido de que não possuo uma vírgula da capacidade de análise dos mestres do saber do passado, mas, eles são meus faróis, e assim, não andarei por caminhos escuros ou sendas desconhecidas.

4* A análise do oposto ao “tudo”, ou “nada”, mal começa, e já deduzimos que: Embora, com a mais absoluta  falta de evidência de sua existência, o “nada” continua sendo denominado indevidamente de “nada”, como se este “nada” fosse alguma coisa. Ora! Algo que pode ser nominado de qualquer coisa, ainda é alguma coisa, portanto, não é o “nada” nem uma coisa nenhuma. Vemos logo no início desta análide que o “nada” nos parece mais uma anticoisa.

 5* A ciência, a razão e a lógica nos diz que: Todas entidades a que chamamos de pártículas e subpartículas, e que formam o universo possuem o seu oposto, que são as antipartículas e as antisubpartículas. Mas, nossa razão nos diz que mesmo  utilizando de uma lógica simplista podemos deduzir que: tudo pode ter seu oposto, menos o “tudo”! Pois, o universo é formado por este “tudo” e o oposto deste tudo é o “nada”, ora! Se o “nada” existisse o universo na condição de “nada” não existiria. Portanto o oposto do “tudo” não deve existir.

6* Se no futuro descobrirem que existe o “nada”, ele com certeza estará fora do espaço físico que nosso universo ocupa. Pois, a afirmação da existência do oposto do “tudo”, nos leva ao “nada”, e esta afirmação equivaleria a proposição da existência de um universo feito de “nada”, que seria um antiuniverso, já que nosso universo é feito de “tudo”! Esta real existência do “nada”, impossibilitaria a real existência do “tudo” no mesmo espaço e no mesmo tempo, ora! Este “nada” estaria então, coexistindo com o “tudo”. Donde, deduzir-se-ia que esta concomitância de universos resultaria num universo oscilante entre o “tudo” e o ”nada”! Num momento seria o “tudo e noutro momento seria o “nada”. Sendo que o tempo dessa oscilação seria irrelevante. Portanto, se tal fosse verdade, não estaríamos aqui para observar o universo, nem tão pouco o universo para que o pudéssemos observar! Como somos o próprio universo a observar o universo! Este fato, de forma cabal e definitiva, nos demonstra o valor antrópico da proposição: E portanto, como estamos a observar o universo! Deduz-se que o “nada não” deve existir.

 7* O que me leva a inquirir! Seria possível fazer uma análise do “nada”? Uma inexistência! Creio que sim, mas, de uma maneira nova, completamente inusitada e nunca dantes tentada pela filosofia nem pela ciência. Poderíamos assim, tentar comprovar no mínimo, sua duvidosa existência, ou sua tão apregoada inexistência.

8* Como seu nome já o indica e diz que: o “nada” seja o “nada” ou coisa nenhuma e de que o que se nomina de “tudo seja o “tudo”, ou a coisa toda. Mesmo assim! A burrice dirá! Este conceito de uma oscilação entre dois estados é incoerente, este é um raciocínio inconsistente e furado, é uma estultícia! Mas, não o é! Esta proposição da existência do oposto ao “tudo” junto ao “tudo” de forma oscilante é consequência da impossibilidade da existência das duas entidades no mesmo espaço e ao mesmo tempo. Sendo portanto, uma abstração proposicional! Se fosse possível e acertada a proposição oposta, o seria por que o “nada” não seria o “nada” e por que o “tudo não seria o “tudo. E aí sim,  o raciocínio então, realmente seria  uma parvoíce. Portanto, se o raciocínio da primera proposição fosse furado, o seria por que deveria ter vazado por um buraco existente no intelecto da burrice.

9* Como seu nome já o indica e diz, de que o “nada” seja o “nada” ou coisa nenhuma e de que o que se nomina de “tudo seja o “tudo” ou a coisa toda. Ou talvez, se penetrarmos mais no estudo destas “coisas”, ou seja, penetrarmos mais no estudo do “tudo” e no estudo do “nada” venhamos a descobrir que o “nada” seja somente uma elucubração como disse, proposicional, portanto,  uma elucubração mental de algo inexistente, ou uma não essência, e o estudo do “tudo” nos levaria até a uma melhor compreensão da existência do “tudo” ou da “coisa toda” e, a uma melhor compreensão do “porquê” da inexistência do “nada”, num universo que é composto unicamente pelo “tudo”, e que o oposto deste “tudo”, é o  que podemos e devemos chamar de “nada” e também de “coisa nenhuma” ou de nihil. Confirmando, exemplificando, e, de que, o (nihilo nihil fit) dos filósofos, nos diz que: (Nada surge do nada). Ora! Como todos aceitam isto como uma verdade axiomática, o “nada” não existe! E, “c’est fini”: Encerremos aqui, esta introdução, e então...

VAMOS ENTÃO! AO ESTUDO DO “NADA”
10* Devido a fatos adiante relatados e independentemente do resultado deste estudo, reservo-me o direito de me considerar um “nada”. Disso não abro mão!  Senão! O “nada” me escapa por entre os dedos e me foge da análise pretendida. Observe bem! Que não estou propondo adiante que só se possa analisar o “nada” por um analista na condição do “nada”, pois, o “nada” procurado é um ente propenso a uma inexistência, portanto, propenso a ser incapaz de qualquer ato, e este analista estaria nesta mesma condição. Mas, um espectador na posição e não na condição de “nada” teria uma visão, não digo mais real, mas no mínimo, teria um ângulo de visão mais diferenciado desta realidade denunciadora do “nada”.  Esta visão e realidade não nos mostraria o “nada”, mas sim, a ausência do “nada” e a forte e marcante presença do “tudo”. Como isto no momento é somente uma divagação, uma elucubração, vamos adiante testá-la com uma estruturada proposição.

11* Aqui fica posto que: Ao longo deste ensaio onde analiso o “nada”, me reportarei sempre ao pensador maior da minha terra, sendo pessoa da mais extremada perspiscácia e inteligência, José Mário Ferraz. Foi ele que entre outras conversas no beco, me perguntou como quem não quizesse “nada”, - (Movér! será que existe o “nada”?) -  Foi o suficiente para aquilo ficar martelando no “meu juizo”, coisa que também ponho sua existência em dúvida, refiro-me ao “meu juizo”. 

 12* Aqui neste ensaio tratarei de várias proposições filosóficas, e  em particular das que abordam o “nada’ como um conceito intelectível e portanto, factível de apreensão pela razão humana. Não cuidarei das concepções filosóficas que no passado, simplesmente, descartaram o “nada” como matéria de estudo! Senão! Como justificar estes estudos do “nada”? A priori o “nada” existe sim! Pelo menos como conceito do oposto ao “tudo”, mas, não existe como uma essência, como o “vir a ser”, o “isto é”, de Immanuel Kant.

13* Nos tempos modernos existe uma necessidade premente do “nosce te ipsum” latino ou do “gnōthi seauton” grego, recomendado por Sócrates... Ou seja, o conhecido: “Conheça-te a ti mesmo”. Pois, esse autoconhecimento, nunca é de fácil aquisição, ou mesmo possível! Creio, que este desconhecimento da essência de si mesmo é o que leva a sociedade humana a se comportar como uma imensa manada! Será mera coincidência a grafia desta palavra terminar em nada? Sei e bem sei que a grafia e a ortoépia das palavras não possuem significado místico, mágico, esotérico ou ontológico, ou mesmo  secreto, considerando que no planeta existe em torno de seis mil línguas distintas faladas e a maioria com sua própria e também distinta escrita. Citado por Jared Diamond, Armas, Germes e Aço – Edit. RECORD, 13ª edição, pag. 17 .

14* Algo externo a mim me faz crer, ou melhor, nos faz crer que o raciocínio humano seja universal, e de que uma janela em qualquer língua, sempre será descrita e raciocinada como uma janela, e uma esfera como uma esfera. Nisto não há o que discutir!  Isto, nos expõe ao estudo e a força dos símbolos! É genial a ideia da semiótica!  Só delineada recentemente no final do século XIX por Pearce.

15* Quanto ao autoconhecimento, esta recomendação de se buscá-lo é anterior à Sócrates, e sempre esteve disponível no pórtico do templo de Apollo em Delfos. Não se conhece ao certo, o nome do primeiro autor desta inteligente recomendação. Esta recomendação é antiga na Grécia antiga e também antiga no antigo Egito, e tem muitos pais, pelo menos uns dez filósofos são tidos como autores desta recomendação. Isto me faz lembrar um certo aeroporto, de uma certa cidade, que possui mais pai que peixe de cardume ou pomba de bando, nessas sociedades quem chegar primeiro será um provável pai, mas, uma paternidade disputada por muitos pretensos pais! Mas, não verdadeiros, e digo mais, o mais antigo pai não foi aquele que o localizou para ser materializado naquelas coordenadas pela primeira vez! Mas, sim, aquele que primeiro propôs sua criação, com um registro público! Num Blog, Site, Jornal, uma proposição em um decreto de lei, municipal, estadual ou federal! Ou mesmo feito por uma ONG. Muitos serão os pais, mas, de um outro aeroporto em um outro lugar qualquer! Daí advém portanto, a polêmica sobre a paternidade do aeroporto, que, ao que parece corre o risco de resultar no tema deste ensaio. A verdade é que sua localização foi estudada por mim e entregue ao senhor José Maria Cayres Alves, zemaria@maxtour.com.br - presidente do Movimento “Conquista Pode Voar Mais Alto”, em 2009, observem bem, quando vai ser inaugurado este aeroporto! Aqui me reporto à quem o idealizou ou o reinvindicou primeiro, ou primeiro teria lutado por sua concretização! E esta, seria a história verdadeira da paternidade do referido aeroporto, que pertence ao senhor José Maria Cayres Alves, presidente do Movimento “Conquista Pode Voar Mais Alto”
16* Sabe meu amigo e pensador! O “tudo”, aquele  “tudo” que é o oposto do “nada”, naturalmente como um “tudo”, e como tudo, também tem sua primeira vez! E, esta é a primeira vez, de muitas das futuras vezes, que me verei diante da elaboração de tão difícil e complexa conjectura! O que me perguntas, eu, como tu, também não sei, e nem creio que alguém saiba o que seja o “nada”! Mas, também não deixarei de pelo menos tentar analisar o que denominam erradamente de “nada”, (como se fosse uma coisa existente), ou no mínimo tentar elucubrar o que não seja o “nada”.

17* Meu entendimento, mesmo a soalheiro não vê nesse dia a direção do clarão do sol da lucidez,  e nem mesmo viu o negrume da noite da mais completa escuridão intelectual a me negar a elucidação, ou me ofuscar o entendimento do que seja o “nada”. Em função de que; nem mesmo o dia mais ensolarado do verão do meu viver, nem a noite mais fria do inverno da minha curta existência conseguem impedir que eu analise o “nada”, o “universo”, e a “mim mesmo”... Creio que esta tríade seja a mesma coisa, ou no mínimo, tecido do mesmo fio e tear. Não me tomes por um nihilista, considere esta singela análise do “nada” como uma simples proposição diferenciada, ou até mesmo estulta, do que seja o mais difícil, estranho e fugidio conceito filosófico que é o conceito de “nada”. Pois, por ser o “nihil”, o “nada”, sempre nos escapa por entre os dedos. Onde, logo nesta primeira definição e proposição já notamos sua estranheza conceitual. Como pode o “nada” que é coisa nenhuma, ou seja, uma inexistência, uma não essência, nos escapar por entre os dedos? Julgo ser necessária uma compreensão mais aprofundada do “Ser” e do que seja nossa consciência e nossa existência, para termos  condições e parâmetros para analisar com mais acurácia o “nada”.

18* Sou obrigado, portanto, a iniciar fazendo uma análise de mim mesmo. Observe que me refiro à nossa consciência, enteléquia ou ente pensante  e o grafo como “Ser” e de que o ser material como corpo físico que somos, é grafado como “ser” e o verbo ser é grafado como ser mesmo, sem aspas “  ”.

19* Temos que ter em vista que durante todo o decorrer deste ensaio o animal humano é tratado como um ente dual, corpo material e consciência ou enteléquia. Sem se fazer esta distinção a todo o momento, ou sem ter isto em mente, não há como chegar a uma análise do “nada”. Como pretendo fazer e farei!

20* Primeiro: É dificílimo analisar a si próprio, isto, já com fundamento e base nos fatos acima citados, e de que mesmo assim, me considero um “nada” existencial. Segundo: A dificuldade existente na autoanálise é a mesma que se encontra ao se tentar analisar o “nada”. Terceiro: Esta autoanálise torna-se necessária para que se possa, (pela própria similitude destas entidades), alcançar um possível entendimento da análise do “nada e do “Ser”. Veremos no fim, no fim, que realmente ambos são um “nada”, um não, dois nadas. Isto, quando do homem se faz sua projeção como enteléquia ou consciência. Sendo completamente impossível fazer uma análise de nós mesmos e de nossos semelhantes enfocando somente seus corpos materiais, pois, o corpo  material ou “ser”, não tem relevância diante da supremacia da sua consciência, enteléquia,  espírito ou o que mais quizerdes chamar. Já conhecemos suficientemente nosso organismo material, e a sua mais profunda estrutura biológica já foi muito bem dissecada e definida, sua análise, portanto, nada mais seria que um longo, mas, simples relatório de laboratório. A proposição de se procurar conhecer a si mesmo, nos remete ao questionamento do que somos como enteléquia! E não do que somos como corpos físicos. O que realmente vemos ao longo dos estudos filosóficos sobre nossa alma, é a mais completa escuridão, nem uma luz, por menor que seja apareceu. Gerando uma inquietante certeza de que nunca chegaremos a conhecer a nós mesmos, tanto é, que a orientação do filósofo maior da Grécia, para o “nosce te ipsum”, continua mais válida que nunca, parece-me, meu caro amigo José Mário pensador, que o homem nunca chegará a conhecer a si próprio, uma das razões disso, é sua efemeridade existencial, dentro do sistema fechado do “Ser”, onde, por tão pouco tempo habita e existe. Não podendo transferir para seu semelhante, nem mesmo para a posteridade dentro do sistema aberto do “ser” fenomenológico existencial, o conhecimento que adquiriu dentro do seu próprio sistema fechado noumênico, do “Ser” mas, que por sua vez, também é existencial.

21* Em virtude da exiguidade de tempo de relação com o “Ser”, e da clausura em que o “Ser” se encontra dentro do seu sistema noumênico existencial; nada, absolutamente nada do seu autoconhecimento pode ser transferido ao seu semelhante devido ao anteparo natural existente entre os dois sistemas. A segunda lei da termodinâmica não é válida como em qualquer sistema fechado, especialmente o do “Ser”, só existindo entropia no sistema aberto do  “ser’. O “Ser” como um sistema fechado não pode se comunicar com um “Ser” seu semelhante por ser outro sistema fechado, ambos estão impossibilitados de se comunicarem e desnecessário seria, pois, são um único modelo de sistema. Esta clausura torna os “Seres” o “nada”. Isto me leva a crer que o “nada” seja como a realidade que Krishnamurti nos diz que seja: – A realidade não é cognoscível pela mente, porque a mente é o resultado do conhecido, do passado. A Realidade não é contínua, não é permanente, porém uma coisa que se precisa descobrir momento por momento. - Krishnamurti, como um “Ser” inteligente que foi, estava nos dizendo que nossa mente, nossa consciência antes do aprendizado é um vazio, é um “nada”. Talvez o “nada” possua as mesmas características da realidade, de Krishnamurti, e nossa mente, nosso entendimento, seja fruto da coisa apreendida, da memória, e de que seja coisa do passado. Com relação à nossa mente, não existe o amanhã sem o hoje, como não existe o hoje sem o ontem...  Isto é o que nos propõe este grande pensador. E assim, ela, (nossa mente ou nosso entendimento), não tem como abarcar e transmitir o entendimento do que seja o “nada”, pois, o “nada” transcende a percepção da nossa mente factual e atual, que tem suporte em fatos “acontecentes” relacionados ao passado e, portanto à nossa memória e que portanto não podem alcançar o “Ser” por ter nosso entendimento origem na comunicação do sistema fechado do “Ser” com o “ser”. E com uma única via de comunicação! Do “Ser” na direção do “ser”. Nunca na direção contrária! Sempre se processando em escala quântica no ambiente do sistema neuronal do “ser”. Confundindo assim, a neurociência e sobretudo o entendimento e a psicologia dos humanos. Sabemos que a personalidade humana é formada ao longo da sua existência

        A análise dos entes:
22* Os filósofos gregos inteligentemente já separavam os dois entes existentes no homem, como hoje o faz a neuropsicologia nos institutos de estudos avançados da consciência e da enteléquia humana. Os primeiros pensadores modernos, a exemplo de Schopenhauer, que nominava estes dois “entes” de “eu interior” e de “eu exterior”. Os diretores dos institutos de estudos avançados da consciência declaram que não se chegou, ainda, a um consenso sobre a questão. O homem e seu pretenso autoconhecer, se isolam do lado de fora, e não dentro do sistema fechado do “Ser”, e não conseguem sair da gaiola do fenômeno humano. O real  “autoconhecimento”, é noumênico, é fruto da ideia, sendo abstrato por si mesmo, o que o consagra como um “autoconhecimento intransferível” por ter origem num sistema fechado, portanto, nihílico pela sua inalcançabilidade, sendo transcendente ao próprio “Ser” somente em escala quantica ele alcança o “ser” material neuronal. Já este “ser” se nos apresenta como o nosso entendimento, isto em e de cada existência, e que chamamos de personalidade! É com esta personalidade que reagimos como “seres”, como, indivíduos! É a memória de cada  existência. Em cada vida, molda-se uma personalidade e uma memória distinta. Já o “Ser” é a nossa enteléquia, nossa consciência, nossa essência, é o nosso “eu” interior d’agora, observado por Schopenhauer. Os pensadores modernos Martin Heidegger, (1882-1976) e Nicolai Hartmann (1889-1975),  contemporâneos não conseguiram concordar quanto a definição do “Ser” e do “ente”, não chegaram a um denominador comum, estas discordâncias resultam sempre numa “coisa” que é pior para a filosofia, é somente defini-los como eu o faço: o “Ser” é o espírito, a consciência, a enteléquia! Já o “Ente”, eu  em particular, vejo-o assim: Tenho-o como a personalidade, fruto do aprendizado pelo corpo físico, pelo sistema neuronal do cérebro, o problema é que o “Ser” e o “ente” se confundem dentro da gaiola do fenômeno humano. A dificuldade em separá-los persegue até mesmo os grandes pensadores. Imaginem um zé mané como eu, tentando resolver esta pendenga! Tudo isso, tem origem na antiga dicotomia grega do “nóumena” da ideia, da abstração da coisa em si, e do “phenomena”, a coisa material em sua absoluta concretude.

23*A melhor ideia, embora inconsistente, do “Ser” imaterial é o que nos propõe o espiritismo, mas, humanizaram demais a imagem da consciência ou “Ser”, e a desfiguraram, o espiritismo confunde a memória do “Ser” com o próprio “Ser”.   A razão disto, está fundamentada no fato de que o homem como enteléquia ou consciência é um sistema complexo fechado, com memória perpetua, eterna na direção da seta do futuro, mas, que teve um início, a partir de sua criação como energia, e portanto, indestrutível, sendo ao mesmo tempo um “Ser” impessoal, imaterial, inominável e perpetuamente desconhecido para o “ser” material. Sendo a maior complexidade do nosso universo próximo e conhecido. Um conhecimento contido e oriundo de um sistema fechado e com tal complexidade perde a condição de se expor a uma análise  com esta mesma complexidade sistêmica e fechada, na direção e para um sistema simples e aberto, que é o sistema a priori e necessário fenomênico do entendimento humano do “ser” material, principalmente quando este “ser” é exposto através da escrita ou da fala. A noumenalidade, do sistema fechado do “Ser”, torna impossível transferir seu conhecimento para  nosso sistema existencial material cognocente, fenomênico causal e aberto do sistema responsável pela comunicação através, (como disse), da fala e da escrita. Assim como o entendo e ele o é, e se comporta como “ser” material! A psicologia transpessoal do Grof só tem acesso às diversas memorias em separado, onde uma desconhece a outra, por serem memórias distintas formadas em tempos distintos e sobretudo, por organismos distintos, portanto, esta psicologia trata de seres com pessopalidades formadas em “seres” materiais, e portanto, Grof não tem acesso ao “Ser” que tudo abarca. Daí a minha proposição e dedução de que o “Ser” é inalcansável! O “Ser” é a esssência, o nosso eu interiror, é o que chamam de “espírito”. Resumindo! O sistema fechado antrópico do “Ser”, É o sistema da enteléquia, da ideia, do raciocínio e da razão, da abstração. Donde advém a dificuldade do “ser” se autoconhecer, ou seja, se conectar a este “conhecer”, ou seja! Transferir este autoconhecimento do “Ser” para o sistema antrópico aberto do “ser” material falante e pensante. Este “ser” a que me reporto é a rsultante do sistema pensante acoplado à vida material. E que não é a enteléquia, tambem não é o corpo material, sendo portanto, o entremeio formado com a junção destes dois “entes”, e que chamanos personalidade. Sendo um ser ainda em formação é ao mesmo tempo inteligente e burro! É muito difícil entender a separação existente entre os dois sistemas ou entre os dois seres, que sabemos e temos consciência que existem, um como o “ser” material ou corpo físico pensante, pessoal e falante, e o outro como o “Ser”, que é espírito, enteléquia ou consciência, e que o percebemos como o “Ser” imaterial. As consciências ou “Seres” noumênicos só conseguem se comunicar como o “ser” através do corpo material deste, e se faz notar e se torna presente através da fala do “ser”, e isto o “Ser” consegue através do  sistema neuronal do “ser”, que ativa o sistema material fonador.  Lembre-se, como disse anteriormente, o sistema antrópico, referindo-me, à essência do “Ser” imaterial pensante; é um sistema fechado. Portanto, não temos como penetrá-lo. Entenda que: O termo entropia e termodinâmica aqui referidos são alegóricos, onde o conceito de “calor” ou “energia” da termodinâmica foi substituído obviamente pelo conceito de “informação”. Desta forma, a irreversibilidade do sistema do “Ser” para o sistema do “ser” estaria associada à complexidade e distinção dos dois sistemas, e estaria representada pela impossibilidade da troca de informação numa via ou direção. Quem conhece do assunto verá que seria a mesma conceituação proposta por Boltzmann para a termodinâmica em 1877.

24*O homem como universo pessoal engloba o “Ser” e o “ser”, sendo tão complexo que é descrito como o próprio universo físico tomando conhecimento de si próprio. E, é o que realmente ele o é! Isto se o tomarmos como um “Ser” dual, matéria e espírito. Se o olharmos com a ótica do monismo, ele se dilue dentro de um tempo máximo de 40 mil dias. O universo do homem como “Ser”, aqui referido diz respeito somente ao seu intelecto, e que também é chamado de sua consciência. A dificuldade natural que a neurociência enfrenta ao tentar analisar a consciência do homem, pode ser atribuída ao desconhecimento de como o “Ser” ou consciência como um sistema fechado interage com o  “ser” material que é um sistema aberto. Esta comunicação é feita através (mas, somente através), de nosso sistema físico neuronal, disso deduz-se que o nosso sistema neuronal é um veículo de comunicação de uma única via, desconhecendo-se uma via de comunicação do “ser” na direção do “Ser”! Naturalmente que a inexistência desta outra via incapacita o “ser” de se comunicar com o “Ser”. Donde advém a necessidade da presença do ”Ser” imaterial interagindo com o “ser” material, para este, se comunicar com o mundo que o cerca! Através dos cinco sentidos, com os quais formamos nossa percepçaõ, a detecção dos estímulos é o que chamamos sensação, daí advém  os sistemas epicrítico e protopático, a propriocepção, termosensibilidade, e a sensação de dor, tão necessária a manutenção da integridade física do nosso organismo material, isto, enquanto vivo. Digo vivo, o cérebro!

25* O povo da neurologia desconhece completamente como, o que chamamos de consciência ou inteléquia, interage com nosso cérebro, eles já sabem como o céebro iinterage com o organismo, mas, só isso! Não sabem como isto é feito, ou qual é o fundamento deste processo de comunicação do “Ser” com o “ser”, e o pior, debita a função da consciência aos neurônios, que são órgãos materiais, como se eles fossem factíveis e capazes de produzir consciência. Ultimamente isto é debitado às assembleias de neurônios. O certo é que a neurologia desconhece completamente o que seja a consciência humana. Isto nos confessa o decano da neurociência, António Damásio da University of Southern California, USA. Em seu “Livro da Consciência” (2010), nos faz ver isso. Todos os entes viventes no planeta, possuem consciência, pois, são uma junção destes dois sistemas, um notadamente material e o outro reconhecidamente imaterial. Todos os animais, indistintamente possuem uma consciência , naturalmente que cada consciência possui seu próprio grau de evolução, também é natural que cada necessidade de cada espécie animal molda e estabelece o grau de evolução dessa consciência. E a comunicação entre todos eles só é factível no campo pertinente ao “seres” materiais. Terminantemente, não há como os ”Seres” imateriais se comunicarem entre si, eles como consciência só se comunicam com o universo através dos sistemas materiais de cada espécie animal. Isto, nenhum “Ser” humano, racional e consciente dentro da sua condição de “Ser”, pode contradizer... Senão os animais não existiriam, incusive os humanos! Os “Seres” pensantes só se comunicam através da fala material, ou da escrita também material, da gestualidade, da expressão corporal e etc. obviamente e naturalmente todas oriundas do “ser” material, sendo esta comunicação feita entre os “seres” e não entre os “Seres”, pois, só a percebemos e acontece unicamente entre os “seres”. O “Ser” ou nossa consciência é uma entidade completamente fora do alcance de nosso entendimento ou razão, como “seres materiais que somos. As pessoas com pouca percepção da realidade da existência  dos seres vivos! Questionarão! E as comunicações espíritas praticadas em todo mundo? Ora! Meus amados irmãos! Estas comunicações se dão entre “seres” materiais e memórias de “seres” materiais” ou personalidades de “seres” materiais que se formaram em diversas vidas passadas aqui, de um mesmo espírito você se comunica com diversas personalidades formadas em diversas vidas, nunca com o espírito que viveu estas diversas vidas, o espírito é partícula da divindade criadora do universo e da vida. O espírito dos humanos é imenso e um único organismo que gosto de chamar de “Grande Ser”! Eita povinho chucro! Não entendem um fato tão lógico e simples assim! Cada espécie de vida existente no planeta tem origem num “Grande Ser” específico daquela espécie, a medida que os “seres” de uma espécie evoluem, o “Grande Ser” daquela acompanha aquela evolução e evolui no mesmo grau também, não é tão dificil de entender isso!  Quantas espécies existem! Tantos “Grandes Seres” existem também. Não confundir com o “Ser Maior” que é o criador de tudo! O interessante é que Hippolyte Léon Denizard Rivail, nosso amado Alann Kardec, recomendou insistentemente em toda sua obra! Que: Seus seguidores” ou seja, os “espíritas” utilizassem a razão, e nunca a fé cega para analizar as coisas pertinentes as crenças, as religiões e em, especial especialissimo,  a “Divindade”. Esta proposta pode parecer meio inconpreensível, mas, é de uma simplicidade, uma pureza, e de uma lógica infinita. Não adianta descrer! Não é de nosso domínio mudar a verdade.

26* Voltemos ao micro e ao macrouniverso. Gauthama Budha já nos dizia sabiamente que: Tudo está estreitamente interrelacionado e de que, o “Um” contém o “Todo”, e o “Todo” contém o “Um”. Mesmo os Vedas na antiga Índia muito antes de Budha já diziam que: O micro está dentro do macro e o macro está dentro do micro. Não sei bem, confesso, mas, talvez os Vedas estivessem nos dizendo que nosso intelecto pode abarcar todo o macro universo. Condição em que, o macro se encontra completamente dentro do micro. No entanto, esta proposição tem um valor relativo, pois, (pelo menos eu desconheço), pois, desconhecemos a dimensão do micro e do macrouniverso dos antigos Vedas. Vejo mais coerencia e lógica na proposição do Príncipe dos Príncipes; com o “Um” e o “Todo”. Somos então! Uma pequena complexidade dentro de uma grande complexidade. Sendo que, esta mesma grande complexidade, por sua vez, também pode sob certas ‘injunções” estar dentro da pequena complexidade que somos nós. Esta interação entre estes dois mundos, a ciência moderna e a filosofia a percebe e a concebe dentro do que chamam de holismo, A ciência, a filosofia e a teologia tentaram debalde, explicar o que seja o “Ser” pensante! A neurociência dos nossos dias confessa com humildade que desconhece por completo o que seja nossa consciência ou enteléquia, portanto, não sabem o que seja o “Ser” pensante e falante que habita este planeta. Destes três ramos do conhecimento humano, dois deles são lógicos e racionais, o outro, creio que nem seja conhecimento, mas, burrice mesmo! Os três, podem não saber o que seja a essência do “homo sapiens sapiens”, e eu também não! Mas, incrível como possa parecer, eu sei o que seja o tudo e o “nada”. Meu amigo, José Mário Ferraz, filho de Leon, e neto de Belizário Ferraz de Oliveira, o “nada” sou eu, o “tudo” é o universo, incluso nele o homem. E não devo discutir coisas da magnitude desta proposição, nem comigo mesmo, sob pena da validação da pecha que pesa sobre o aporte das pedras pelos Correias.

27* Prezado José Mário! Por ser  esta uma maneira nova de se analisar o homem e o universo em que ele vive, e como teoria e proposição,  parte, ainda encontra-se dentro de meu intelecto e parte nas minhas gavetas. Quando eu as esvaziar e as publicar, aí sim, ambas as partes (o homem e o universo), podem ser discutidas e questionadas por qualquer “pensador”, que é como gostas de chamar os filósofos.

28* Quando nos pomos na condição de nada, conseguimos sair dos sistemas fechados tão bem descritos por Bertalanffy na década de 1930), e assim, conseguimos ter uma melhor visão externa destes mesmos sistemas.

29* Se tentardes ver o homem de dentro da gaiola do fenômeno humano, só verás a mesmice do existir cotidiano, o “tudo” só pode ser visto de fora do “tudo”, veja que este é um dos enfoques do “tudo” prometido, creio que a tentativa de analisar o homem como centro do mundo, no antropocentrismo, foi o maior mal da filosofia! O “egoismo”, resultante da clausura da gaiola do fenômeno humano, causou a  profunda introspecção dos filósofos matando a análise filosófica do “Ser”, concentraram-se demais no interior do homem, no que chamavam de alma. Temos que procurar nossa essência fora de nós mesmos. Creio que o “Ser” assim como ele é abordado, seja um grande vazio, no sentido de não existir onde o procuram. Segundo a proposição da teoria de Rupert Sheldrake, a consciência é externa aos seres. Fora de nosso sistema material aberto, e mesmo fora de todos os sistema abertos, mesmo nos mais simples e mais próximos, sem considerar seu grau de evolução. Nunca estando dentro destes sistemas, sempre fora do universo de cada sistema, inclusive e principalmente fora do sistema do “ser”. Dirão! Esta é uma proposição ilógica e inconsequente, mas, por séculos, buscamos o que seja o homem  dentro do homem, e a busca foi em vão! Lembra-te meu amigo pensador de que dentro do “eu” no mais profundo do “Ser”, encontraremos a cada passo, sistemas sempre cada vez mais complexos, e sempre fechados.

30* Para apurar tua visão tendes que ser um “nada”! Isto sem a decantada introspecção. A questão é sair, (deixar de “ser”),  deixar de fazer parte do conjunto humano. Veja que não estou propondo o isolamento nem a introspecção, muito menos a meditação que serão sempre péssimas conselheiras! Como pode o homem introjetar-se na sua essência que é seu espírito ou alma, se ele esta fora de seu alcanceA melhor alegoria a que posso recorrer é esta que proponho adiante! Sua conceituação mais básica pode ser entendida como uma realidade, como um modelo fenomenológico real, entenda isto como uma “coisa” factível de vivenciar! Abarcando sempre a cada vez, um sistema mais complexo. Pois é assim, que somos, “nós e o universo”. Aquele que tem dentro de si o conceito do macro universo entende facilmente esta proposição. Nenhum efeito causal existencial tem origem no micro universo. O universo das escalas inferiores à escala humana, não afetam a psiquê humana, o “Ser” é imune e indiferente a elas. Explica-se! Um meteorito que risca o céu ao penetrar na atmosfera, ou uma pedra atirada em nossa direção ativa nossos sentidos e nos preocupa, ativando instantaneamente nosso entendimento, mas, somos indiferentes aos prótons, nêutrons e elétrons de nossos átomos, ou mesmo indiferentes às nossas moléculas.

31* Portanto, esta, a seguir é a alegoria! Em ordem crescente de escala e complexidade! Deixe de “ser” em tua sala para mentalizardes melhor tua casa, deixe de “ser”  em tua casa para melhor mentalizardes tua cidade, deixe de “ser”  em tua cidade para melhor mentalizardes teu Estado, deixe de “ser”  em teu Estado para melhor mentalizardes teu País, deixe de “ser”  em teu País para melhor mentalizardes teu planeta, deixe de “ser”  em teu planeta para melhor mentalizardes teu sistema solar,  deixe de “ser”  em teu sistema solar para melhor mentalizardes tua galáxia, deixe de “ser”  em tua galáxia para melhor mentalizardes teu universo, e dentro deste universo mentalize a si próprio. Tendes que deixar de “ser” em todos os sistemas adjacentes crescentes, para abraçardes mentalmente o sistema maior do universo que engloba o “tudo” e o “nada”, onde alí está incluso o homem como “Ser”, tendes que nele mergulhar! Pois só assim o homem consegue ter uma visão plena e global do existir dele próprio e do universo. Vendo maravilhado que o homem é um “nada” dentro desta perspectiva. Não sou reticente, nem gosto de meias verdades! Aquele que não consegue saber nem onde está, como pode saber quem ele é? Pois, como disse Ortega Y Gasset: O homem é ele e suas circunstâncias. Protágoras dizia que o homem seria a medida de todas as coisas, enquanto Hobbes achava que o homem seria o lobo do homem. Observe que cada uma dessas assertivas  possui a sua verdade. Mas, repito sempre! Nós somos o tudo e o “nada”!!!...  É disso que é feito o universo, isto é o que me diz no geral a física newtoniana, a relativista e a quântica, e no particular a filosofia. Ora! Se o único fundamento existente no homem como “Ser”, para poder se conhecer o homem, é a própria razão do homem, e esta mesma razão jamais chegará a conhecer o homem na condição de “Ser”! Justamente porque a razão é de uso exclusivo do “ser” pensante e material! O homem é a soma do “Ser” e do “ser”, enquanto vivo! Quanto a morte os separa, o “ser” desaparece, só permanece existindo o “Ser”. Daí! Deduz-se com toda lógica que o homem é o “nada” em todo seu absolutismo e potencialidade, e nada mais. Observe que:  Quando do desaparecimento do homem, (ou morte), das essências dos dois seres, isto é; do “Ser” e do “ser”. A única essência que não deixa essência é o “Ser”, portanto, seria este o melhor candidato a ser “nada”.

32* Distinto José Mário Ferraz! Como já te afirmei, eu sou o “tudo” e sou o “nada”! Em prosa e em versos isto eu o afirmo. E é nisso que eu creio! Observe que neste ensaio de 2002, adiante transcrito fica explícito que: Existem muitas formas de interação do macro com o micro cosmos, no ensaio abaixo escrito há mais de dez anos tive meu primeiro contato direto com o mundo das escalas liliputianas, eis o que vi e encontrei!

Transcrevo aqui, o capítulo 05 da minha Obra “Os três Insights” de 1999.
Já estamos em 2013, mas, o que são 14 anos diante da janela da eternidade?

O MICRO COSMOS
(As girantes argolinhas girantes)
QUARKS OU TIJOLOS FUNDAMENTAIS DA MATÉRIA!
PACOTES RETORCIDOS, FEITOS DE PACOTES RETORCIDOS   
QUE, SÃO FEITOS DE PACOTES RETORCIDOS, QUE, POR   
SUA VEZ, SÃO FEITOS DE PACOTES RETORCIDOS!!!...

33* No segundo “insight”, meu "eu exterior" onisciente teimava em dar respostas para as quais não havia sido emitida nenhuma pergunta! Isto me deixou sem entender “nada”! Ouvi isto, (nos “insights”, "ouvir" quer dizer "viver"), o tijolo fundamental da matéria está bem longe de ser alcançado pela física de partículas. Os modelos básicos da matéria ou “férmions” são em número reduzido; suas variantes é que são em grande número. No macrocosmo eram feitas alterações de escalas; no microcosmo o que eu sentia era como se fizesse mergulhos, um de cada vez! Talvez por um condicionamento da minha mente, a cada mergulho eu descia um patamar na estrutura do microcosmo. Eis o que encontrei, ao mergulhar na intimidade do átomo: deparei-me com um sistema solar estranho; o sol central era extremamente diminuto e sem luz, com um sistema planetário maluco, com órbitas estranhas e extremamente distantes do sol central! Ao que pude ver e entender os planetas saltam de uma órbita para outra, tendo as órbitas todos os sentidos. Não havendo regularidade nem no sentido dos movimentos, nem na distância ou altura das órbitas com relação ao sol central.  A única regularidade que encontrei foi no tamanho dos planetas; as órbitas são elípticas e alongadas e bem próximas, vistas de fora; vistas de dentro, são, ao que me pareceu, aproximadamente circulares, ou as duas coisas ao mesmo tempo; não sei como um movimento pode ter duas formas!   Um só planeta, num só instante, percorre todas as órbitas possíveis dentro do sistema, visitando, assim, nesta fração de tempo de "um só instante" todos os espaços contidos dentro deste micro sistema solar. Existe sim! Uma esfera orbital definida. Não existindo um plano orbital como uma eclíptica. O átomo em que fiz o mergulho era de um elemento com um número muito grande de elétrons, as órbitas são em número tão grande, que o átomo visto de fora parecia um capucho de algodão, bem alvo e esférico; não entendi por que, sendo as órbitas tão próximas, os elétrons não se chocavam! Aguardei em vão o quarto “insight” para elucidar este fato, e ele não ocorreu.

34* Os átomos vistos em conjunto são enfileirados, nas mais diversas formas. Quando me aproximei de um planeta ou elétron, tive certeza! O elétron é imaterial, e tive uma surpresa: diferentemente do que esperava, ele não era esférico, mas ligeiramente alongado, com o lado mais afilado sempre voltado para o núcleo, e não é opaco; mais parece um pacotinho de luz, translúcido, formado por um número muito grande de pacotinhos de luz, "quarks?", (acho que não; a física quântica me diz que os “quarks” só estão presentes no interior de prótons e nêutrons). Aquelas coisinhas luminescentes possuíam a mesma forma de um elétron, estavam todas alinhadas e voltadas para a ponta mais afilada do elétron. Esta imagem do elétron ficou literalmente impregnada em minha retina por quase quinze dias; cheguei a pensar que aquilo não ia desaparecer, pois para onde eu dirigia o olhar lá estava aquela imagem miudinha e linda. Ia me esquecendo, o lado ou a ponta do elétron oposta à ponta voltada para o núcleo, me pareceu ter um furo ou ser côncava. Sem nada perguntar, vi-me diante do núcleo, que me pareceu estático, duro, frio, escuro e imenso. Não compreendi como um objeto formado por estranhos pacotes de correntes retorcidas podia ser tão polido e brilhante, mesmo não possuindo nenhuma luz. Deparei-me com uma estrutura estranha parecida com o elétron, embora não o fosse, pareciam uma só entidade. Decidi penetrar na zona desconhecida da intimidade da matéria; já esperava encontrar os “quarks” e espero tê-los encontrado. Só não entendi de que eram feitos os elétrons. Confesso que não sei como descrever o que encontrei; é dificílimo! Diante do núcleo não percebi a forma dos prótons, nem dos nêutrons; tinha diante de mim, uma imensidão de estruturas e me perguntei: é isto que é o “quark”? Quando me aproximei, tive uma grande surpresa! Ao percorrer a superfície do núcleo, vi que a entidade “quark” tinha mais de cem arrumações ou ordenamentos diferentes e era formada por um número imenso de outras entidades menores com os mesmos ordenamentos ou arrumações da entidade principal. Aí me decidi: vou dar um mergulho nesta estrutura menor. Outra surpresa! Encontrei a mesma estrutura da entidade anterior; dei novo mergulho, outro nível abaixo: a mesma estrutura em um nível inferior; então dei, o que achei que seria o último mergulho: nova surpresa; encontrei uma estrutura menor, mas, com a mesma estrutura de pacotes de correntes retorcidas, e com a mesma arrumação ou ordenamento da entidade principal! Depois de descer a exatos sessenta e seis níveis, encontrando sempre uma entidade menor e com a mesma estrutura, e ordenamento, decidi examinar a estrutura das correntes de que se formavam todos os monólitos! Comecei de cima, pela primeira estrutura, e o que encontrei me deixou boquiaberto; era uma estrutura bem simples, como posso dizer! Um pacote ou monólito formado por milhares de correntes retorcidas; estas correntes têm elos com formato de anéis, são anéis, mesmo, com forma de anéis de arame transparentes, com formato sempre circular. Estas correntes têm elos com um a seis anéis; ao chegar ao nível trinta e três, encontrei uma entidade diferente.

35* Este monólito não tinha os anéis entrelaçados; nesta entidade, os anéis eram somente justapostos, enfileirados, só giravam, mas me pareceram estáticos completamente estáticos! Ao passar para o próximo nível, notei uma nova mudança, embora os anéis continuassem sem se entrelaçar, agora já não eram mais estáticos; vibravam intensamente e pareciam eletrificados, e como no nível anterior, não eram em forma de correntes retorcidas; um nível adiante, já a forma de corrente retorcida e a estranha energia estavam sempre presentes. O interessante é que estes anéis nunca se tocavam; estes pacotes de correntes sempre retorcidas podem ser compostos de uma corrente retorcida a até mais de cem correntes, e sempre retorcidas. Estes elos circulares, quando isolados, têm a forma de pequenas moedas ou lantejoulas furadas e que, ao se aproximarem de outras moedas, imediatamente se entrelaçavam com as outras moedas e, automaticamente, tomavam a forma de anéis, formando correntes sempre retorcidas com vários números de correntes. A alteração na estrutura das correntes era ao nível da estrutura dos elos ou voltas. Na realidade, são estas voltas menores contidas nas voltas maiores que possuem voltas menores ainda e que por sua vez, possuem voltas ou anéis ainda menores que, ao que me pareceu, decrescem sempre, fundamentando sua estrutura sempre nas voltas ou elos, ou anéis; desviei minha atenção para a estrutura destes anéis e entendi que esta estranha estrutura era formada literalmente de “nada”, isto mesmo: de coisa nenhuma! Dentro dos anéis não encontrei “nada”; nem partículas, nem energia, nem “nada”; só movimento. Todas giravam em altíssimas velocidades; não sei como “nada” pode ter movimento; a razão me diz que não existe o “nada” pois se existir passa a ser algo, assim o “nada” seria uma essência e não a não existência ou não essência! E isto é uma incoerência! Mas era isto mesmo; pareceram-me feitas de “nada”! Todas giravam; “nada” podia interferir no estado das moedinhas furadas; só outras moedinhas, pois quando se aproximavam imediatamente se entrelaçavam já no formato de anéis; se os anéis formam as correntes que formam os monólitos que formam os “quarks” que formam os prótons, nêutrons e elétrons que formam os átomos que formam as moléculas que formam a matéria de que somos constituídos e se estes anéis são formados de “nada”, há de se deduzir e convir! Simplesmente nós não existimos! Isto mesmo!
    
36* Não existimos. Quando estava no meio dos mergulhos, subitamente as estruturas mudaram; pareceu-me que eu tinha mudado de uma estrutura morta para outra viva. As estruturas anteriores eram estáticas, paradas; só os movimentos circulares dos anéis se faziam notar! Nas novas estruturas havia algo como uma energia percorrendo toda a extensão dos minúsculos monólitos; pareceu-me que eu tinha passado de uma estrutura sem carga elétrica, neutra, morta, para outra eletricamente carregada, viva. Os pequenos anéis que formavam as correntes tornaram-se mais visíveis e alternaram os sentidos de seus movimentos; agora, cada elo tinha o movimento num sentido: um era destrógiro; o próximo sinistrógiro; o outro destrógiro; o próximo sinistrógiro, e, assim, indefinidamente! Ao pensar o porquê dessa alternância, esta certeza se apossou de mim! (Esta alternância é o que os físicos chamam de violação de CP, é o ato causador dessa violação, que é a base do existir do Universo, e ainda me disse! Esqueça os espelhos), quando ouvi isto fiquei sem entender “nada”! Só mais tarde pesquisando e procurando melhorar meu conhecimento na área da física de partículas me recordei da proposição dos espelhos, passando a entender o que naquele momento era para mim sem nenhum sentido. Só no terceiro “insight“, consegui entender que esta alternância é que dá origem a força forte, fazendo frente ao poder destruidor das antipartículas, elas não deixaram de existir no Universo, somente deixaram de ser detectáveis pelas partículas e convivem dentro das próprias partículas. Sem que eu perguntasse, ainda disse, que a fissão era a quebra parcial dessa alternância e a fusão seria a quebra total. E entendi mais, que sem a presença das antipartículas não era possível nem a fissão nem a fusão. Quando terminei o mergulho tive quase a certeza de que tinha saído de um nêutron e penetrado num próton. Isto é tudo o que entendi da estrutura maravilhosa e multidimensional dos “quarks”. Se é que podemos chamar estas estruturas de quarks.  Há uma maneira mais fácil de descrever os “quarks”! Imagine um “quark” como um monólito principal formado por cem milhões de monólitos menores com formato de pacotes de correntes retorcidas, sendo cada monólito menor formado por cem milhões de monólitos menores com formato de pacotes de correntes retorcidas (cem milhões, aqui, é somente um número como outro qualquer). Sendo estes monólitos menores também formados por cem milhões de monólitos menores com formato de pacotes de correntes retorcidas, e, assim, sucessivamente e indefinidamente, (isto é o que me pareceu!), e olhe que desci a mais de sessenta níveis e desisti, retornando ao monólito principal. Depois, analisando o ocorrido, não entendi como é que, ao descer ao nível mais baixo, vi-me de súbito no patamar superior. Talvez tivesse ido ao fundo e retornado de patamar em patamar, pensando que estava descendo sempre, quando, na realidade, fui ao patamar mais interior do quark de um nêutron e retornei gradativamente num quark de um próton ao patamar exterior ou superior. Confesso que não sei; é extremamente difícil perceber a realidade quando se faz uma incursão desta natureza. Espero que tenha ficado explicitado que estes mergulhos foram feitos: ao que me pareceu, na estrutura de um único “quark”, embora eu tenha percorrido toda a complexidade da estrutura do núcleo, e, assim com a minha pequenez humana, fiz uma singela incursão, inesquecível, inacreditável e indescritível aos confins do “nada” e ao início de tudo.
Itacaré, Bahia, junho de 2002
Fim da transcrição do ensaio de 2002

37* Voltemos a nossa análise do oposto ao tudo, que é nominado de “nada”. O conceito de “nada” é de difícil compreensão por uma mente ou enteléquia, mesmo com grande poder de análise dedutiva, se bem analisada a proposição do ente “nada” leva-nos a conceber um vazio absoluto, o que nem a física quântica ousa propor, mesmo com a nova teoria das cordas cósmicas, pois, o que nos propõe é justamente o contrário; que entendemos e vemos quando chegamos ao mais profundo espaço do micro cosmos. Neste mundo das “cosmic strings” o conceito de tecido do espaço é o resultado do entrelace das cordas no espaço de Calabi-Yau, a coisa é proposta de forma muito clara, não havendo espaço vazio nem no interior das sub-partículas atômicas, nem no interior do “tudo”, pois, tudo absolutamente tudo, inclusive o espaço sideral é preenchido pelas cordas. A escala de 10-33 onde permeiam as cordas cósmicas é tão diminuta que um físico inteligente, nos propõe imaginarmos um átomo com a dimensão do universo na escala de 1028 ou seja, com a dimensão de 13,81 bilhões de anos luz de raio, neste átomo universo veríamos uma corda com a dimensão de 10 metros de altura e 10 metros de copa, com a forma equivalente a de uma árvore, sendo cada corda colada uma na outra. Portanto, se na escala do espaço de Calabi-Yau não há espaço vazio! Muito menos na escala de 101 cm que é a escala do universo onde vivemos.

38* O que nos leva à conclusão de que não existe vazio no universo, e claramente deduzimos que não existe o “nada” absoluto no universo.

39* O “nada” não pode ser concebido nem mesmo filosoficamente, pois, ao concebê-lo já criamos “algo”, e de forma alguma, este “algo” criado pode representar o “nada” ou o “nihil”, que, por ser “nada” este “nada” a priori e necessariamente não pode ser representado por algo concebível e estruturado pela razão humana.

40* Voltando ao “conheça-te a ti mesmo”, ao “nosce te ipsum” latino, ou ao “gnōthi seauton” grego.
O autoconhecimento infinito proposto por Jiddu Krishnamurti: que nos diz no seu livro: A Primeira e Última Liberdade. - Quanto mais uma pessoa se conhece, tanto mais clareza existe. O autoconhecimento é infinito; nunca se chega a um remate, nunca se chega a uma conclusão. É um rio sem fim. Estudando-o e penetrando-o mais e mais, encontramos a paz. Só quando a mente está tranquila – em virtude do autoconhecimento e não da autodisciplina – só então, nessa tranquilidade, nesse silêncio, pode manifestar-se a realidade.

41* Creio que ao se alcançar esta realidade última proposta por Krishnamurti, aí então, de posse desta realidade veríamos a impossibilidade da existência do “nada”.

42* Estes raciocínios liquidam e sepultam definitivamente a possibilidade de concebermos ou demonstrarmos o conceito de “nada”. Segundo meu entendimento, o conceito do “nada” como o oposto ao “tudo”, é sem forma e vazio.

43* Dentro da filosofia definitivamente, o único local onde seria factível de existir o “nada”, seria dentro da vontade e da intelecção humana, então, obviamente que como conceito, e este conceito de “nada” só pode ser apreendido dentro do intelecto humano como uma abstração, no entanto, sendo naturalmente de impossível demonstração e comprovação. Creio que ficou assente que o “nada” não existe como ente, e de que o melhor candidato à “nada”, seria o “Ser”. Embora nada tenha ficado provado, pois, tudo, absolutamente tudo, referente ao “nada’, é de impossível comprovação.

44* Veja meu distinto pensador, o que me veio à mente, no distante ano de 1999.  Uma das razões em função de que: Não abro mão de ser um “nada”. Isto para um melhor entendimento do por que da minha proposição do meu nihilismo como “Ser”, sendo que, naturalmente este nihilismo não é o meu caminho filosófico!

Transcrevo aqui, para finalizar, um pequeno trecho do Capítulo 20 da minha Obra “Os três Insights” de 1999

45* -A aplicação dos princípios bayesianos no estudo do comportamento humano, em se tratando de grandes massas ou sociedades humanas, torna tudo muito previsível, extremamente previsível. Este remate só contém fatos comuns, e declarações comuns, e do conhecimento de todos; o que fiz foi somente uma rememoração destes fatos, um reavivamento; isto mesmo, um reavivamento da memória. É um paradoxo: quanto mais aprendo, menos sei! Novamente enfrento outra dura constatação: nada sou, agora, sim, mais sei que nada sou. Sou um montão de argolinhas girantes; é só isto que sou. Um nada. Nem um. Sou simplesmente nada. Nada, absolutamente nada. Agora posso contestar físicos e filósofos; o nada existe! Sou eu.
Itacaré – Bahia, verão de 1999

46* Pois, pois, meu amigo e mestre, José Mário Ferraz; estas destoadas e parvas elucubrações foi o que saiu da minha “ainda” assustada e insignificante mente, tentando te responder sobre o que seria esta “antientidade” chamada por todos de “nada”. Entenda que o “assustada” é por conta da nova sapiência da manada que aos poucos vai acordando... Indo para as ruas reclamar do governo nefasto que esta mesma manada elegeu! E ao que parece, a manada aos poucos vai se descolando da burrice, que é mais facilmente encontrável em quem se comporta como manada. Observe meu ilustre pensador, que a burrice é inerente ao homem! Sábios e tolos a praticam! Creio que a burrice seja a mais antiga companheira do homem, e de que seja feita de araldite, pois, não descola do “ser” que a adota, a burrice é típica do “ser”, que se nos apresenta como manada...

Edimilson Santos Silva Movér
Vitória da Conquista-Bahia-Brasil, 20 de julho de 2013
77-99197 9768

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